24 Horas: nona temporada está melhor que nunca | Cabine Cultural
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24 Horas: nona temporada está melhor que nunca

24 Horas temporada 9

24 Horas – Cena da nona temporada

Sempre acompanhei 24 Horas, desde a primeira temporada, inovadora, até a oitava, já um pouco maçante. Os sentimentos que possuía pela série variavam da excitação pelos primeiros anos (os quatro primeiros, para ser mais específico), passando pelo descontentamento de algumas das temporadas seguintes e até mesmo frustração, por ver uma série tão inovadora em termos estruturais narrativos exibir episódios e mais episódios medianos.

Mas os tempos eram outros, a programação americana em meados da década passada ainda exibia séries icônicas como Lost, Prison Break, e também outras que hoje são caricaturas de si mesma, mas que na época estavam em seus ápices (Grey’s Anatomy, CSI, Two and Half Man). Ou seja, um episódio mediano neste contexto era bem frustrante. Só que hoje em dia as coisas mudaram um pouco, com o nível de qualidade das séries bem mais embaixo, episódios assim medianos são até comemorados. E foi por conta deste contexto que talvez a série de Jack Bauer tenha voltado, quatro anos após seu fim, para uma nova temporada.

24: Live another day terá 12 episódios de uma hora, sendo que até aqui foram exibidos 5 destes. E o que se pode dizer desta primeira metade da temporada? Bem, Jack Bauer está melhor que nunca!

Dessa vez, o cenário não é mais os Estados Unidos, ambientação tradicional da história. Bauer agora é um foragido da justiça americana, desejado – no mau sentido – pelos russos e, escondido em Londres há quatro anos (ou seja, desde o final oficial da série, em 2010). Mas por que ele retorna, afinal? Bem, ele volta para tentar impedir um ataque terrorista de potencial global, provocado por ataques de drones americanos em solo inglês. Assunto um tanto clichê, mas bem atual. Um ponto positivo e outro negativo.

A experiência de ver Jack Bauer novamente em ação tem sido até aqui bastante prazerosa, e isso por uma série de fatores: a estrutura narrativa dos episódios, que continua bem dinâmica e inteligente (marca da série, ao menos dos seus primeiros anos), a falta de boas histórias atualmente na televisão americana (cada vez mais difícil encontrar boas histórias, sobretudo na televisão aberta) e por fim a adição de personagens bem interessantes e inteligentes neste novo ano. Um deles inclusive com potencial para dividir as atenções com Jack.

24 horas nona temporada em Londres

24 Horas Temporada 9

Mas é claro que os personagens mais marcantes da temporada são os que trabalharam nas outras temporadas também, como a outrora chata e agora necessária e obscura Chloe O’Brien (Mary Lynn Rajskub), numa atmosfera bem Lisbeth de Os Homens que não amavam as Mulheres; Audrey Raines (Kim Raver), o talvez grande amor de Bauer também está de volta, juntamente com seu pai James Heller (William Devane), agora no papel de presidente da mais poderosa nação do mundo.

A mudança no número de episódios, que antes era de 24 – seguindo um dia completo – e agora é de somente 12 não causou, ao menos até então, prejuízo algum para a história. Acredito até no contrário, talvez esteja na hora da televisão aberta americana seguir os passos dos canais fechados e produzir somente 12 episódios por temporada, dando mais condições para os roteiristas e produtores trabalharem melhor as histórias, sem muita necessidade de encher a história com abobrinhas para passar o tempo.

Voltando a falar dos destaques, é inegável que o grande destaque desta nova fase de 24 Horas certamente é a atuação de Jack Bauer, interpretado pelo incansável Kiefer Sutherland de forma empolgante. É incrível como Kiefer continua bem com a forma física, tornando as cenas desta nona temporada bem similares as de anos atrás, quando o ator estava bem mais jovem. E é interessante como mais uma vez o roteiro joga Bauer para o submundo, sendo novamente considerado um criminoso, mesmo já tendo salvado o país inúmeras vezes. Americanos realmente são uns ingratos.

Falando agora dos novos personagens, é indiscutível que o grande destaque neste aspecto foi a entrada da atriz Yvonne Strahovski, um dos mais belos rostos da televisão mundial, muito talentosa e ídolo da nação nerd mundo afora (ela ainda é lembrada como a heroína da série Chuck). Sua personagem, uma policial do FBI prestes a ser desligada da equipe por questões envolvendo o ex-marido, que era informante inimigo, tem tudo para ajudar no desenvolvimento da história neste nono ano. E a julgar por este início, sua personagem realmente tem potencial para dividir as atenções com Jack Bauer.

24 Horas volta num momento bem interessante, onde as séries originais são produzidas em cada vez menor quantidade e cada vez mais na televisão fechada ou plataformas como NETFLIX (Orange is the New Black e House of Cards são sensacionais e obrigatórias). Valoriza-se cada vez mais hoje em dia a história que já vem consagrada, seja através de um filme (O Bebê de Rosemary, Bates Motes), seja através de um livro (Hannibal), seja através de outra série (Ressurrection). A questão aqui não é nem julgar a qualidade de algumas destas séries (Hannibal é quase uma obra-prima de tão boa), mas mostrar que o roteiro original está cada vez mais raro na indústria americana. Neste sentido, a aposta da FOX é quase certeira, afinal de contas, Jack Bauer sempre foi sinônimo de boa audiência.

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