Crítica Dupla Identidade quarto episódio: chegou a hora de aprofundar as histórias
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Crítica Dupla Identidade quarto episódio: chegou a hora de aprofundar as histórias

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Dupla Identidade – Vera e Dias

Quarto episódio da série enfim conta o passado de Dias e Vera; episódio melhora na dramaturgia e começa a preencher lacunas

Dupla Identidade apresentou nos três primeiros episódios da série um variado leque de qualidades técnicas e narrativas, mas vinha pecando em algumas situações, como por exemplo, criar toda uma tensão entre a principal dupla policial, formado por Dias (Marcello Novaes) e Vera (Luana Piovani) sem ao menos apresentar os acontecimentos que originaram esta situação. Ficava difícil o espectador se importar com qualquer um dos dois, pois o roteiro fez a dupla cair de paraquedas na série, sem contar absolutamente nada da relação deles, mas insinuando que havia algo de estranho ali. Pois bem, o início do quarto episódio foi todo dedicado ao preenchimento desta lacuna, o que fez muito bem, mesmo com seus exageros.

A sequência foi longa, com alguns detalhes e que ao final ajudou muito no processo de compreensão da dinâmica deles. A pergunta que todos faziam foi respondida de uma forma pouco original, mas ainda assim satisfatória: Vera e Dias estavam apaixonados 15 anos atrás, quando surgiu a possibilidade de Vera tentar crescer profissionalmente indo morar nos Estados Unidos. Ela o chama para ir juntos, continuar o romance, crescerem como casal, construir toda uma história de amor em um lugar distante. Mas Dias, mesmo apaixonado, decide ficar, deixando bem claro uma característica de personalidade que o persegue desde o primeiro episódio: Dias é conservador, daquelas pessoas que não se arriscam, que se acomodam fácil com as situações da vida.

Fica assim mais compreensível suas ações com relação a caçada ao serial killer; ele não possui vontade de pensar por fora da caixa, como se diz no famoso ditado, sendo muito mais cômodo se agarrar ao primeiro suspeito conveniente, no caso da trama, o mendigo. Já Vera é o oposto: desde aquela época que ela se arrisca, buscando os caminhos mais desafiadores e menos cômodos. É bem interessante vermos que ambos, mesmo com comportamentos opostos, se desenvolveram em suas carreiras. Vera se transformou na maior especialista em assassinos em série do país, e Dias, em um delegado respeitado, com grandes aspirações futuras. Vai ser interessante saber o que irá acontecer com eles, depois da recaída já no final do episódio. Será mais uma relação extraconjugal que a série talvez aborde (a primeira é do candidato a Senador).

A sequência inicial também foi boa para tirar o ar robótico que ambos apresentavam em suas atuações. Luana não conseguia mostrar nenhuma outra faceta de sua personagem, era sempre aquele tipo academicista, quase arrogante, de alguém que sabe muito de um determinado assunto. Já Marcello não conseguia criar empatia alguma com o espectador, era um personagem com uma cara somente, poderia ser qualquer ator ali que daria no mesmo. Porém, quando os dois saíram de uma situação de tórrido romance para o desfecho dramático, com Vera saindo na madrugada pelas ruas da cidade, com Dias correndo atrás dela, para depois ela pegar um táxi e, quase em desespero, sumir da vida dele, eles se mostraram humanos. Exagerados, mas humanos. E isso é muito bom para a continuidade da narrativa

Dupla Identidade – Vera e Edu

Para não focar somente nos dois policiais, vamos falar de outra lacuna que foi bem preenchida neste episódio: o transtorno de personalidade de Ray (Débora Falabella). Quem lia as sinopses já sabia que sua personagem sofria do Transtorno Boderline, que propicia um comportamento que se altera na linha limítrofe entre a neurose e a psicose. Entretanto, para quem somente assiste aos episódios, esta situação não era bem apresentada, insinuada, talvez; então o que víamos era uma personagem com um comportamento raso, que sempre sorria das situações da vida. A sua baixa autoestima indicava que havia algo estranho, mas era difícil saber o que.

Pois bem, bastou que seu namorado de uma semana Edu (Bruno Gagliasso) não atendesse as suas chamadas por algumas horas para vermos o quadro de neurose ser bruscamente instaurada em Ray. E Débora Falabella conseguiu vender bem a condição de sua personagem, em um trabalho que deve ter custado muita leitura e pesquisa sobre o assunto por parte da atriz. A partir de agora a relação de Ray e Edu ficará ainda mais interessante, com duas personalidades que a psicologia ama analisar: uma mente criminosa junto com outra neurótica.

Para terminar, não podia deixar de – novamente – elogiar o trabalho de Bruno Gagliasso, que cada vez mais incorpora todos os trejeitos de um típico serial killer. Somente sua expressão facial e olhar (que neste episódio lembrou Dexter) conseguem criar uma situação de medo e tensão no espectador. As variadas facetas de Edu são apresentadas de forma clara e muito bem executadas, em uma atuação que deveria proporcionar algum prêmio ao ator.

Vimos no quarto episódio mais uma caçada do assassino, conhecemos todo o seu modus operandi, quase que conseguimos entrar em sua peculiar mente. Porém, o que mais chamou a atenção foi a sua tentativa de se aproximar de Vera. Eles agora estão lado a lado, dividindo o mesmo espaço. A relação que será estabelecida entre eles promete ser o grande trunfo desta temporada (que segundo boatos, deve ser a única) de Dupla Identidade.

Só nos resta esperar.


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