Aila Menezes canta Alcione – um show digno de ser chamado de ÓTIMO!
Música Notícias

Aila Menezes canta Alcione – um show digno de ser chamado de ÓTIMO!

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Fotografia Natally Andressa

Acho que foi por volta de 2002, 2003, não lembro com exatidão o ano. Mas lembro, perfeitamente bem, do meu colega professor (ensinávamos numa escola de ensino médio de Salvador) entrando na sala dos professores, após ter dado duas aulas seguidas numa turma de primeiro ano. Ele estava bastante exaltado e com ares de incredulidade, dizendo ser, a turma do primeiro ano, uma turma impossível de dar aulas, afirmando, ainda, que Aila, uma das alunas desta tal terrível turma, era a líder da sala, uma menina muito espótica, ainda segundo as palavras do meu nobre colega.

Recordo-me de ter dito a ele que aquela turma de primeiro ano era uma das turmas que mais produzia, na disciplina que eu dava aula: Língua Portuguesa – Gramática e Literatura -, inclusive, senti, naquele momento, a necessidade de afirmar – e afirmei – que não considerava Aila uma menina espótica. Uma menina de muita personalidade, sim! Mas, espótica, de forma alguma! E, para finalizar o mal iniciado diálogo, conclui dizendo o quanto eu admirava pessoas de personalidade.

Bem… O colega numa mais conversou comigo sobre aquela turma de primeiro ano, ou sobre qualquer outra turma, muito menos expressou suas opiniões, para mim, a respeito dos seus (e também meus) alunos.

E eu continuei, até 2004, ensinando neste colégio da rede particular, e fui, por dois anos consecutivos, professor de Aila Menezes. E, contrariando meu colega professor, citado acima, eu agradeceria se, pelo menos, metade dos alunos que já foram ensinados por mim (e olha que ensino desde os 18 anos) tivesse um pouco – só um pouco – desta maravilhosa personalidade que Aila tinha e, como venho percebendo, através da sua carreira artística, continua a ter.

Passaram-se alguns anos e, numa tarde, enquanto eu estava na praça de alimentação de um shopping center, encontro Aila e Verônica Menezes, sua mãe e, felicíssimo por rever uma aluna por quem eu nutria uma grande admirarão, perguntei o que ela estava fazendo da vida – pergunta que todo professor faz ao rever algum aluno. E ela afirma para mim que estava cantando. Que estava investindo numa carreira artística.

Fiquei surpreso – não chocado – pois eu era até um professor próximo a Aila, mas não sabia – ou não imaginava – que ela seria, um dia, uma cantora. Uma atriz, sim! Com certeza! Ainda lembro, com clareza, das muito boas performances de Aila nas minhas aulas e em eventos escolares, como as chamadas Feira das Ciências, das Nações e afins… Mas, cantora, não imaginava.

Aila Menezes – Reprodução Facebook

E hoje, 13 de setembro de 2014 (este texto foi escrito na noite de sábado, dia 13, para domingo), após ter assistido o show Aila Menezes canta Alcione, estou aqui escrevendo sobre essa menina, que já é uma mulher, e constato o óbvio: Aila Menezes já pode ser, acertadamente, considerada como uma das melhores cantoras dessa nova geração de artistas que produzem música, na Bahia.

No show, ela canta um repertório quase cem por cento composto por músicas que ficaram conhecidas na voz da cantora Alcione, a qual Aila deixa evidente, em vários momentos do show, não só a sua admiração pela Marron, mas o quanto Alcione serviu – serve – de referência para a sua carreira, enquanto compositora e interprete.

Em quase duas horas de show, um repertório para ninguém colocar defeito (ok! Podia ter Gostoso Veneno). De Sufoco e O Meu Amor (música de Chico Buarque) às já clássicas Nem Morta, Estranha Loucura e A Loba, música, inclusive, que Aila cantou na última edição do programa de televisão The Voice Brazil.

Aliás, ao ouvir Aila Menezes cantando, mantendo o domínio vocal – e artístico – durante absolutamente todas as vinte músicas cantadas, é de se questionar o porquê de ela não ter ido além, no citado programa. Ela merecia – e deveria – ter ido muito além. Porém, após assisti-la, hoje à noite, sinto-me seguro em afirmar que o The Voice já faz, literalmente, parte do passado desta cantora. Foi, logicamente, importante para Aila, principalmente quando pensamos em projeção nacional, mas, de fato, já passou e, o que é ainda melhor, através de apresentações como essa, fica claro para mim e, creio, categoricamente, que também fica claro para todo o público, que Aila Menezes ainda tem, sim, uma longa caminhada pela frente, entretanto, com uma grande vantagem: a cada trabalho, a cada composição feita em parceria ou não e, a cada show, percebemos que já temos, ali, uma artista que entende, perfeitamente bem, o que está fazendo e o que ainda pretende fazer. Aila canta bem, tem carisma, é uma pessoa educada, e educada com o seu público, e já demonstra ter domínio de palco.

