Crítica do novo álbum: Annie Lennox revive clássicos em Nostalgia
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Crítica do novo álbum: Annie Lennox revive clássicos em Nostalgia

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Annie Lennox – Nostalgia

“O sucessor do álbum natalino “A Christmas Cornucopia”, ainda não tem data de lançamento no Brasil, mas já é um sucesso com releituras de vários clássicos, principalmente das décadas de 30 e 40, como “You Belong To Me”, “Memphis in June”, e outros.”.

Por Elenilson Nascimento

Parece que esse ano de 2014 está sendo o ano de lançamentos de discos cheios de regravações. Já teve George Michel com “Symphonica Live”, Billy Idol com “Kings & Queens Of The Underground”, mas ainda teremos os lançamentos de “The Queers” – não confundir com “Queen”, de Freddie Mercury – que já anunciou estar regravando os seus discos “Punk Rock Confidential” (1998) e “Beyond The Valley” (2000) – e também, o mais do que aguardado álbum da rainha do soul Aretha Franklin que lançará em breve um disco só com reinterpretação de clássicos de outras grandes cantoras como Adele, Alicia Keys, Dinah Washington, Etta James, Madonna, Gladys Knight, Gloria Gaynor, Barbra Streisand, Diana Ross e Whitney Houston.

Contudo, entre esses discos improváveis, mas que eu adoro nessas versões bem diferentes das originais, saiu recentemente, nos EUA, o álbum “Nostalgia”, de Annie Lennox – ainda sem previsão de lançamento no Brasil. A cantora escocesa, conhecida por ter sido a vocalista platinada da dupla The Eurythimics, que desde muito cedo mostrou pendão para as artes e ainda menina aprendeu a tocar piano, flauta, além de cantar em corais e estudar dança e, apaixonada por música negra, especialmente os artistas da Motown, como Marvin Gaye, Stevie Wonder e The Supremes, ganhou o mundo depois de ter abandonado seu emprego numa loja de discos e suas breves participações em bandas com amigos, tendo a Joni Mitchell como grande inspiração.

Depois de muita batalha, já à frente do Eurythimics, Annie se tornou um dos maiores ícones da música pop, não só porque sua voz é inigualável, mas porque há quatro décadas ela sem medo de ser feliz rendeu-se à sua música. Hits como a bela “Why”, “No More” “I Love You’s”, “Sing” com participação de Madonna, e a clássica “A Whiter Shade Of Pale” já fazem parte da discoteca de qualquer amante de música. Mas, durante todo esse tempo, Annie também já desafiou categorizações, mergulhou no blues, soul, folk e, lógico, no pop-dance.

Annie Lennox – Nostalgia

Nesse seu mais novo trabalho, “Nostalgia”, ela revela ao mundo outra camada, mesmo que o jazz não seja bem o gênero pelo qual ela é mais conhecida – que por sinal a Cyndi Lauper já fez o mesmo em “At Last” (2003), “The Body Acoustic” (2005) e “Memphis Blues” (2010). As doze músicas escolhidas para o “Nostalgia” estão magnificamente gravadas por conta própria e de forma bem particular, mas que, em conjunto, formam um mosaico de bom gosto: “Memphis In June”, de Nina Simone; “Georgia On My Mind”, de Ray Charles; “I Put a Spell On You”, de Joe Cocker; “Summertime”, de Janis Joplin; “I Cover The Waterfront”, de Billie Holiday; “Strange Fruit”, também de Billie Holiday – que foi uma das primeiras músicas contra o racismo; “God Bless The Child”, de Shania Twain; “You Belong To Me” – Taylor Swift, Jason Wade e Lifehouse já regravaram; “September In The Rain”, de Norah Jones; “I Can Dream, Can?t I?”, de The Carpenters; “The Nearness Of You”, de Rod Stewart, além de “Mood Indigo”, de Tony Bennett, fazem parte do tracklist.

As doze canções estão demasiadamente enraizadas no blues, que sempre combinadas as belas e dolorosas letras, revela uma Annie Lennox intimamente intoxicada com um material que nos faz querer inclinar-se mais perto dos alto-falantes do som para respirar no seu nuance. Algumas dessas músicas têm mais de 80 anos e ainda apresentam-se como relevantes e tristes hoje como quando foram escritas.

Exatamente como fez no seu arrebatador “Medusa” (1994), Annie consegue amorosamente fez de novo uma curadoria de suas músicas favoritas, mas conseguiu criar a sua própria profundidade com relação às notas e letras, ignorando deliberadamente as inumeráveis interpretações já disponíveis no mercado. O coprodutor Mike Stevens comelou o disco com teclados e acrescentou até instrumentação com moderação: um solo de guitarra dilacerante no meio de algumas canções ou um acompanhamento de acordeão solitário no desafinado “I Can Dream” (Não Posso) – que lembrou muito a música “Like A Prayer”, de Madonna, com uma doçura quase dolorida e uma inocência ausente. Por fim, comprem esse disco maravilhoso!

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Culturale possui o excelente blog Literatura Clandestina


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