Crítica Rio 2: Carlos Saldanha e a arte de criar belas histórias
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Crítica Rio 2: Carlos Saldanha e a arte de criar belas histórias

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Rio 2

Animação Rio 2 dá continuidade a saga das araras azuis, agora na Amazônia. Beleza e fidelidade dão o tom à nova história

É sempre complicado falarmos de continuações, seja de filmes live action, seja de animações. Normalmente ficamos com aquela sensação de que contar novamente uma história com os mesmos personagens soa uma ação somente comercial, sem viés criativo algum. Claro que sempre há exceções, e são muitas. Rio 2, do brasileiro Carlos Saldanha, pode ser considerado uma dessas salvações.

O mais curioso é que a sequência da história de Blu e Jade poderia tranquilamente não ter sido produzida, já que o projeto original não deixou brechas para muita coisa. Rio contou uma história das mais belas, com um roteiro bem amarrado e uma conclusão que deixou todo o amante de uma boa animação feliz. No entanto, Carlos Saldanha e equipe trabalharam, e muito, para buscar alguma nova premissa que sustentasse a ideia de realizar uma sequência sem serem taxados de mercenários somente. E o resultado empolga.

A trama agora traz Blu, Jade, e seus agora três filhos, deixando o Rio de Janeiro em busca de aventuras na Amazônia, pois descobrem que lá há indícios de mais araras de sua espécie. Fora de casa, em um lugar distante de seu habitat, Blu terá que enfrentar seu maior medo (seu sogro Eduardo) enquanto procura escapar do plano de vingança de Nigel.

Em primeiro lugar, é digno de aplauso todo o trabalho criativo da equipe em retratar as paisagens brasileiras de uma forma que poucas vezes foram vistas. Logo na parte introdutória, vemos as araras partindo do Rio de Janeiro rumo a Amazônia, passando por cidades como Brasília e Salvador. Toda esta sequência, com lindas e nada estereotipadas imagens do Brasil já se configura num dos maiores êxitos de Carlos Saldanha: apresentar um Brasil mais próximo do que ele realmente é – bonito, mas com alguns problemas, como o trânsito caótico, por exemplo.

Outro destaque é a ambientação da história na Amazônia, fazendo inicialmente o título do filme soar estranho, já que somente alguns minutos de fato são passados no Rio. Mas se há outro local no Brasil rico o suficiente para dar vida à uma nova história, este lugar é a Amazônia. E a motivação é das mais críveis, o que nem era tão necessário, pois se trata de uma animação voltada para um público essencialmente infantil. Mas ainda assim é interessante perceber que os roteiristas se preocuparam em dar um tom de veracidade, fazendo a Amazônia ser o lugar que abriga o grupo de araras azuis, que todos acreditavam haver somente dois exemplares: Blu e Jade.

Fora esta parte, foi muito interessante (e divertido) ver as Blu e Jade já nos papeis de pais, e pais de três pestinhas que divertem do início ao fim. Trazer o pai de Jade para a história foi outro ponto positivo, pois se abriu a possibilidade de trabalhar todas as questões envolvendo um sogro com o genro – e no caso o genro é uma arara nerd domesticada chamada Blu – o que trouxe situações, que são bem clichês, mas bastante divertidas. Até mesmo trazer um antigo paquera de Jade para a história ficou bacana, apesar de inicialmente ter soado também bem previsível.

Os outros personagens ficaram longe de ter o mesmo destaque do filme anterior, exceto talvez Nigel (Cacatua), o vilão favorito da gurizada. Ainda assim, no âmbito geral, todos se saíram bem, mesmo os que tiveram pouquíssimas sequências. E não poderia deixar de mencionar o casal que é responsável por existir uma história de araras: Linda e Túlio voltam como uma dupla (e casal) que decidem viajar pelo país em busca de aventuras – e também de fazer o bem para a causa animal. Eles conseguem – mesmo sendo humanos – criar empatia com o público, seja nas trapalhadas, seja na cumplicidade que há na relação dos dois. Isto é realmente difícil, principalmente numa animação onde 90% dos personagens são bichos.

Carlos Saldanha fecha este segundo capítulo de Rio de forma bastante satisfatória, criando uma história interessante, coerente e acima de tudo, nova, com novos ares e uma nova premissa. Claro que ele continuou com a base de sucesso, mas provou que ao menos agora, a franquia Rio ainda não saturou. Claro que na medida em que surjam novos capítulos desta história, a possibilidade do resultado final não ser tão bom aumenta. Mas fiquemos por enquanto com aquele sentimento de felicidade, por perceber que a animação dirigida pelo brasileiro é uma das mais legais vistas em 2014 até agora.


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