Crítica Dupla Identidade: com Bruno Gagliasso inspirado, sexto episódio da série é o melhor até aqui | Cabine Cultural
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Crítica Dupla Identidade: com Bruno Gagliasso inspirado, sexto episódio da série é o melhor até aqui

Dupla Identidade

Episódio apresentou foco total na vida do protagonista; assassinato da semana foi o melhor trabalhado até então

Numa novela ou série de televisão, é sempre interessante a história possuir mais de um núcleo, para que haja mais opções de tramas e arcos. Apesar disto, em alguns momentos vemos o quão desnecessário é a fuga da história principal. Em Dupla Identidade isso é bastante perceptível, pois sempre que a história migra para o núcleo político, com destaque para o caso que envolve a disputa para o senado, ela acaba frustrando o espectador e prejudicando a dinâmica da série.

Por sorte o sexto episódio conseguiu estabelecer a história principal, a que envolve Edu (Bruno Gagliasso), como a predominante por todos os momentos, mesmo quando a sequência envolvia a despedida do personagem Ivan, jogado por Edu do terraço de um prédio no episódio passado, o foco da câmera era sempre Edu e suas ferramentas de manipulação pessoal.

E por falar em núcleos, é bem interessante o fato de que vimos o serial killer caminhar por todos os ambientes da série: a casa do Senador Oto, a casa de Ray, sua namorada, a sede da ONG em que ele faz trabalho voluntário, a delegacia de polícia… enfim, o roteiro conseguiu apresentar diversos ambientes e perspectivas e ainda assim deixou Edu como elemento central do episódio.

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Por falar na ONG que busca prevenir suicídios, tivemos uma importante revelação neste episódio: o trabalho voluntário que Edu faz tem uma relação bastante estreita com o seu lado assassino. Vimos aqui que a vítima da semana, interpretada brilhantemente pela atriz Bárbara Paz, foi concebida através de seu trabalho na ONG. Este é mais um elemento utilizado pelo roteiro para traçar o perfil completo de Edu enquanto serial killer. Todas as sequências que envolveram o caso da semana foram bem trabalhadas e bem interessantes de se ver. A referência utilizada, do assassino do Zodíaco e suas mensagens em código, elevaram o nível da história que vem sendo contada até aqui.

Dupla Identidade

Obviamente que o desfecho da trama envolvendo Edu e a aspirante a suicida foi a cereja do bolo do episódio. A morte da personagem foi a – plasticamente falando – mais instigante de todas, lembrando muito os assassinatos do serial killer Hannibal Lecter. Além do criativo trabalho da equipe de arte da série, o que chamou a atenção neste episódio foi o afunilamento que o roteiro vem estabelecendo para a história de Edu chegar ao fim. Vimos que a policial Vera (Luana Piovani) está cada vez mais próxima de chegar ao serial killer, e a sua última fala, afirmando que o assassino tem acesso a investigação policial terá grandes consequências no decorrer dos episódios.

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Bruno Gagliasso, como não poderia deixar de ser, foi o grande destaque da semana em Dupla Identidade. Bruno vem dominando cada vez mais as ferramentas necessárias para fazer de Edu um serial killer memorável: o dom da dissimulação, as expressões faciais das mais diversas (a cara que ele faz quando assume para Ana, personagem da Bárbara Paz, que é o famoso serial killer é maravilhosa, digna de prêmio) e principalmente o tom de voz sereno que ele consegue desenvolver tão bem. Este pacote de elementos faz de seu personagem uma pessoa adorável, o que de fato dificulta qualquer investigação envolvendo este tipo de assassino.

Ainda assim, ele continua dando indícios de sua instabilidade emocional em sua relação com Ray (Débora Falabella). Novamente, por conta de um comentário inocente de sua namorada, Edu se transformou por um momento em algo mais próximo de uma pessoa cruel e violenta. Sua capacidade para contornar a situação foi suficiente para não fazer Ray suspeitar de algo, mas a tendência é de que em algum instante ela irá ligar a bomba relógio chamado Edu e ele explodirá para cima dela.

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Dupla Identidade apresentou um episódio bem sólido, o melhor da série até então, estabelecendo de vez a dinâmica do assassino em série, deixando o personagem central de fato comandar todas as ações (a sequência envolvendo a mensagem dada à jornalista, interpretada pela bela Valéria Monteiro, é muito significativa), e ainda desenvolvendo como nunca o jogo de gato e rato envolvendo Edu e Vera.

Dupla Identidade

Luana Piovani vem ganhando cada vez mais um melhor espaço e melhores falas, o que será importante para que o espectador realmente se importe com ela quando chegar o derradeiro momento de seu personagem se encontrar com Edu.

Que chegue logo o próximo episódio.

2 respostas para “Crítica Dupla Identidade: com Bruno Gagliasso inspirado, sexto episódio da série é o melhor até aqui”

  1. Acho o migrar para o núcleo político muito interessante, onde a autora mostra também as máscaras que os envolvidos usam. Existem neles também uma dupla identidade, como bem pontuou a personagem SÍLVIA (Marisa Orth), em diálogo com o filho, logo no primeiro episódio: “Eu mudo de figurino, de fala, de acordo com o discurso político do seu pai”. Também, a essa altura da série, podemos estar cientes de que EDU não matou MARIANA impunemente, e sim para para botar o senador OTTO em suas mãos, de modo a ser mais fácil manipulá-lo e para servir de escada para a escalada política ambicionada por ele. Aguardo texto sobre o episódio 7. Ótimo site. Abraço!

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