Crítica A Lenda de Oz: de volta ao universo mágico não tão mágico | Cabine Cultural
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Crítica A Lenda de Oz: de volta ao universo mágico não tão mágico

A Lenda de Oz

A Lenda de Oz

Animação busca dar continuidade a clássica história e leva a pequena Dorothy de volta ao mundo mágico de Oz

Semana passada A Lenda de Oz, animação que serve de continuação para o grande clássico do cinema O Mágico de Oz, estreou nos cinemas brasileiros, aproveitando logicamente o evento do Dia das crianças. Com uma estrutura bem simples, o filme pode agradar as crianças, que normalmente vão aos cinemas sem grandes expectativas – elas, bem da verdade, só querem se divertir assistindo algo que de alguma forma converse com elas.

Entretanto, se você não é mais criança e já possui algum entendimento do mundo do cinema, o sentimento de frustração acaba falando mais alto, pois a animação soa como um caça níquel que não traz novidade alguma para a famosa história escrita por L. Frank Baum. A Lenda de Oz, desde os seus segundos iniciais, busca trazer aquela mágica atmosfera de Dorothy e seus peculiares amigos, mas falha simplesmente por soar falso. E olha que o filme foi baseado livremente no livro Dorothy of Oz (escrito por Roger S. Baum, que é bisneto de L. Frank Baum).

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Na história, que possui roteiro de Adam Balsam e Randi Barnes, Dorothy tem seu lar na famosa Kansas ameaçado por um avaliador do governo que quer condenar boa parte das casas de sua cidade após a passagem de um tornado. A menina, e seu fiel Totó, então se deparam com um Arco-íris que os arrastam e os levam de volta à Oz, com a missão de salvar o reino mágico das mãos de Bufão, o irmão desprezado da falecida bruxa malvada do oeste.

Para quem já conhece a mitologia de Oz e pretende somente matar a saudade, a animação pode então ser uma boa pedida, mesmo tendo em vista que somente uma pequena parte dos personagens da história original participa: Espantalho, o obeso coruja, o valente e comestível Marechal Mellow e a Princesa de Porcelana. Ainda assim, eles estão dentro de uma atmosfera bem parecida com a clássica e por isso a experiência pode ser interessante.

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As tramas principais, todas envolvendo Dorothy, seja no mundo real, seja no mundo de Oz, acontecem de modo bem previsível, e o espectador mais atento consegue tranquilamente antecipar todos os acontecimentos do filme. Isso torna, do ponto de vista narrativo, a animação preguiçosa e um tanto chata; mas para o seu público alvo, formado basicamente de crianças, esta estrutura pode funcionar bem.

A Lenda de Oz

A Lenda de Oz

Há também dois pontos que fazem de A Lenda de Oz uma animação apenas razoável: o personagem que serve de vilão da história, o Bufão, não apresenta nada de novo, nem um pequeno detalhe que o diferencie dos outros milhares de vilões das histórias infantis. Seu personagem, que era para ser, no bom sentido, desprezado pelo público, acaba sendo somente irritante, e não pelas suas ações, mas pela sua existência mesmo.

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Outro ponto que poderia ser um destaque positivo, mas acaba sendo um ponto fraco é a trilha sonora, tão importante em histórias como esta. Canções sem inspiração e jogadas em cenas aleatórias, sem parecer que foi planejada pelos roteiristas de modo profissional.

A Lenda de Oz possui seus pontos fortes, mas também está recheado de incômodos narrativos. Pode servir de passatempo para as crianças e pode até mesmo agradar outros públicos, não há nenhum problema nisto. Porém, é inegável que a mágica história de Oz merecia uma continuação muito mais mágica do que esta dirigida por Dan St. Pierre e William Finn.




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