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Crítica Mulheres ao Ataque: nem Cameron Diaz salva

mulheres ao ataque

Mulheres ao Ataque – Divulgação

Filme estrelado por Cameron Diaz traz ainda as belas Leslie Mann e Kate Upton. Sobra beleza, falta qualidade

A premissa de Mulheres ao Ataque, novo projeto do cineasta Nick Cassavetes, já é um tanto peculiar. Imagina só alguém lhe dizer que o filme conta a história de uma bela esposa chamada Kate (interpretada pela talentosa Leslie Mann) que acaba descobrindo que seu marido a trai. Ao confrontar a amante, Carly (Cameron Diaz) descobre que ela também foi enganada por ele. As duas então se sentem traídas. Buscam desmascará-lo, só que antes disto acontecer descobrem que ele traia as duas com uma terceira, chamada Amber (Kate Upton, um rosto lindo), que ao descobrir, também se sente enganada. A partir deste momento as três, unidas num só objetivo, bolam um plano de vingança contra o marido tarado, Mark (interpretado por Nikolaj Coster-Waldau, o eterno Jamie Lannister de Game of Thrones). O que podemos dizer de uma história dessas? Tem potencial! Pode ser uma boa comédia! São muitas as possibilidades, mas todas elas se esvaem quando assistimos ao filme.

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Não que o filme seja totalmente ruim ou constrangedor, o problema é que ele não consegue entregar um produto final condizente com o que seu potencial apresentava. Vejamos: seria muito interessante que a história realmente enveredasse pelo lado da girl power, expressão saída lá dos anos 90, com as Spice Girls. O filme podia desenvolver isto, afinal das três personagens principais, somente Carly era bem resolvida, bem sucedida e uma clara representante da mulher moderna. As outras duas eram: uma bela mulher submissa que largou tudo pelo marido (Kate) e uma linda garota que não faz nada da vida, mas que é linda de doer (Amber). Ou seja, uma estrada fértil para desenvolver estes dois personagens, mesmo claro, contando uma história de comédia, que naturalmente não exige lá muita profundidade narrativa. Mas não fizeram absolutamente nada a respeito e todas elas passam o resto do filme pensando em homens, deixando a ideia de amor próprio (defendida pelo diretor em entrevistas) em segundo plano.

Se este potencial narrativo não foi bem desenvolvido, que pelo menos acertassem na comédia. E neste quesito, Mulheres ao Ataque bate muitas vezes a bola na trave, mas definitivamente não faz nenhum gol. A primeira parte do filme, longa e com cenas desnecessárias, apresenta até bem a dinâmica da relação de Carly e Kate. As duas começam uma amizade da forma mais estranha possível, e se esta primeira parte fosse somente com elas seria muito interessante. Mas a produção teve, é claro, que chamar uma cantora de sucesso para uma ponta (Nicki Minaj, em atuação indiferente) e também um personagem masculino, pra ser o futuro par romântico de Carly, porque pra ser feliz tem que estar com alguém, né?

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Nick Cassavetes, que já dirigiu os ótimos Uma Prova de Amor, 2009, Alpha Dog, 2006 e Diário de uma Paixão, 2004, desta vez trabalha no piloto automático, com preguiça de tentar qualquer coisa que saia do padrão e do clichê. Até mesmo as piadas e cenas que funcionam, funcionam muito mais por conta do talento de Leslie Mann, a mais talentosa das três atrizes. Cameron Diaz, que continua linda e quando quer atua de modo competente, desta vez só oferece o que já ofereceu em dezenas de outros filmes: a sua beleza inserida numa personagem genérica com ares de papelão.

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Já Kate Upton é um caso à parte. Ela, com seu corpo invejável e sua beleza que atrai dez em cada dez rapazes, serve como chamariz para os homens também assistirem ao filme. E de fato, é bastante agradável vê-la de biquíni, andando para lá e para cá, correndo… nem precisava atuar. E de fato, ela não atuou, até porque para isso é necessário estudar ou possuir algum talento nato para a arte dramática, o que ela ainda não possui (em ambos os casos).

Mulheres ao Ataque é um entretenimento bem raso. Diverte por alguns momentos e é um bom material de auto ajuda para mulheres que se encontram nesta situação: sair das lamentações e ir para o ataque, afinal de contas, mulher alguma merece chorar – de tristeza – por qualquer ser da espécie masculina. Neste sentido, o filme até acerta, não com louvor, mas acerta. É, em suma, mas um dos típicos filmes para se assistir numa tarde destas, sem compromisso algum, só com o objetivo de dar algumas risadas e ver o tempo passar. Isto também é cinema.


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