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Candidatos ao Governo da Bahia expõem suas ideias sobre cultura

Debate sobre cultura na ALB

Em série especial sobre as eleições pelo Brasil, mostramos quais são as principais propostas dos candidatos ao Governo da Bahia na área da cultura

É interessante perceber que a Bahia, mesmo sendo um Estado conhecido internacionalmente por conta de sua cultura, não consegue desenvolver um projeto minimamente ambicioso para a área. Deve-se mencionar, obviamente, que este não é um defeito peculiar do estado baiano, mas sim uma política padrão visto por todos os cantos no Brasil; a cultura dificilmente será uma pasta com valor semelhante à saúde, economia ou transporte (e olha que estas já são bastante subvalorizadas). Mas sempre que se inicia um processo eleitoral a sociedade busca esperançosamente por novos projetos, novas ideias e talvez novas concepções de cultura.

E sobre o tema, os candidatos ao Governo da Bahia (Lídice da Mata, Paulo Souto, Rui Costa, Rogério Tadeu da Luz, Marcos Mendes e Renata Mallet) falaram em recente sabatina realizada pela Academia de Letras da Bahia. O resultado, um pouco animador, mostra que ao menos eles possuem fios condutores definidos para o tema.

Lídice
Lídice da Mata, por exemplo, tornou clara sua proposta de reajustar o orçamento destinado à cultura, que hoje é de 0,6%, para 1,5%. Resta saber qual o impacto que um aumento destes terá para os cofres públicos. Outra ideia bem interessante defendida pela candidata é a que promete trazer de volta a gestão do IRDEB (Instituto de Rádio Difusão do Estado da Bahia) para a pasta da Secretaria de Cultura. O Governo atual acabou alocando o órgão na Secretaria de Comunicação, o que trouxe muitos questionamentos da classe artística. Por fim, a candidata do PSD propôs a criação da Cidade da Música Dorival Caymmi no local que hoje abriga o Parque de Exposições, em Salvador. Seria uma espécie de arena para grandes shows, talvez nos mesmos moldes da atual gestão da arena multiuso da Fonte Nova.

Mendes
O candidato Marcos Mendes foi mais ambicioso na questão orçamentária e defendeu um orçamento de 2% para a área cultural. Mais uma vez, é interessante saber de onde viria essa verba adicional que de fato poderia dar um salto de qualidade na área cultural do Estado. O candidato do PSOL chamou a atenção para o trabalho dos artistas de rua, defendendo que todos tenham garantias trabalhistas. A Bahia certamente é um dos estados com maior número de artistas de rua e são poucos os projetos que buscam de alguma forma melhorar a qualidade de vida deles. O candidato também usou sua fala para afirmar que o processo cultural está elitizado, destinado aos ricos, o que claramente requer maiores explicações.

Souto
O candidato democrata Paulo Souto, do partido DEM foi outro que bateu nas teclas do rejuste orçamentário e da volta do IRDEB à Secretaria da Cultura, assuntos que quase foram consenso entre eles. Ele afirmou ser importante o financiamento público aos processos culturais, nesse que é um dos temas mais emblemáticos de qualquer gestão governamental na área: até que ponto o Estado deve intervir no processo cultural? Qual o seu papel e qual o papel da iniciativa privada? Um tema que merece mais tempo para debate. Outro ponto interessante do candidato foi quando ele destacou suas pretensões de investimentos em segurança e recuperação dos estacionamentos do Centro Histórico de Salvador, deixando bem claro que o Centro Histórico terá um papel estratégico na sua política cultural.

Renata
A candidata do PSTU, Renata Mallet, afirmou ser descabida a lógica que atrela a cultura com o turismo e o comércio. Este posicionamento se contrapõe a estrutura cultural da prefeitura de Salvador, liderada pelo democrata ACM Neto, que juntou as pastas da cultura e do turismo em uma só – fundindo assim as duas áreas que possuem suas claras peculiaridades. Ela defendeu a destinação de 1,5% do orçamento estadual para o setor cultural e foi além, prometendo, caso seja eleita, criar um fundo de cultura com verba saída da tributação de empresas.

Da Luz
Rogério Tadeu da Luz, candidato do PRTB disse que o Estado enfrenta um grave problema de gestão e deixou claro que a sua formação administrativa ajudará na resolução dos problemas. Ele também defendeu a transformação do Palácio de Ondina em um museu como medida de fortalecimento cultural e, numa fala que merece mais atenção, se disse favorável à unificação das pastas da Educação e da Cultura. Sabemos que há a necessidade de se enxugar a estrutura administrativa de um governo, composta atualmente por dezenas e dezenas de pastas; também sabemos que pouco importa a nomenclatura, se é turismo e cultura, educação e cultura… o que importa é realizar um bom trabalho, mas fica o questionamento: juntar duas áreas de importância estratégica é um bom caminho a ser seguido? Requer maiores esclarecimentos.

Costa
Rui Costa, candidato do PT, do atual Governador Jaques Wagner, defendeu a ideia de transversalidade das ações da área da cultura. O petista prometeu criar circuitos culturais para garantir a circulação das manifestações artísticas por regiões do estado. Resta saber como esta proposta dialoga com o atual projeto de circulação das atividades culturais pelo estado, promovida pela gestão Jaques Wagner. Ele se propôs analisar a volta do IRDEB à Secretaria de Cultura, mostrando que a ação do atual Governo não obteve consenso entre a sua própria base partidária. O candidato petista garantiu também a construção de centros de cultura nos territórios de identidade.

Enfim, é perceptível que todos os candidatos possuem ideias próprias para a construção de uma política cultural, ideias que vão do atrelamento da cultura com a educação, do aumento do orçamento para a área, da criação de fundos para financiar ações e até a criação de projetos como a criação da Cidade da Música Dorival Caymmi. Ainda é cedo para o eleitor analisar as propostas dos candidatos na área, até mesmo porque vários destes temas e falas proferidos no evento promovido pela ALB merecem muito mais tempo para debate.

Entraremos em contato com os candidatos para solicitar um maior aprofundamento sobre tais assuntos e futuramente iremos publicar o resultado destas conversas.

Também gostaríamos de ouvir as propostas dos candidatos para áreas especificas da Secretaria de Cultura, tais como o cinema, o teatro, a literatura, dentre outras. Elas carecem de atenções específicas e seria ao menos aconselhável que os candidatos possuam algumas ações já definidas, ou pelo menos projetadas.