Romeu e Julieta versão 2013: um novo filme para um grande clássico da literatura | Cabine Cultural
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Romeu e Julieta versão 2013: um novo filme para um grande clássico da literatura

Romeu e Julieta

Romeu e Julieta

“Devolve o meu Romeu, e quando ele morrer, corte-o em pequenas estrelas. E ele deixará a face do céu tão bela que o mundo inteiro se apaixonará pela noite.”

Por Elenilson Nascimento

Muita gente vai achar clichê, nos dias de hoje, morrer por amor. Muita gente vai achar clichê amar desesperadamente, mas, peloamordedeus, dá um play nessa nova versão de “Romeu e Julieta”, do italiano Carlo Carlei, que já disse em várias entrevistas que o filme ficou bem longe de ser “moderninho” como aconteceu no ano de 1996 com o adolescente “Romeo + Juliet”, de Baz Luhrmann, com Leonardo DiCaprio e Claire Danes nos papéis principais.

Para quem não sabe do que se trata – ou seja, quem não esteve no planeta Terra nos últimos quatrocentos anos – “Romeu + Julieta” (*assim mesmo, com um sinal de adição do filme de Luhrmann ao invés do tradicional ‘&’) conta a trágica história de amor proibida entre Romeu Montéquio e Julieta Capuleto. Este clássico dos clássicos da literatura universal vem há séculos seduzindo, apaixonando e fazendo chorar gerações de leitores pelo mundo a fora, que encontram nas páginas tecidas por Shakespeare uma das mais belas, tristes e trágicas histórias de amor de todos os tempos. Essa história de ódio entre essas famílias que acabou, no final, unindo os seus membros por causa do fim trágico dos seus filhos que, nos dias de hoje, programas espirra sangue iriam fazer a festa, praticamente transformou-se em um arquétipo da psique humana, como ocorreu, por exemplo, com o mito de Édipo, criado por Sófocles, e convertido por Freud em um conceito fundamental da Psicanálise.

O DRAMA – Herdeiros únicos de duas famílias cuja inimizade estúpida já vem de longa data – e que se transmite aos agregados dos clãs – Romeu e Julieta se conhecem e se apaixonam durante uma festa à fantasia na Mansão Capuleto. Mas, nessa nova versão, o diretor não fugiu do enredo original, o roteiro ficou nas mãos competentes de Julian Fellowes, criador do seriado de sucesso “Downton Abbey” (*quem nunca viu é um tremendo vacilão), onde a tragédia shakespereana, elaborada entre os anos de 1591 e 1595, manteve-se na sua essência, mas isso não significa apenas enfocar o amor proibido entre dois jovens na Verona renascentista, mas por denunciar a hipocrisia, a burrice, as convenções sociais, os interesses econômicos e a sede de poder, elementos que engendram inevitavelmente a intolerância e condenam o sentimento nobre que brota dos corações dos jovens protagonistas.

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Paulo Leminski já escreveu: “Que leva as pessoas a ficarem juntas? A poesia seria cúmplice, desde o começo, desse sentimento que se chama amor. Eu acho que é uma coisa perfeitamente lógica, natural, porque a poesia, se vocês olharem bem, ela é o amor entre os sons e os sentimentos. Ela já é na sua substância, intrinsecamente, ela já é amor, já é aproximação, no sentido que é amor entre os sons e os sentidos, num sentido que a prosa não é. É por isso que a poesia não morre. Por que essa coisa tão inútil que não consegue sequer se transformar decentemente em mercadoria num mundo mercatório, esse mundo em que vivemos? Qualquer editor principiante sabe: poesia não vende”. E o poeta curitibano estava completamente certo, pelo menos quando se trata de amores que acham que seria tão fácil morrer do que viver, onde – no túmulo – as luzes são mais claras e chegam a doer nos olhos.

