Declame para Drummond: os poemas mais significativos de Carlos Drummond de Andrade
Literatura

Declame para Drummond: os poemas mais significativos de Carlos Drummond de Andrade

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Declame para Drummond

“Anseios, ensaios e insights em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade.”

Por Elenilson Nascimento

Pedi a 20 amigos — escritores, professores, atores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Cada um poderia indicar apenas um poema. Coincidentemente, não houve tantos votos repetidos, o que só evidencia a grandeza e a vastidão da obra do poeta mineiro. Entre os poemas escolhidos estão: “A Máquina do Mundo”, “Congresso Internacional do Medo”, “Poema de Sete Faces”, “Tarde de Maio”, “Canção Final”, “Quadrilha”, “No meio do caminho” e, claro, “E agora, José?”. Desde de 2011, Drummond ganhou o “Dia D”, inspirado no Bloomsday, o dia dedicado ao escritor irlandês James Joyce. A data, 31 de outubro, aniversário do poeta, é comemorada no Brasil e em Portugal.

Aqui no Brasil, por exemplo, um projeto “Declame para Drummond” tem chamado muito a atenção. Realizado desde 2010 – por brasileiros espalhados por este vasto mundo – o projeto já levou milhares de poemas de autores homenageando Drummond para o meio do caminho de leitores desconhecidos. Além de homenagear o poeta mineiro, o projeto é uma forma colaborativa de circulação de poesia autoral.

Drummond figura entre os maiores poetas por ter renovado a literatura brasileira do século XX com maestria e criatividade. Influenciado pelos modernistas de 22, redesenhou a cena poética tupiniquim, a partir de 1930, com o seu livro “Alguma Poesia”. Com habilidade e perspicácia, conseguiu retirar as pedras do meio do caminho literário, fato que possibilitou um grande salto qualitativo na poesia brasileira contemporânea.

E se no meio do caminho havia um poema… Se o mundo de Drummond era vasto, a amplitude do horizonte da internet é o cenário perfeito para se encher de poesias. E o “Declame para Drummond”, organizado pela poetisa e produtora cultural Marina Mara, nesse ano de 2014, conseguiu reunir 180 poetas para promover a poesia, contrariando os que defendem somente os mitos – os que se acomodam nas suas cadeiras seculares – e levando a sério o dito de que a poesia é a “crítica da vida”, poetas como Elenilson Nascimento, Claudio Oliveira, Ieuler Albernaz Viana, Almandrade Andrade, Antônio de Pádua Elias de Sousa, Vivian de Moraes, Geraldo Trombin, Wilson Quintaneiro, Daniel Moreira, Nilva Souza, Lorraine Paixão Lopes, Ian Viana, Karina Gercke, Lília Diniz, entre muito outros, criaram não só poemas que chegaram (ou não) na memória afetiva dos leitores, transitando também por caminhos improváveis.

A famosa numeróloga baiana Rosa Cristinna Campos interpretando o Poema Amaldiçoado de Elenilson Nascimento

E em algumas capitais, além das poesias de Drummond, os versos desses autores ainda anônimos, no meio dessa agitação de informações que se tornou a internet, o ofício de pensar, de pressionar sentido sobre o mundo, foi a ocupação e preocupação constante desses poetas em homenagem ao mestre, onde, como disse a organizadora do projeto: “O importante é deixar poesia no meio do caminho”, em referência a um dos mais famosos poemas de Drummond.

E neste ano, onde Drummond faria 112 anos, essa edição do projeto “Declame para Drummond” soltou 180 balões brancos com as poesias dos 180 poetas participantes pelos céus; realizou saraus; distribuiu poemas nos semafóros, esquinas e de porta em porta; foi nas escolas, clubes, bares e puteiros; nas praças; nas casas de granfinos e malocas, nas gramas com cangas e onde mais a poesia nos levar, considerando, mais uma vez, poemas como matérias vivas de consciência, sem os gêneros que classificam, os esquemas que reprimem e os academicismos que exaltam o mais do mesmo no chá das cinco na ABL. “E os poemas autorais de tema livre ganharam as ruas do Brasil e algumas de Portugal e Japão amarrados a balões brancos”, completou Marina Mara.

Drummond ocupa lugar de destaque, pois legou uma obra de valor inestimável, marcada pela relevância intelectual e riqueza humana. O lançamento do projeto “Declame para Drummond” se deve ao reconhecimento de sua importância para o país, tendo conseguido aliar o respeito da crítica à admiração dos leitores. Nascido em Itabira, Minas Gerais, Drummond se consagrou por meio de uma vitoriosa carreira literária, somente interrompida em 1987, com seu falecimento aos 84 anos. A obra do poeta constitui parte importante do acervo cultural brasileiro, e segue ocupando papel significativo na vida cultural do país. Drummond consegue extrair poesia de acontecimentos banais, corriqueiros, gestos ou paisagens simples; seu nome está associado ao que se fez de melhor na literatura brasileira – e, nós poetas, seguimos o seu exemplo. Em face do seu alcance universal, a poesia de Drummond é também veículo de difusão da cultura nacional no exterior, já que o escritor tem livros publicados em diversas línguas. #Drummond #LiteraturaClandestina

E Agora, José? – Clipe e música produzidos por Rafael Clodomiro para a poesia de Drummond

O projeto Declame Para Drummond em Alte, