Crítica The Voice Brasil episódio sete: pecando nos detalhes mas acertando no que importa
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Crítica The Voice Brasil episódio sete: pecando nos detalhes mas acertando no que importa

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Rogéro Flausino e Di Ferrero

Sétimo episódio da terceira temporada foi marcado por pequenos erros de edição, mas também por emocionantes batalhas

Por mais incoerente que possa parecer, o melhor episódio da terceira temporada do The Voice Brasil externou o que de mais preocupante há no reality show da Rede Globo: a falta de atenção para os detalhes. Peguemos a primeira batalha, entre as duas garotas da equipe de Claudia Leitte, como exemplo. Após a apresentação da dupla – que fizeram uma interessante versão da música tema do filme Frozen – coube à técnica escolher a vencedora, e ela logo o fez, se decidindo por Priscila Brenner. Pois bem, no mesmo segundo Lulu Santos já apertou o botão de peguei, deixando a situação absolutamente anticlimática e tirando de certa forma o brilho daquele momento para a vencedora.

A cronologia das batalhas possui uma divisão bem simples: escolhe-se o vencedor, ele vibra, abraça o técnico e sai do estúdio. Fica então o derrotado lá parado, apreensivo, esperando um peguei, então há a trilha sonora de suspense, até que algum outro técnico aperta ou não o botão. Bem simples. Esse foi um erro de organização que precisa ser corrigido nas próximas temporadas. E para piorar, a edição acaba exibindo a entrevista com a candidata derrotada, deixando de lado a candidata vencedora. Nas fases finais, quem decidirá qual candidato sai e qual fica, será o público, então a edição deveria ser o mais coerente possível e dar mais destaque a quem de fato merece.

Pontos positivos
Porém, há também a necessidade de enaltecer alguns momentos de extrema felicidade e competência dos técnicos, que neste episódio deram feedbacks bem interessantes. A começar por Claudia Leitte, que logo no início afirmou que no fim das contas o que move um cantor é a emoção e a sua capacidade de emocionar o público. De fato, por mais que seja admirável ouvirmos uma voz engenhosa, que consegue alcançar notas perfeitas, se ela não conseguir passar alguma verdade, não conseguir vender uma história e não conseguir emocionar, de nada essa perfeição técnica valerá. Foi uma bela visão da cantora, que mais tarde acabou falhando feio, ao comentar sobre a poluição visual de uma batalha (da equipe de Carlinhos Brown), sem ao menos argumentar mais profundamente.

Dizer que as roupas das candidatas estavam poluídas e atrapalhando a perfomance é até compreensível, se por acaso viesse com argumentos que justificassem tal afirmação. Ela soltou a frase de efeito, sem, contudo se explicar. E neste momento Carlinhos Brow foi extremamente feliz ao defender as cantoras de sua equipe. Brown, por sinal, se não fosse tão exagerado nas suas intervenções, teria tudo para ser o técnico mais interessante do programa. Sua capacidade de produzir um artista provavelmente é a maior dentre todos os técnicos, e é uma pena que esta característica fique em segundo plano, por conta de sua, digamos assim, chatice comportamental.

Princess La Tremenda e Kynnie Williams

Dentre os assistentes, vimos novamente Luiza Possi sendo bastante produtiva no seu trabalho, opinando e dando ótimas sugestões, como na batalha entre Thiago Soares e Kim Lírio, quando ela sugeriu que eles não cantassem muitas partes da canção With or Without You, do U2, juntos, pois iria soar como uma dupla sertaneja. A batalha foi vencida por Kim, que foi bastante favorecido pela música, mas nada que invalide a sua vitória. Sobre Luiza, foi anunciado que na quarta temporada haverá uma renovação – temporária ou não – dos técnicos, e fica desde já a torcida para que ela seja promovida.

Di Ferrero vem se mostrando bastante participativo, o que merece elogios, pois por mais que seus conselhos sejam mais simples e óbvios, muitas vezes os cantores não se atentam para estes elementos simples e óbvios. Ele inclusive, junto com Rogério Flausino, fez uma ótima apresentação no meio de programa.

Das batalhas propriamente ditas, duas chamaram muita atenção: a primeira entre as cantoras Princess La Tremenda (sim, este é o nome da americana-baiana) e Kynnie Williams (sim, ela é brasileira). A apresentação foi um tanto bagunçada, muito por conta da música escolhida por Brown, Livin La Vida Loca, de Ricky Martin. Depois de Brown escolher a americana para continuar no programa, ficou a expectativa pelo peguei para Kynnie. O suspense foi crescendo (este é o exemplo perfeito de como se edita uma batalha) de modo tão intenso que quando Daniel finalmente apertou o botão houve quase que uma catarse, tamanha a emoção que se instalou ali. Foi bonito de se ver e mostra que quando a equipe técnica do programa quer trabalhar direito, eles entregam coisa boa.

Lui Medeiros e Deena Love

E por fim a batalha mais esperada até aqui, entre os fortíssimos candidatos Deena Love e Lui Medeiros, que fizeram uma maravilhosa interpretação de Nada Mais (Lately). Os dois foram tão bem que não importava quem seria o vencedor, pois era certo que o outro seria salvo por algum outro técnico. Deena foi escolhida como vencedora e Lui foi salvo, mas o que chamou mais atenção aqui foi a reação de Tiago Leifert, que chorou bastante emocionado com o peguei de Claudia Leitte. Já havia falado no texto de estreia da terceira temporada que gostaria de ver mais o Tiago se importando com os candidatos. Bem, está ai; neste episódio ele foi um destaque à parte, e foi bem emocionante vê-lo comemorar as vitórias dos vencedores e se entristecer com as derrotas dos derrotados. Que ele continue assim.

O The Voice Brasil continua semana que vem, mostrando para o público suas qualidades (que são várias) e seus defeitos (que não são poucos). Ainda assim, o reality show permanece como uma das melhores opções da televisão aberta no Brasil.


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