Crítica Juntos e Misturados: filme família entrega o que promete | Cabine Cultural
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Crítica Juntos e Misturados: filme família

Juntos e Misturados filme

Juntos e Misturados

Adam Sandler e Drew Barrymore novamente juntos em uma comédia familiar que acerta em alguns pontos, mas também erra

Podemos garantir que por conta do enorme sucesso do ótimo Como se fosse a primeira vez, Adam Sandler e Drew Barrymore estão novamente atuando juntos. Seria até um desperdício não aproveitar a química que os dois claramente possuíam e que ficou escancarada naquela belíssima história em que o personagem de Sandler faz de um tudo para conquistar (diariamente) a personagem de Barrymore, que sofria de um tipo raro de amnésia. Em Juntos e Misturados, do diretor Frank Coraci (O Zelador Animal e Click) a história não é tão complexa, mas ainda assim possui suas peculiaridades que, no fim das contas, faz desta nova jornada dos dois uma razoável experiência.

A história gira em torno de Jim (Sandler) e Lauren (Barrymore), que, após um encontro às cegas desastroso, torcem para que nunca mais voltem a se ver. Porém, o destino prega peças e quando Jen (Wendi McLendon-Covey), a sócia de Lauren, desiste de uma viagem à África, surge à chance para que Lauren possa ir em seu lugar, com seus dois filhos, Brendan (Braxton Beckham) e Tyler (Kyle Red Silverstein). O que ela não esperava era que o namorado de Jen fosse o chefe de Jim, que também viu na desistência uma forma de viajar com suas três filhas. Resumindo, Jim e suas três filhas encontram Lauren e seus dois filhos em um hotel na África, tendo que dividir as mesmas dependências durante uma semana.

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Apesar da premissa não ser nada genial, é interessante a quantidade de detalhes e condições que fazem ao final os dois terem que viver praticamente juntos por uma semana num país exótico e tão distante. Tudo bem que cabe a nós desconsiderar as enormes coincidências e entrar na história de cabeça, essa decisão fará a experiência com o filme ser bem melhor. Não podemos desconsiderar, entretanto, a apática introdução da história, quando os dois se encontram pela primeira vez. Diálogos fúteis, bobos e pouco engraçados, buscando dar a ideia de que nenhum dos dois estava curtindo aquele encontro. Era mais que visível, não precisava levar ao extremo uma situação que poderia ser conduzida com mais sutileza e graça.

Porém, com a mudança de ares (sai Estados Unidos e entra África) a história passa a entregar mais situações de humor, além de, aos poucos, ir entrelaçando as vidas dos dois protagonistas, fazendo-os perceberem o quão parecido eles são e como eles se completam. Explico: o roteiro, obviamente, buscou jogar na história um elemento que pudesse ser o desencadeador da relação amorosa dos dois. E fez isso ao dar para Jim (um viúvo) três filhas mulheres para criar, enquanto que Lauren (mãe divorciada com pai ausente) é mãe de dois garotos. Ou seja, já estava estruturado para que um pudesse preencher as lacunas deixadas pó eles. Em uma das primeiras cenas já vimos isso de forma clara: Os dois se encontram numa farmácia, ele para comprar absorvente para a filha mais velha e ela para comprar revista pornográfica para o filho adolescente. Quando se encontram, por acaso, descobrem o óbvio, que ele não sabia nada de absorvente e ela muito menos de revistas pornográficas. Quando um decide ajudar o outro percebemos que seria esse o elemento que desencadearia, em algum momento doo filme, a história de amor deles. Dito e certo.

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Apesar de já previsível, até chegarmos ao ponto final, muitas coisas interessantes acontecem, como a transformação de um dos filhos dela (graças a ajuda de Jim) e a transformação de uma das filhas dele (graças a ajuda de Lauren). Normalmente diríamos que é clichê demais para um filme só, mas neste caso é somente a entrega, por parte da história, do que eles prometeram. Não prometeram um filme complexo com nuances atrás de nuances. Prometeram sim, uma simples e divertida comédia romântica aproveitando-se da química que os dois protagonistas possuem.

E tal como no filme anterior deles, o ponto alto de Juntos e Misturados é a relação estabelecida entre Jim e Lauren, ou mais especificamente nas atuações de Adam Sandler e Drew Barrymore. É interessante perceber que Sandler consegue sobressair-se nas atuações ao lado de Barrymore. Talvez ele exija a presença dela em todos os seus próximos filmes. Deveria. Normalmente suas atuações são absurdamente caricaturais e irritantes, mas desta vez, como em outros pouquíssimos filmes, ele consegue um maior equilíbrio entre a personalidade trapalhona e também a personalidade madura e responsável, afinal de contas ele é um pai de três crianças na história, não dá para ser um completo palhaço.

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Juntos e Misturados acerta ao desenvolver uma história bem família, para assistir com os filhos e toda a turma numa tarde qualquer. Traz bons momentos de humor, alguns caricaturais, como na corrida de avestruz, ou quando Lauren tenta voar de Asa Delta (algo similar), mas também traz sequências desnecessárias e bobas demais, com as constantes aparições do grupo de cantores/artistas que boas vindas aos hóspedes do Hotel. Uma trama simples, sem grandes destaques, exceto pelo fato de alguns anos depois um filme ter ressuscitado a boa química existente entre Adam Sandler e Drew Barrymore, no que provavelmente tenha sido a razão do filme existir.


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