Aila canta Alcione foi dirigido pela própria Aila Menezes. Ou seja: toda a direção artística, roteiro do espetáculo e produção da cenografia foram idealizados e concretizados por ela. O cenário, inclusive, merece comentários à parte.

Com uma predominância do vermelho – a cor da paixão, talvez a cor do amor: praticamente todas as músicas de Alcione falam de paixão, de amor – tem-se, no palco, uma tentativa – bem sucedida – de reproduzir espaços íntimos da casa em que Aila não só foi criada, como também, segundo a mesma, teve, ali, o início das suas referências musicais. Há objetos que remetem o público espectador do show não só à infância da cantora, como também a momentos da vida adulta dela. Como exemplos, os vários leques que estão presentes nos pontos mais centralizados do cenário, assim como um espelho que, a todo momento, reflete a cantora, estando ela de frente para ele, ou não.

Num texto sobre Aila canta Alcione não se pode deixar de citar a maturidade não só das melodias, como também das letras das músicas compostas por Aila e Mikael Mutti e, ainda, das músicas compostas por Aila, sem parceiros. A Luz do Cabaré – composta em parceria – é perfeita e ganha com a participação do púbico, que pareceu amar essa música. Porém, meu destaque vai para a poesia de E a Sorte (que letra!) e para a ótima Coração de Pedra, a qual Aila diz – e com toda razão – que é uma música que tem a cara de Alcione.

Inclusive, Aila informa que deixou, nas mãos de Alcione, numa determinada ocasião, um pen drive com várias canções compostas por ela, sozinha, e outras compostas por ela e Mutti, na esperança de que a Marron goste de alguma dessas músicas e possa, consequentemente, grava-la, ou grava-las.

Ao entrar no teatro, cada espectador recebeu um cd promocional autografado por Aila. Neste cd, onze músicas originalmente interpretadas por Alcione, sendo, agora, interpretadas por Aila. Quase no término do show, Aila pede que todos nós escutássemos exaustivamente o cd, como se “Já não houvesse amanhã”- palavras dela.

Aila Menezes – Reprodução Facebook

Aila, já entrei no carro, após o show, pondo o seu cd para tocar. Sai do seu show e fui direto a uma locação, ajudar um amigo meu na direção de um curta que tinha uma sequencia noturna, a ser gravada. Voltei para casa, após a gravação, com Faz Uma Loucura Por Mim e A Loba brigando entre si, para ver quem mais era repetida, até eu chegar em casa! E te garanto: já estou ouvindo-o muito, não só por ter sido um pedido seu, mas também porque, estar diante de um cd seu, é garantia de uma música boa e agradável, de uma instrumentação coesa e, principalmente, é uma garantia de ouvir uma voz muito boa, voz esta que conseguiu dar, em todas as canções – do cd e do show – uma personalidade raramente vista nestas jovens cantoras brasileiras.

Finalizo te dando meus sinceros parabéns. Fiquei emocionado e orgulhoso em te ver no palco. Somos artistas: você, cantora; eu, cineasta. E, como todo artista, o que de fato queremos é saber que o nosso trabalho está sendo visto, sendo aplaudido, sendo bem ou mal comentado, algo que, de uma certa forma, não importa muito pois, o pior para todo artista, é o não ser comentado: a indiferença.

Seu trabalho, minha querida, não tem a indiferença do público. Nesse primeiro desafio, você já foi aprovada, e aprovada com louvor!

Peço para que você continue essa menina linda, alto astral, esperançosa, sempre certa de o que futuro vai ser, a cada dia, melhor. E nunca deixe de sorrir e dar essa sua gargalhada (essa gargalhada que, provavelmente, incomodava o tal professor), essa gargalhada a qual eu já conheço desde o inicio lá dos anos 2000 e posso afirmar que ela, a gargalhada, é uma bela e honesta marca sua.

A Alcione, um recado: você precisa – deve! – assistir o show Aila canta Alcione e ver o quanto a sua longa e bela trajetória artística está sendo respeitada e homenageada por esta grande cantora baiana, que é Aila Menezes!

Minha querida Aila, um abraço e um grande beijo em você. E obrigado pelo seu belo show!

Mauricio Amorim é Professor de Produção e Direção para TV e Vídeo, Edição, Roteiro, Linguística e Produção Textual da Universidade do Estado da Bahia, Especialista em Linguagens e Mídias Audiovisuais, Cineasta e Colunista do Cabine Cultural.


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

2 Comments

Deixe uma resposta