Crítica Guardiões da Galáxia: maravilhoso é pouco | Cabine Cultural
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Crítica Guardiões da Galáxia: maravilhoso é pouco

Guardiões da Galáxia crítica

Guardiões da Galáxia

Blockbuster da Marvel conta com elenco grandioso, rica mitologia e personagens cativantes; só poderia sair um filmaço disto tudo

Por Luis Fernando Pereira

Os fãs das HQs da Marvel Comics já sabiam há tempos o que o resto do mundo esperou anos para comprovar: Guardiões da Galáxia é uma maravilha de história e já pode se juntar ao seleto grupo de filmes de super-heróis bem sucedidos na indústria do cinema. A fórmula utilizada é a mesma dos outros míticos projetos: personagens bem construídos, atores talentosos e carismáticos, equilíbrio entre drama, ação e humor, roteiro grandioso, que dá brechas interessantes para sequências, identidade visual própria e uma rica mitologia que vem de berço. Assim fica bem fácil gostar de tudo que vemos na telona, incluindo ai um poderoso trabalho de 3D, que agrega bastante à experiência cinematográfica. O espectador mais exigente sabe muito bem o quão difícil é encontrar a tecnologia 3D sendo bem usada por cineastas, então quando encontramos um (Avatar, Hugo…) temos que comemorar bastante.

Guardiões da Galáxia, de James Gunn (do ótimo Seres Rastejantes), conta a história de Peter Quill, terráqueo interpretado pelo astro em ascensão Chris Pratt (de Parks and Recreation); ele é um saqueador do espaço que busca a todo custo encontrar, pegar e vender um poderoso objeto chamado orb. O objeto em questão, entretanto, é desejado por muitos grupos espaço afora, então quando Quill se apodera do esférico objeto, é imediatamente perseguido, e será desta perseguição que conheceremos quase que todos os principais nomes da trama: Gamora (a linda, mesmo verde, Zoe Saldana), Groot, uma árvore humanoide (dublado originalmente por Vin Diesel) e Rocket, um caçador de recompensas guaxinim falante geneticamente modificado (dublado pelo badalado Bradley Cooper). Eles são presos e é justamente na prisão que a vida dos quatro, mais Drax, um musculoso prisioneiro e cabeça dura que busca vingança (Dave Bautista), entram na mesma rota. Alí, naquela sequência explosiva que resulta na grandiosa fuga deles, o espectador presencia o nascimento oficioso dos Guardiões da Galáxia.

Pensando nos elementos que fazem do filme uma prazerosa experiência, temos logo de imediato que mencionar o equilíbrio de drama, humor e ação que a narrativa proporciona ao público. A história já se inicia com uma sequência dramática bem construída, quando nos deparamos com a mãe do então garotinho Peter Quill no seu leito de morte, só esperando despedir-se do filho para morrer. Ela pede para ele segurar sua mão, como uma última interação, mas ele não consegue, não tem forças (guarde esta cena, sua simbologia será utilizada em momento crucial da história). Com o andar da história, entretanto, o ar cômico, diria até farofeiro, passa a preencher a atmosfera de Guardiões da Galáxia, e neste sentido o filme acaba divertindo mais que muitas comédias lançadas este ano. A interação dos cinco, as piadas sarcásticas e as referências nonsense (Kevin Bacon, extraordinário) conseguem tirar sorrisos até mesmo dos seres mais mal-humorados. E por fim as sequências de ação e de aventura, que enchem à tela na maior parte do tempo, e que são produzidas com a competência Marvel, ou seja, beirando a perfeição. É neste instante que mencionar o uso do 3D se torna obrigatório, pois ele consegue ampliar a sensação que temos de fazer parte do filme.

Outro destaque é o grandioso e talentoso elenco. Chris Pratt, Zoe Saldana e Dave Bautista, junto com Vin Diesel e Bradley Cooper conseguiram criar uma dinâmica digna de aplausos. O quinteto, principal elemento do projeto, teria que estar próximo da perfeição para que a história vingasse como saga. E eles conseguiram, até foram além, e rapidamente caíram nas graças do espectador. É fato que para o sucesso de uma história é mais que necessário que nós nos importemos com os personagens, e em Guardiões da Galáxia este sentimento de empatia acontece com todos eles. As participações de Benicio Del Toro e Glen Close são pequenas, mas é sempre bom vê-los em ação. Lee Pace é outro que brilha mesmo sem mostrar direito o rosto. De bônus ainda vemos a aparição surpresa (não tão surpresa) de Stan Lee.

Chris Pratt

Chris Pratt em Guardiões da Galáxia

A trilha sonora é outro motivo que faz o filme ser especial, trazendo desde a icônica Cherry Bomb, da The Runaways, até aquele desfecho genial com Ain’t No Mountain High Enough, de Marvin Gaye/Tammi Terrell, passando por Michael Jackson, David Bowie e as referências à Footloose, um dos maiores clássicos dos anos 1980, e que tem na sua trilha sonora o grande destaque (uma das cenas finais, bem no ápice do filme, tem Footloose como grande homenageado).

Unindo um roteiro criativo, atuações inspiradas, uma direção competente, trilha sonora pra cima, uma visual único, tecnologia de ponta e uma atmosfera épica, Guardiões da Galáxia entra pela porta da frente no seleto grupo de filmes que se tornarão rapidamente referência cinematográfica no gênero, tal como Os Vingadores, Super Man, Homem Aranha, Homem de Ferro

Uma excitante experiência cinematográfica.







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