Crítica: terceiro episódio de Dupla Identidade
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Crítica: terceiro episódio de Dupla Identidade

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Dupla Identidade

Com três capítulos exibidos, série mostra seus altos e baixos; muitas qualidades e alguns defeitos

Dupla Identidade chega ao seu terceiro episódio mostrando que a trama principal tem um norte definido e por enquanto bem executado; porém a série vem prosseguindo com os mesmos erros narrativos dos dois capítulos iniciais. Esta oscilação de qualidade ainda não conseguiu deixar a série chata, mas é preciso que o roteiro produza algumas melhoras, pois a trama definitivamente merece.

Com relação ao objeto principal da história, que é a vida e obra do serial killer Edu (Bruno Gagliasso), a trama mostra que sabe muito bem aonde quer chegar. E grande parte das cartas já foi colocada na mesa. O gancho deixado no final do episódio passado, onde Edu seria confrontado com o marido de sua última vítima, que estava prestes a reconhecê-lo (ou não), teve um desfecho rápido e, como já era previsto, não acarretou em nenhum problema para o serial killer. Desta primeira sequência já tiramos uma primeira tendência da história daqui para frente: Edu estará sempre próximo de ser descoberto, mas no soar do gongo ele irá se safar, deixando somente para o fim a descoberta policial de que ele é o grande vilão da história.

Já no meio do episódio, vimos outra cena com importância acentuada para o personagem. Ele está na casa de sua já namorada Ray (Débora Falabella) e em meio a beijos e outras carícias surge perguntas por parte dela sobre a vida de Edu, sobretudo sobre sua família. Ele praticamente congela, e depois começa a chorar, dizendo para ela que este assunto desperta muitas emoções nele. Não dá para saber ainda se sua fala é verdadeira, mas pensando na possibilidade (o mais provável) de ser, fica outro foco do roteiro para os próximos episódios: conheceremos pouco a pouco a sua história familiar, e provavelmente nela está a grande (ou uma das grandes) respostas para a pergunta: por que Edu se transformou em um serial killer?

E já na cena final, quando Edu assiste pela televisão a coletiva de imprensa onde o delegado Dias (Marcello Novaes) e Vera informam os jornalistas da prisão de um suspeito, a câmera busca um close no olhar de Edu e logo depois um close em Vera, como se os dois estivessem se encarando. Neste momento percebe-se que o roteiro começou a trabalhar no que tende a ser o momento mais esperado de toda a série: o confronto entre Vera e Edu. Somente Vera o entende, e quando Edu perceber este fato, ele irá reservar toda a sua atenção para ela.

Encontro de Edu e Vera

E este embate promete muito, principalmente pelo talento que Bruno Gagliasso vem mostrando no desenvolvimento de seu personagem. A cada capítulo ele adiciona alguma nova camada de profundidade, seja numa fala, seja somente em uma expressão facial. Bruno vem sendo até aqui o grande destaque da série.

Já Luana Piovani vem sendo prejudicada por conta de uma escolha do roteiro em fazer de sua personagem, Vera, um peixe fora d’água na equipe de investigação policial. Para que sua personagem cresça na história é importante que ela tenha alguém com o seu mesmo nível de inteligência para dialogar sobre o universo dos assassinos em série. Enquanto isso não acontecer veremos ela tal como uma professora do primário, tendo que explicar nos mínimos detalhes como funciona a mente de um serial killer. E ainda assim, sendo por vezes ridicularizada pelo resto da equipe policial, que mais parecem umas crianças abobalhadas. Por conta disto, é esperado que sua personagem cresça bastante quando ela passar a dialogar mais com Edu, o que provavelmente acontecerá já a partir do quarto episódio.

No mais, temos o mesmo: o arco político continua desinteressante e a personagem de Débora Falabella continua rindo à toa. Incrível. A trilha sonora e a fotografia continuam sendo destaques da série.

Dupla Identidade continua sendo um dos mais interessantes lançamentos da Rede Globo em 2014. A série de Glória Perez vem acertando na temática e dando tiros certeiros na construção de seu personagem mais importante. Porém ainda há incômodos, como, por exemplo, os diálogos ridículos que imperam no núcleo policial, e a falta de alguém que complemente o raciocínio de Vera, pois se prosseguir assim continuaremos a ver Luana Piovani tal como uma professorinha da quarta série tentando educar crianças com capacidade limitada de conhecimento. A série não merece isso.


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5 Comments

  • Não existem respostas para a maldade de Edu. Nenhum drama, por maior que fosse, seria capaz de mudar a vida de uma pessoa, ao ponto de transformá-la não só em assassino, mas também em um caçador contumaz. Este é outro ponto positivo da série, algo que não é recorrente em outras obras do gênero ou até mesmo em documentários, onde, depois de ser mostrada toda a trajetória de um serial killer, entram em cena psicólogos com um levante da vida pregressa do assassino, a apontar caminhos ou deixar perguntas no ar. E essas perguntas, lançadas no ar, por lá ficam, porque, infelizmente, para elas, não existem respostas. Aliás, até existem: eles matam porque querem, porque podem e porque gostam.

  • luana esta horrivel, uma atuaçao pessima, robotica e cheia de frase de efeito da personagem, uma pena. o mais bem preparado dos atores para esse tipo de formato televisivo e Bruno gagliasso. precisa melhorar e muito o resto do elenco e o roteiro tambem, que parece que em alguns momentos nao quer evoluir. uma pena, tem potencial, mas essa mania que a rede globo tem de manter um roteirista isolado pra escrever suas tramas, esta se confirmando um erro

  • A personagem de Débora,é borderline…acho que ta faltando um pouco mais de expressão da parte dela,os borders são intensos em tudo(daí o fato dela ficar rindo atoa sempre por estar se sentindo feliz). Mas acho que falta uma pontinha a mais de algo pra que ficasse mais claro que ela também é problemática. Talvez isso melhore nos próximos episódios.

  • Seu comentario sobre Luana parecer uma professorinha de quarta serie e ridiculo, pq alunos desta serie sao super questionadores e sabem sobre td.essa sua visao deve ser da sua escola

    • Daniella,

      A analogia não serve apenas para a quarta série, mas para todo o ensino médio também. O que disse é que existe uma hierarquia de conhecimento, que no caso de Dupla Identidade, se mostra problemática. Não há problema algum nesta afirmação, até porque ela é feita muito mais como elemento de analogia do que como resultado de alguma pesquisa acadêmica ou da minha experiência pessoal.

      Abraços,

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