Miss Violence: um drama impactante e provocativo
Cinema

Miss Violence: um drama impactante e provocativo

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Miss Violence

98 minutos de uma narração insuportavelmente controlada, que não deseja empolgar, mas nos martirizar; e ao final você se aquieta na cadeira, e sai querendo esquecer tudo o que viu. Realmente perturbador

Por Marcia Bessa

O filme Miss Violence (Grécia) com direção e roteiro de Alexandro Avranas, é um drama  impactante e provocativo, com tema forte e chocante, construído através de uma trama pesada sem sentimentalismo. O tipo do filme muito bem feito, em atmosfera degradante, opressiva, que nos sentimentaliza angústia.

Estamos diante de uma família de avós, filhas e netos que moram no mesmo apartamento. Na cena inicial temos o aniversário de 11 anos da neta Anggeliki (Chloe Bolota), que após dançar a valsa com seu avô, se joga espontaneamente da varanda com um sorriso no rosto, na frente de sua família.

A partir deste estranho fato, inicia-se uma investigação pela polícia e serviço social para tentar descobrir o  que motivou esta criança a um ato tão definitivo e cruel.

Diante de uma família que parece convencional, a plateia irá descobrir aos poucos os segredos desta família tão organizada e controlada. As máscaras vão caindo e o que percebemos a cada cena é algo perturbador, difícil de assistir, que nos leva a um silêncio sufocante. A força do poder patriarcal se confirma na figura do avô que comanda, vigia e pune a todos indiscriminadamente. A cada olhar e sorriso das mulheres se confirma a conivência através do medo.

Fica evidente a habilidade do diretor na construção deste drama psicológico em atingir o que deseja de forma veemente e inteligente, criando uma expectativa do início ao fim.  Com boa fotografia às vezes enevoada como a mostrar o clima de tensão familiar, ângulos perfeitos, e ainda dá uma pincelada pela crise social e econômica deste país.

O elenco está irrepreensível, em especial os atores Themis Panou, Reni Pittaki e Eleni Roussinou  como os avós e mãe de Anggeliki. E o elenco infantil não fica à parte, com cenas delicadas e difíceis de interpretar.

98 minutos de uma narração insuportavelmente controlada, que não deseja empolgar, mas nos martirizar; e ao final você se aquieta na cadeira, e sai querendo esquecer tudo o que viu. Realmente perturbador!

Premiado no Festival de Veneza 2013, Melhor Direção e Melhor Ator.

Marcia Amado Bessa é enfermeira e escreve para o ótimo blog CineAmado 


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