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Crítica A Bela e a Fera: nova versão do clássico renova bem a história | Cabine Cultural
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Crítica A Bela e a Fera: nova versão do clássico renova bem a história

A Bela e a Fera

A Bela e a Fera

Super produção europeia traz como protagonistas Léa Seydoux (Azul é a cor mais quente) e o astro francês Vincent Cassel

Quando lemos a notícia que um clássico como A Bela e a Fera esta prestes a ganhar mais uma adaptação cinematográfica, a reação imediata que temos é a de questionar a real necessidade de tal propósito. Muitas versões são somente produtos caça níqueis e outras acabam entregando algo infinitamente inferior ao produto original. Porém há casos em que a nova roupagem, mesmo não sendo nada fantástica, acaba contribuindo para que o mito em torno d história continue crescente. É este o caso de A Bela e a Fera, produção francesa com direção do cineasta Christophe Gans, que estreou nos cinemas do Brasil nesta semana.

Na história, ambientada em 1810, acompanhamos o naufrágio do navio de um comerciante (André Dussollier). Ele, por conta disto, arruína-se economicamente e assim muda-se para o campo com seus seis filhos, três rapazes e três moças. Apenas a filha mais nova, Bela (a talentosa Léa Seydoux, de Azul é a cor mais quente) uma menina bondosa, simples e alegre, fica entusiasmada com a vida no campo. Quando o pai de Bela está próximo de recuperar seus pertences, o destino lhe prega novas peças; primeiro quando descobre que não terá sua carga de volta, e depois, quando, ao arrancar uma rosa para a filha de um jardim encantado, ele é condenado à morte pelo proprietário do castelo, um assustador e temível monstro (Vincent Cassel). Bela, com medo de perder o pai, se prontifica a substituí-lo, indo ao castelo da Fera para pagar sua dívida. Assim nasce uma das relações mais fantásticas da história da literatura mundial.

A história contada por Christophe Gans possui uma atmosfera um tanto sombria, que é bastante ajudada pela fotografia, fria e enegrecida, e pela direção de arte, que cria uma cidade típica do século XIX, bem suja e com ares de caos urbano. Este universo inicial serve para contextualizar a vida da família de Bela e todos os problemas por que ela passa: um dos filhos homens deve dinheiro para um temível ladrão e o pai, arruinado financeiramente, ainda precisa atender aos caprichos da esposa e de uma das filhas, que não aceitam a pobreza e a vida simples.

Essa adaptação específica é baseada no livro Beauty and the Beast originalmente escrito por Gabrielle-Suzanne Barbot, Dama de Villeneuve, em 1740. A obra, entretanto, se tornou mais conhecida quando lançada outra versão, em 1756, por Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, que resumiu e modificou pontos da obra de Villeneuve.

A Bela e a Fera

A Bela e a Fera

Um dos grandes destaques da nova adaptação de A Bela e a Fera acaba sendo o visual, um dos mais bonitos do cinema em 2014. O figurino é algo de extrema beleza. Os efeitos especiais seguem este mesmo nível de qualidade e impressionam pela plasticidade (as sequências de ação com os gigantes são ótimas) e pelos efeitos sonoros, alguns que chegam a assustar, de tão estridentes.

Léa Seydoux como Bela se mostrou uma escolha acertada, já que somente a sua expressão facial já consegue passar toda a ideia de bondade e inocência que a personagem possui. Os diálogos, sua falas e suas escolhas contrastam bastante com o resto de sua família, deixando bem claro para o espectador que Bela é realmente uma figura ímpar e sem igual na história.

Já Vincent Cassel não apresenta nada de memorável, ficando sempre no automático. A história da Fera é uma das mais tristes da literatura, e no filme busca acentuar ainda mais esta perspectiva de tragédia; porém a atuação de Cassel acaba não entregando um personagem realmente sofrido e angustiado. E muito por conta disto que a dupla Bela e Fera juntos tenha deixado um pouco a desejar.

O roteiro do filme, a cargo também de Christophe Gans, é bem sucedido ao trabalhar bem as duas principais histórias do conto: a primeira com Bela já enclausurada no castelo e todo o desenvolvimento de sua relação amorosa com a Fera; e a segunda explicando a trágica história do príncipe que se transformou na Fera. Esta segunda parte é toda observada por Bela, que assim acaba conhecendo por completo o triste mundo do temível personagem.

A Bela e a Fera

A Bela e a Fera

A Bela e a Fera é uma interessante opção pra revisitar uma das obras mais famosas da história. Com um trabalho artístico digno de aplausos, o filme traz uma perspectiva um tanto sombria que vai agradar em cheio quem gosta de filmes menos coloridos. O desfecho obviamente é feliz, não fazê-lo desta forma seria uma subversão ousada demais do clássico. Um belo filme e uma bela história.



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