Crítica Annabelle: um simples e tradicional filme de terror | Cabine Cultural
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Crítica Annabelle: um simples e tradicional filme de terror

Annabelle

Annabelle

Filme é derivado do sucesso Invocação do Mal (2013) e conta a história da temível e apavorante boneca Annabelle

O cinema de terror sobrenatural atingiu seu ápice criativo décadas atrás, quando filmes como O Exorcista e Poltergeist foram exibidos nos cinemas mundo afora. Este tipo de filme se popularizou de modo tão acentuado que inevitavelmente este gênero iria saturar, o que de fato aconteceu em meados dos anos 2000, com uma penca de produções medianas sendo produzidas, como por exemplo, o reboot do próprio O Exorcista. Foi então que surgiu James Wan, que de uma só vez apresentou duas pérolas deste mesmo gênero: Sobrenatural e Invocação do Mal.

Invocação do Mal foi tão bem sucedido, tanto narrativamente, como em sucesso de público, que a introdução do longa, que apresentava a história da boneca Annabelle, um dos casos mais difíceis do casal Ed e Lorraine Warren, acabou ganhando seu próprio filme, que estreou semana passada nos cinemas do Brasil. A trama, que segue o guia básico dos filmes de terror, é eficiente na arte de dar sustos e criar elementos de pavor, mas é bastante inferior ao filme que lhe deu vida.

Annabelle conta a história do casal Mia (Annabelle Wallis) e John (Ward Horton), que estão prestes a ter o primeiro filho. John, como forma de comemorar a chegada do bebê, compra uma boneca. As coisas caminham bem até que a casa deles é invadida por membros de uma seita, eles são atacados e a boneca, Annabelle, acaba sendo recipiente de uma entidade maligna. A partir deste momento, a boneca se torna, mesmo sem o conhecimento do casal, o centro de todo o mal.

O filme, que é dirigido por John R. Leonetti, colega de James Wan, que desta vez fica na produção executiva, traz como pontos fortes alguns dos mesmos elementos já utilizados pelo estilo Wan de se fazer cinema: um uso menos didático dos efeitos sonoros, planos que fogem do padrão e uma fotografia que sempre nos faz lembrar uma época passada, criando uma atmosfera muito mais atraente para se contar uma história baseada na ideia de medo, terror e apreensão. Logo na primeira sequência, quando o casal é atacado pela seita demoníaca, o uso da câmera cria uma tensão tão intensa que o espectador acaba sendo jogado no quarto, como se fosse mais uma vítima naquela situação.

Annabelle

Annabelle

Enquanto que os elementos técnicos ajudam a narrativa a construir tensão e medo, as atuações acabam freando mais a dinâmica do filme. Logo de imediato bate uma saudade do casal Ed e Lorraine Warren, que protagonizaram de maneira quase sublime o Invocação do Mal. Desta vez os protagonistas são os desconhecidos Annabelle Wallis e Ward Horton, que, se não chegam a atrapalhar, tampouco ajudam o filme a atingir níveis mais altos de excelência. Annabelle Wallis, que passa mais tempo em tela, não consegue trazer novidade alguma para a sua personagem, uma típica mãe de primeira viagem, solitária e protetora, que faz de um tudo para que sua filha não seja atacada, inclusive dar a sua própria vida em troca.

Mas sua personagem também traz elementos bem interessantes na bagagem, principalmente quando ela externaliza as referências de filmes clássicos, como O Bebê de Rosemary. O elenco de apoio tem funções mais didáticas, como por exemplo, mostrar para Mia, e para os espectadores, como funciona a engrenagem do mal. Entretanto, um destes personagens secundários acaba sendo o elemento que fecha esta primeira parte da saga da boneca demoníaca.

Annabelle consegue ser eficiente por não ousar narrativamente. Parece uma contradição, mas em tempos que o cinema de terror se utiliza cada vez mais de monstros e milhares de efeitos especiais, Annabelle trabalha com a simples ideia de existir algo demoníaco em um determinado objeto, ou de sentir pavor pelo que ainda é desconhecido. Veja que a boneca, diferente de Chuck, por exemplo, não possui voz ativa, não é o fio que conduz o terror. O terror aqui é produzido através da ideia de que dentro de uma já assustadora boneca se esconde algum demônio espiritual.

Um filme simples, bem produzido e que entrega o que promete. Somente isto já serve de motivo para que o amante do gênero saia da sessão bem satisfeito, já esperando a continuação, que certamente um dia virá.


13 respostas para “Crítica Annabelle: um simples e tradicional filme de terror”

  1. Só critica quem não entendeu a história pq o filme é SENSACIONAL arrasou em tdos as cenas… Foi tudo que eu esperava e mais um pouco.

  2. Gostei da crítica, bem consciente e pé no chão. O filme não é um primor, mas perto do que temos recebido com o rótulo de filme de terror, não deixou a desejar. (Realmente bateu saudade de Ed e Lorreine Warren).

  3. Com tanta violencia no mundo,o povo já nao se assusta mais. Querem assustar alguem? é so aparecer com um politico honesto.

    • O assunto era o FILME ”ANNABELLE” e não a sua frustração com a politica… Se quer um politico melhor, vote melhor.

    • Quem compra a boneca no final do filme é a mãe de umas das meninas que aparecem no começo de Invocação do Mal. Ela ganha a boneca da mãe, e ai começa com elas tudo que aconteceu com Mia em Annabelle. O fim de um é basicamente o começo do outro. Realmente ótimo.

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