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Crítica O Espelho: horror psicológico estreia

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O Espelho (Oculus)

O cinema de horror com ares sobrenaturais volta e meia se utiliza de objetos domésticos como fonte de poderes espirituais malignos. Já vimos filmes em que o ponto de partida acontecia quando uma determinada família passava a possuir uma casa, um sofá, um relógio, alguma antiguidade… enfim, é o caminho mais viável por se tratar de objetos que passam, de alguma forma, as energias de seus antigos donos. Assim, quando olhamos para a premissa de O Espelho (Oculus), filme que estreia nesta semana no Brasil, logo percebemos o caminho que a história irá percorrer.

E qual é a premissa de O Espelho? A trama narra a história dos irmãos Kaylie e Tim Russell, ela interpretada por Karen Gillan, de Guardiões Da Galáxia e ele vivido pelo ator Brenton Thwaites, que esteve recentemente no blockboosters Malévola. Tim, quando criança (11 anos) foi levado para uma instituição psiquiátrica acusado de assassinar seu pai em circunstâncias bem estranhas. Passados muitos anos, ele é declarado saudável e liberado da instituição, sendo recebido por sua irmã (que lidou com todas as consequências do trágico evento sozinha). Ela, entretanto o leva de volta a casa onde tudo aconteceu, com o objetivo de provar que o responsável pela morte de seus pais não é seu irmão, e nem seu pai, mas sim forças sobrenaturais que residem em um antigo espelho, que foi comprado pela família.

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O mais interessante na construção narrativa do filme – sem dúvida alguma – é o modo como os editores costuraram as duas histórias; a primeira, com os dois ainda crianças, vendo a relação de seus pais sendo destruída, e a segunda, com os dois irmãos, já adultos revivendo os eventos, com suas lembranças, mas agora com um sistema de defesa que – aparentemente – os deixaria a salvo do poder que o espelho porventura possui. Este sistema de defesa (computadores, câmeras, comida, alarmes, energia elétrica…) criado por Kaylie tem a função de mostrar para nós o quanto ela sempre esteve determinada a respeito dos acontecimentos do passado. É a garantia de verossimilhança da história: a morte dos pais marcou de tal forma sua vida que todo aquele aparato tecnológico passa a ser compreendido.

Desta forma, as duas histórias, contadas nas duas primeiras partes do filme de forma paralela, passa – na parte final – a ser contada como se fosse uma somente, intercalando os fatos do passado com os acontecimentos do presente, trazendo à tona o real poder que o espelho possui sobre eles. Estas sequências finais, interessante do ponto de vista técnico, já que o roteiro é muito bem amarrado, sem deixar brechas para questionamentos básicos, falha um pouco no que tange ao principal objetivo de um filme de horror: deixar-nos com medo, horrorizados.

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Parece por muitas vezes que o objetivo principal da história é somente dar coerência à série de jogos psicológicos, uma das marcas do filme. Ficamos por vezes tentando perceber o que é real e o que é imaginação, ou fruto do poder que o espelho possui sobre eles. E justamente por ficarmos a todo instante buscando decifrar essa relação de realidade e imaginação, deixamos de nos surpreender com as partes que em tese seriam as principais – e mais amedrontadoras – da narrativa. Mas ainda assim, não podemos dizer que o filme, dirigido por Mike Flanagan (de Absentia), falha totalmente neste aspecto.

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Sobre o elenco principal (o filme tem poucos personagens) os destaques são as atrizes Karen Gillan e Annalise Basso (que interpretam a protagonista da história em idades diferentes). Bem escolhido, as duas realmente passam a ideia de que a versão adulta é naturalmente resultado de sua versão criança. Outro ótimo destaque, que serve para os fãs da série cult Battlestar Gallactica matar as saudades, é a atriz Katee Sackhoff, que junto com Rory Cochrane fazem bem os papéis dos pais da dupla de irmãos.

O Espelho pode não ser um primor de filme, mas oferece ao público amante de um bom filme de terror psicológico sobrenatural uma história muito bem construída, amarrada, com muitos dos elementos que fazem um filme deste gênero ser ótimo. O seu desfecho, que para alguns pode ser confuso, é também um dos destaques, por trazer algum incômodo no espectador. Esta é a essência deste tipo de trama, não é verdade?




3 respostas para “Crítica O Espelho: horror psicológico estreia”

  1. Gostaria de saber se vai ter continuação do filme, porque o final e péssimo e na minha opinião deixa espaço para um continuação.

    • Oi Dalvan,

      Não há informação alguma sobre a continuação do filme, mas especula-se. Vai depender do resultado final das bilheterias. Acredito que em algumas semanas saberemos se haverá ou não sequência.

      Abraços,

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