Crítica 13º Distrito: Paul Walker se despede da melhor forma | Cabine Cultural
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Crítica 13º Distrito: Paul Walker se despede

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Paul Walker dá adeus ao cinema numa história repleta de ação, aventuras e carros em alta velocidade. Em suma, tudo que ele amava

Antes de mais nada: tem muita coisa interessante em 13º Distrito. E não é somente o fato de ser o filme que marca oficialmente o desfecho da carreira cinematográfica do carismático ator Paul Walker, falecido no final de 2013 em um trágico acidente de carro nos Estados Unidos, que chama atenção aqui. Claro que é esse o principal chamativo do filme, mas ao término da sessão você percebe que a trama é cheia de ação, com muita adrenalina e um forte teor de denúncia político social que dá o tom à história. Tudo isso produzido de modo bem satisfatório, trazendo ainda um elemento extra que serve como cereja do bolo e ainda conecta este filme com a sua versão original, francesa: o parkour, esporte bastante difundido na Europa, cujo princípio é mover-se de um ponto a outro o mais rápido e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo.

A história é ambientada em Brick Mansions, território de Detroit com altos índices de violência e sem a assistência governamental. Com isso, traficantes como Tremaine Alexander (RZA) são os donos do local e mesmo que sejam combatidos por Lino (David Belle), um especialista em le parkour que tenta acabar com as drogas do local, nada consegue destruí-los. Mas é quando Lino se junta com Damien Collier (Paul Walker), um detetive que recebe como missão entrar em Brick Mansions para resgatar uma bomba que pode matar milhões, que as coisas podem mudar. Lino deseja retornar ao local para resgatar Lola (Catalina Denis), sua namorada, que foi raptada pelos capangas de Tremaine, já Collier quer acabar com o tráfico. Esta união fornece ao filme a dose certa de ação e aventura, transformando-o numa ótima opção para os amantes do gênero.

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Mas vamos ao elementos que mencionei anteriormente. O primeiro destaque de 13º Distrito aparece logo na sequência inicial, quando Lino foge pela primeira vez da gangue de Tremaine, utilizando-se do que melhor sabe fazer: o parkour. Chama bastante atenção o quão eletrizante a cena ficou por conta desta peculiaridade. Este esporte, que consiste em se movimentar usando o que a cidade oferece: muros, paredes, escadas… é fascinante do ponto de vista plástico. E Lino (David Belle) acaba sendo o elemento que une a história passada em Detroit com a história original do filme. Somente aquela sequência que apresenta uma parte da história já vale o ingresso para a sessão.

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Logo depois a trama passa a contar uma segunda história, envolvendo agora o detetive Damien Collier, que busca vingar a morte de seu pai, e também eliminar o tráfico de drogas no local. E aí temos outro grande destaque do filme: sua ambientação. Quem conhece os Estados Unidos sabe bem que a única – ou uma das pouquíssimas – cidade capaz de ambientar uma história de corrupção, altos índices de violência e de decadência das estruturas – prédios, escolas, hospitais – é Detroit. Essa cidade americana passou nas últimas décadas por um tremendo processo de destruição político social e esse elemento é muito lembrado no filme, tornando-o um bom material para se entender um pouco das desigualdades que também existem na sociedade americana.

E a fotografia de 13º Distrito, bem suja, sem vontade alguma de esconder estes detalhes, é um ponto forte da história. A direção, de Camile Delamarre, mostra-se competente por entregar o que o filme desde o seu início se propôs: uma história de ação, com muita aventura. Algumas firulas, como cenas em parcial slow motion, não chegam a atrapalhar a dinâmica da trama, que é sem dúvida alguma um ótimo exemplar do gênero ação.

Outro ponto que chama atenção é a divisão social do filme – e da cidade de Detroit. Temos as gangues, os traficantes, todos negros, os malvados, enquanto que os políticos e os mocinhos são todos brancos. Essa ideia, que se continuasse até o fim, seria um elemento falho, acaba tendo reviravoltas que não somente modificam essa perspectiva social, como estabelece um tom de realidade bem bacana, que agrega muito ao resultado final.

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Por fim, não é possível terminar uma análise sobre o último filme do ator Paul Walker sem buscar ao menos homenageá-lo. É realmente uma pena que um ator tão jovem e talentoso tenha falecido de modo tão trágico. Paul em 13º Distrito trabalha no seu automático, como nos filmes da franquia Velozes e Furiosos e ou Perseguição (esse é lá do início de sua carreira). Seu carisma em cena é inegável, é fácil assistir a qualquer um de seus filmes. E mais uma vez o vemos dirigindo em alta velocidade, uma de suas grandes paixões, e que infelizmente o levou à morte.

Uma grande perda para o cinema, que ao menos se despediu da melhor forma possível: com um filme que leva no seu DNA todos os elementos que tanto Paul gostava. Ação, aventura, carros e tiros… 13º Distrito tem tudo isso.




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