Crítica: As Tartarugas ninja, mas com ares de Transformers
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As Tartarugas ninja, mas com ares de Transformers

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As Tartarugas Ninja

As Tartarugas Ninja

Filme produzido por Michael Bay aposta na ação e nos efeitos especiais para recontar a história das engraçadas tartarugas mutantes

Se você é um jovem rapaz, na casa dos 30 anos, que passou a infância assistindo os desenhos mais que engraçados das tartarugas ninja, e acredita que ao ver o recém-lançado filme dos mesmos, virá à tona todo aquele sentimento de nostalgia, tire o cavalinho da chuva, pois As Tartarugas Ninja de Jonathan Liebesman (o diretor), não está nem ai pra vocês; o projeto visa fisgar, sobretudo os fãs do modo Michael Bay de fazer filme, eternizado pela franquia Transformers.

Por isso o tom bem humorado, quase de comédia que eram os desenhos, dá lugar a uma história recheada de ação, efeitos especiais e com um clima grandioso e apocalíptico comuns aos filmes do referido cineasta. Também se encontra presente a superficialidade do roteiro, que sempre busca saídas fáceis e inverossímeis para os desfechos das tramas e subtramas. E olha que o nível de exigência nem precisa ser grande; o roteiro é falho mesmo pra alguém que curte filmes desta linhagem.

Mas não podemos dizer aqui que o filme é uma decepção, ou horroroso, porque definitivamente não é. As Tartarugas Ninja possui uma série de bons elementos que fazem a ida ao cinema ser até agradável. A tentativa de criar uma história redonda sobre a criação das tartarugas mutantes e sua relação estreita – desde o início – com a repórter April O’Neil, interpretada por uma linda Megan Fox foi bem sucedida, pois de fato existe uma razão para as tartarugas existirem. O modo como é explicado a questão dos nomes das tartarugas, todos com referência ao período renascentista (Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donatello, e liderados pelo Mestre Splinter), é bem interessante.

E se estamos falando que o filme tem foco central nas cenas de ação, ao menos as tais (são inúmeras) cenas são bem produzidas, deixando sempre o espectador de olhos vidrados na tela. Uma das últimas sequências, que acontece em meio à neve e tendo um caminhão sendo perseguido, é de arrasar quarteirão. Todas as explosões e lutas agradam, então se você é um fascinado por filmes que exploram brigas, lutas épicas, perseguições e explosões, as chances de sair satisfeito de uma sessão do filme são enormes.

Megan Fox também é um ponto forte tanto do filme quanto da franquia (teremos continuações nos próximos anos). Ela se esforça bastante para dar alguma personalidade a sua personagem, uma repórter que só consegue pautas bobas, mas que, como qualquer bom jornalista, sonha em fazer matérias e contar histórias relevantes e que possam mudar a vida das pessoas. Até certo ponto ela consegue, e se não vai mais além, é porque o roteiro não exige. Will Arnet (que vive o colega de April, Vernon) e Whoopi Goldberg (a chefe de redação) não comprometem, mas estão longe de brilharem.

Agora, voltando um pouco para a cena na neve, ela consegue mostrar o que As Tartarugas Ninja possui de melhor (a ação e os efeitos especiais), mas também consegue a proeza de apresentar o que de mais fraco o filme possui: a verossimilhança de seu roteiro. É bastante surreal acreditar que aquela cena, com o Vernon, um simples jornalista, que de uma hora para outra consegue dirigir um caminhão pela neve ladeira abaixo e sendo perseguido, levando tiros… enfim, acreditar que esta cena possa ser possível é jogar no lixo toda a ideia de verossimilhança, tão fundamental ao cinema. Ao menos mostrasse suas habilidades em algum momento anterior, assim seria menos difícil de engolir. E o que falar da sequência final, quando, após a derradeira luta contra o vilão do filme (Destruidor) eles caem do alto de um prédio? Todos eles já se despedindo, pois sabem que uma queda daquela altura ao menos traria sequelas físicas… mas eis que o roteiro, com preguiça de desenvolver alguma coisa interessante, simplesmente faz com que algo amorteça a queda e eles, junto com April, não arranjem um arranhão sequer.

As Tartarugas Ninja, no fim das contas, é aquele filme pipoca que você pode assistir tranquilo. Não é vergonhoso, não necessita de muita capacidade de entendimento e oferece o que de melhor Michael Bay sabe fazer: cenas de lutas, brigas e explosões. Obviamente você irá esquecer-se dele assim que a sessão acabar, pois filmes assim são criados para serem esquecidos rapidamente.


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