Romeu e Julieta

Romeu e Julieta

E nesta cidade italiana, enquanto as duas famílias tradicionais, socialmente importantes, perdem o tempo cultivando um intenso e insustentável ódio, o corajoso e sonhador Romeu (vivido por Douglas Booth) e a linda Julieta (interpratada pela a fraquinha Hailee Steinfeld), independente desta rivalidade, se apaixonam e decidem lutar por este sentimento. E numa das cenas mais lindas da obra de Shakespeare, Romeu, logo depois da festa, oculto no jardim, ouve involuntariamente o diálogo de Julieta com as estrelas (*aquela cena no balcão da janela do quarto), durante o qual ela confessa sua paixão por ele. Então, o rapaz, louco de paixão, a procura e se declara: “Se o teu coração está inquieto como o meu… então diga-me que alegrias nos esperam esta noite. Não sei como falar do que não tem fim”.

Cientes dos problemas que seu romance irá enfrentar, o jovem casal conta com a ajuda do Frei Lourenço (interpretado divinamente por Paul Giamatti, dos filmes “A Dama na Água”, “O Ilusionista” e “Planeta dos Macacos”), que acredita que o nascente amor poderá finalmente trazer paz à cidade de Verona. Mas as coisas saem do controle quando um primo de Julieta, Teobaldo mata Mercúcio, melhor amigo de Romeu, o que precipitará uma tragédia de grandes proporções. Esta morte acirra ainda mais o ódio entre as famílias e o Príncipe da cidade manda Romeu sair de Verona. Antes disso, o casal de amantes se casa em segredo, mas a sombra da tragédia parece persegui-los.

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O velho Capuleto, sem saber da união de sua filha com o inimigo, arranja o casamento da filha com Páris. O frei a convence a aceitar o matrimônio, mas arma um plano. Pouco antes da cerimônia Julieta deverá ingerir uma poção elaborada por ele; com a ajuda deste preparado ela será considerada morta. Romeu seria avisado e retornaria para retirá-la do jazigo dos Capuleto assim que ela despertasse. Porém, como não poderia ser diferente em uma tragédia de Shakespeare, Romeu descobre o ocorrido antes de ser notificado. Desesperado, ele adquire uma poção venenosa e, na sepultura onde se encontra a amada, ingere o conteúdo do frasco e morre junto à Julieta (*a cena em que o frei chega para acordar Julieta e encontra os amantes mortos é emocionante). “O céu está aqui, onde vive Julieta. Todo o resto pode deixá-la para trás, mas eu não posso.”

Todas as versões que já assisti desse clássico, desde a ítalo-britânico do ano de 1968, dirigida por Franco Zeffirelli, com Leonard Whiting e Olivia Hussey, no papel principal, fico angustiado com o drama da história. A cena de Julieta acordando e se dando conta do que aconteceu e, com o punhal roubado de Romeu, se matando, é tão rica em detalhes que chegamos a sentir a tristeza do autor ao escrever a cena. Os dois são encontrados juntos, mortos, para completo desespero dos familiares. Só então, abalados com a tragédia, eles se reconciliam definitivamente. “Paixões violentas podem ter finais violentos.”

Romeu e Julieta

Romeu e Julieta

Essa peça mais famosa de Shakespeare teve inúmeras montagens e versões ao longo do tempo. Romeu e Julieta é uma história de amor que todos já devem conhecer de cor e salteado. Mas essa versão de 2014 segue a linha tradicional e é semelhante a seu antecessor de 1968 e por isso não é parecido com “Romeu + Julieta” que segue uma linha mais moderna. Curiosidade: no ano passado, morreu o ator irlandês Milo O’Shea, famoso por ter protagonizado a adaptação do clássico romance “Ulisses”, de James Joyce, e por ter vivido Frei Lourenço da versão mais perfeita de Romeu e Julieta, de Franco Zeffirelli. Ele morreu aos 86 anos em Nova York, por complicações decorrentes do Mal de Alzheimer.

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Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina




Uma resposta para “Romeu e Julieta versão 2013: um novo filme para um grande clássico da literatura”

  1. Eu acho que o romeu e muito gato mas a julieta deveria ser loira pois ia ser melhor. Eu sempre choro no final

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