Crítica Dupla Identidade episódio cinco: um serial killer bem descuidado | Cabine Cultural
Televisão

Crítica Dupla Identidade episódio cinco: um serial killer bem descuidado

Dupla Identidade

Série segue em passos firmes, mas bem lentos; último episódio apresentou importante traço da personalidade do serial killer Edu

Quem está acostumado a assistir filmes ou seriados sobre serial killers já deve ter percebido o quão meticulosos eles são, sempre se preocupando com os mínimos detalhes de suas ações, e atentos com o fato de que qualquer erro ou desatenção os levarão direto para a cadeia, ou algo pior. Mas ainda assim, para uma narrativa andar, é necessário que eles se descuidem uma vez ou outra, para que a trama fique mais atraente e menos monótona. Por isso, em algum momento do filme, ou da série, o roteiro faz o assassino em série deixar algo passar, ou cometer algum erro que o deixe em risco iminente de ser pego pela polícia.

Entretanto essas falhas devem ser pontuais, pois caso contrário ficará a impressão de que o serial killer não passa de um criminoso comum, o que sabemos não ser o caso. No quinto episódio de Dupla Identidade, Edu novamente foi desatento, e esta falha só não lhe custou muito porque o roteiro, forçando um tanto a barra, livrou sua cara mais uma vez. Lembre-se que episódios atrás ele havia deixado o corpo de uma das vítimas em seu porta-malas, e o carro, provavelmente estacionado em lugar proibido, foi rebocado e por muito pouco ele não foi descoberto.

Desta vez o erro foi primário: não amarrar direito a sua vítima. Ele levou a garota que pegou no final do capítulo anterior para a sua casa e, numa cena bem caprichada até, fez o seu ritual – ao menos o inicial – de tortura, antes de matá-la. Porém, quando sua vizinha bate na porta para reclamar do barulho do som, a então vítima acha uma brecha para tentar se soltar. Depois de algum tempo, consegue, e então corre para a rua, com Edu descobrindo sua fuga logo depois. Aqui o roteiro exagerou em alguns pontos: a vítima poderia ter corrido imediatamente em direção a rua, mas preferiu correr bem no canto do passeio, num erro que dificilmente alguém comete na vida real.

E depois, numa cena bem forçada, Edu consegue fazê-la calar quando a viatura policial se aproxima deles. Mesmo sabendo que ele não desperta tantas suspeitas assim na sociedade (rapaz bonito, típico homem bem sucedido), dificilmente a polícia deixaria uma situação assim terminar sem ao menos averiguar o estado da garota.

Dupla Identidade

Apesar deste pequeno incômodo, Dupla Identidade segue numa dinâmica bem satisfatória; lenta, mas bem construída.

E a razão para o resultado final ainda ser bastante positivo é o fato do personagem vivido por Bruno Gagliasso continuar apresentando, a cada episódio, uma nova faceta de sua personalidade. Desta vez ficou bem acentuado que Edu possui uma intensa sede por poder, seja o poder que ele exerce com suas vítimas, seja a ideia de poder sociopolítico. Edu, ao sabotar a campanha do senador, entregando documentos que o incriminava, mostra para todos os espectadores que a ausência de escrúpulos de sua personalidade não está restrita a sua relação com as mulheres. Ele quer o mesmo poder que um político possui, e para isso é capaz de eliminar qualquer um que possa prejudicá-lo, e no caso do episódio passado, sobrou para um dos funcionários do senador.

Esta cena final, por sinal, também foi bastante exagerada, e temos que ter a mente bem aberta para engolir mais tranquilamente o fato do funcionário (Ivan) escolher justamente a beirada de um terraço como local para desmascarar Edu. Qualquer um mais atento sabia, logo que a sequência teve início, que o desfecho seria este. Sabemos que era necessário que ele morresse, e que Edu o matasse, mas poderiam caprichar um pouco mais no roteiro, e deixar a cena mais verossímil.

Outro ponto interessante foi o desdobramento da crise que Ray teve no último episódio. Débora Falabella tem sido bastante eficiente no trabalho de mostrar esta personagem com uma variação tão extrema de sentimentos. Pouco tempo após quase ter se matado, ela estava de volta aos braços de Edu, dando novamente um 360 graus em seu humor. Fica cada vez mais intrigante esta história, e o potencial dela ter um desfecho satisfatório é bem grande.

Dupla Identidade Episódio 5

Já a saga de Vera para ser – ao menos – respeitada pelos seus colegas de polícia continua (não tão irritante como nos primeiros episódios) mas ainda longe de um cenário ideal para a série. Seria muito mais interessante se ela pudesse dialogar de um jeito mais natural e menos didático com os funcionários do Departamento de Polícia. Sua didática se torna mais útil quando ela conversa, por exemplo, com Edu, pois neste caso sabemos que Edu não é um ignorante, mas simplesmente se faz para conseguir abrir um diálogo com ela.

Dupla Identidade apresentou um episódio que fez a narrativa andar um pouco mais; a dinâmica não é das mais velozes, mas acredito que a ideia é que seja exatamente deste modo. O ápice só virá realmente nos dois últimos capítulos da temporada. Enquanto isso, continuaremos assistindo.

4 respostas para “Crítica Dupla Identidade episódio cinco: um serial killer bem descuidado”

  1. A cena “forçada” com a viatura foi, creio, proposital. Jeffrey Dahmer passou por situação semelhante e conseguiu convencer os policiais que um garoto, nu, era seu namorado (quando em verdade era uma vítima). A cena cópia um caso real para mostrar a astúcia, a facilidade para mentir e a capacidade de manipulação dos assassinos seriais. Forçada ou não, pelo menos a autora tem em sua defesa uma ocorrência real de caso semelhante

    • Valeu pela informação Luccas, não sabia disto. De fato, a cena é bem forçada, analisando narrativamente, mas o fato de ter sido baseada em um fato real pesa a favor de Gloria Perez e sua equipe.

      braços!

  2. Está na cara que a Piovani vai se envolver com o Gagliasso ao passi que ela se envolve com qq desconhecido. Ela ira cair na teia do psicopata e matara a charada. Tenso.

  3. CONCORDO COM SUA ANALISE DO EPISODIO E COM A SERIE,,,ACHO O PAPEL DA PIOVANI MEIO DIDATICO E A RELAÇÃO DELA COM DIAS ALGO Q DEVERIA FICAR NO PASSADO E NÃO COM ESSES FLASH BACKS INSOSSOS,,,

Deixe uma resposta