Crítica The Voice Brasil: edição do programa merece destaque no terceiro episódio da temporada
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Crítica The Voice Brasil: edição do programa merece destaque no terceiro episódio da temporada

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The Voice Brasil 3

Episódio foi marcado por bons candidatos e por uma tentativa sobre-humana dos técnicos para serem engraçados

Desde o seu início que o The Voice Brasil vem continuamente sendo comparado com as suas versões mundo afora, sobretudo a americana, que é a mais famosa. Normalmente, quando se faz estas comparações, chega-se a conclusão de que a versão nacional é bem aquém das outras. Porém, deve-se dar a mão à palmatória sobre algumas destas críticas, principalmente as relacionadas com a edição do programa. Enquanto que no The Voice americano se perde muito tempo contando as histórias dos candidatos, normalmente recheadas de dramas pessoais e reflexões sobre a vida, a versão brasileira vai mais direto ao ponto, dinamizando mais o programa como um todo, deixando-o mais ágil e menos melodramático. Essa escolha no fim das contas se mostra uma decisão acertada, afinal de contas, se o espectador desejar ver um dramalhão, assistirá alguma novela da própria emissora.

Episódio
Neste terceiro episódio (ainda na fase de audições às cegas) a edição esteve bem interessante, tanto no processo de apresentar os candidatos, quanto na trilha sonora escolhida, que também tem se mostrado bastante superior aos outros programas da franquia no resto do mundo. Ainda falta acertar alguns problemas, como saber escolher melhor a audição de finalizará o episódio. Normalmente se deixa o melhor para o final – esta é uma ideia bem lógica até – mas no The Voice Brasil parece que a ordem de apresentação das audições soa aleatória demais.

O programa começou com a audição da dupla Vitor e Vanuti, cantando Volta pra mim, do Roupa Nova. Três técnicos apertaram o botão e a partir daí os nossos queridos coaches começaram a tentar auto sabotar o episódio, com brincadeiras e tiradas que nos deixam com vergonha alheia. Em determinado momento, o cantor Daniel tirou – literalmente – os sapatos para um dos candidatos, e, numa atitude bem astuta, Carlinhos Brown pegou um dos pares e o fez de telefone, conversando com o próprio Daniel, que entrou na brincadeira. A tentativa de entreter o espectador é até válida, mas o resultado – desde o primeiro episódio – vem sendo bem vergonhoso. A dupla escolheu Daniel.

Logo depois tivemos uma reincidente no programa, que havia participado em 2012, mas não chegou a virar cadeira alguma. Desta vez Nathalie Alvim cantou um clássico do rock, Whota lotta Love, e mostrou que seu crescimento vocal foi bem visível. Sua apresentação foi uma das melhores da noite e poderia muito bem ter finalizado o episódio, seria o fechamento ideal para o programa da última quinta-feira: ótima voz, boa história e quatro cadeiras. Edição marcou bobeira. Claudia Leitte foi a escolhida, e acabou pegando uma ótima candidata.

Kall Medrado

Tivemos alguns candidatos razoáveis que foram selecionados, como Kim Lírio, que cantou Sem radar, da LS Jack (por onde andam?) e Kynnie Williams, que é brasileira, e cantou Why don’t you Love me;

Vanessa Borges, que cantou Muito Obrigado Axé, composição de Carlinhos Brown, que resolveu retribuir o presente virando a cadeira, junto com outros dois técnicos. Obviamente a cantora escolheu o baiano. Depois de Vanessa, tivemos o momento mais interessante do episódio: a baiana (este foi outro episódio recheado de cantores baianos) Kall Medrado contou a sua história de superação (ela  estava até pouco tempo atrás com obesidade mórbida) e logo depois soltou a voz, cantando You make me feel like (a natural woman). Mesmo cantando uma música bem clichê e um tanto saturada, a candidata mostrou um poder vocal impressionante e um leque de variações que pode ajudá-la no decorrer do programa. Ela sabiamente escolheu Claudia Leitte, que acabou sendo a grande vencedora da noite em termos de adicionar bons candidatos.

Depois tivemos a audição completamente às cegas de Joey Mattos, pois nem o espectador podia ver. Esta foi uma maneira bem interessante que a direção criou (não sei dizer se é uma criação do The Voice Brasil) para fazer o público sentir na pele como é ter que julgar somente uma voz. Ele cantou Domingo e escolheu Carlinhos Brown.

Logo após Joey, tivemos o momento mais bizarro da temporada (a disputa é grande), quando o candidato Edmon Costa, que cantou Samba de Verão, fez as cadeiras de Lulu Santos e Claudia Leitte virarem. Os dois técnicos duelaram para que fossem os escolhidos, seguindo de um discurso de Brown, que havia dito se arrepender por não ter virado e que infelizmente não poderia ser o técnico dele. Eis que então o candidato, logo após ouvir isso de Brown, o escolhe. Acredito que foi a primeira vez que vimos um candidato escolher um técnico que não havia virado a cadeira.

Depois tivemos a simpática apresentação da professora baiana Rafaela Melo, que cantou Flor da Pele e foi escolhida – e carregada – por Daniel. Para finalizar, uma versão bem peculiar, mas estranhamente agradável de Seven Nation Army, do The White Stripes, cantada pelo paranaense Vinicius Zanin. A apresentação, bem razoável, foi a escolhida para fechar a noite de candidatos. Depois o cantor Daniel apresentou sua versão para a canção Evidências, terminando o programa numa vibe bem sertaneja.

Rafaela Melo e Daniel

Comentários finais
Para finalizar, Fernanda Souza vem tendo mais tempo de participação que Tiago Leifert, o que é bem estranho, mas compreensível, já que a atriz, apesar de alguns incômodos, tem se mostrado muito competente no seu trabalho.

Fora isso, mais um bom episódio, marcado por um nível ainda interessante dos candidatos, uma edição mais ágil e uma tentativa dos técnicos em divertir cada vez mais o espectador.


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