Crítica: Getúlio, thriller político de primeira grandeza
Cinema

Getúlio, thriller político de primeira grandeza

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Getúlio nos cinemas

Getúlio Filme – Divulgação

Em estreia nacional o tão esperado filme Getúlio, com direção e roteiro do cineasta  João Jardim, o filme veio para deixar sua marca no cinema brasileiro com este drama e thriller político de qualidade.

Inspirado em fatos reais, com ótima direção de arte, roteiro objetivo e enxuto, ótima fotografia de Walter Carvalho tendo como principal cenário o Palácio do Catete, o filme consegue manter um ritmo de trama onde a trilha sonora transmite agilidade, e apesar de sabermos o desfecho da história, cria-se uma curiosidade sobre os fatos políticos dessa época. Tem momentos de filmagem em que nos sentimos espreitando as pessoas e o ambiente tão cheio de memórias.

Passado no ano de 1954, no Rio de Janeiro, Capital Federal, conta os 19 últimos dias de vida do mais importante político brasileiro, o Presidente Getúlio Vargas. Mostra o atentado da Rua Toneleiro, que matou o major Rubens Vaz e feriu o jornalista e político Carlos Lacerda. E a pressão sofrida no governo de Getúlio, em especial a sua pessoa, levando-o ao suicídio, em 24 de agosto de 1954.

Getúlio Vargas foi Presidente do Brasil por 2 períodos; no primeiro mandato permaneceu no poder por 15 anos (1930 a 1945) e da segunda vez pelo voto popular, por 3 anos e meio. Como ele mesmo fala no início do filme “fui um ditador e não me arrependo”, adorado pelo povo, era chamado de “pai dos pobres”, criou leis sociais e trabalhistas e o “getulismo”  deixou sua marca até os dias atuais. Homem de atitudes fortes, chegou até a rasgar a constituição nacional, gostava de comandar e era adorado por muitos, mas também tinha inimigos na oposição.

No papel principal o ator Tony Ramos consegue um desempenho de primeira grandeza, com uma caracterização do personagem digno de aplausos. A semelhança do ator com a figura política e o pai extremado, as reações sutis, o charuto na boca, é de impressionar. Mostra também o lado pai, o apego que ele tinha a sua filha Alzirinha Vargas (Drica Moraes) e como ela participava ativamente da vida política do pai, inclusive dando palpites nas reuniões ministeriais. A atriz Drica Moraes tem um desempenho de peso no filme.

E todos os demais atores como Alexandre Borges (Carlos Lacerda), Adriano Garib (general Genóbio da Costa) Clarisse Abumjara (esposa Darci Vargas), Michel Bercovitch (Tancredo Neves) e demais, têm uma interpretação que só faz somar e valorizar.

O Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, cenário do filme, de beleza ímpar com seus lustres de cristais, escadaria imponente, o quarto e o gabinete de Getúlio, enfim, todo o ambiente dá um ar nostálgico e de credibilidade ao filme.

Drama onde conhece-se a fundo uma parte tão importante da história do Brasil, com todo o contexto que envolveu os dias que precederam a morte de Getúlio Vargas, um verdadeiro thriller  com os bastidores do jogo político com tantos personagens importantes, uma verdadeira conspiração oposicionista com muita trama e negociata, tendo como figura principal o maior político deste país, Getúlio Vargas.

“Deixo a sanha de meus inimigos, o legado de minha morte”. “Saio da vida para entrar na História”. – Getúlio Vargas.

Marcia Amado Bessa é enfermeira e escreve para o ótimo blog parceiro CineAmado


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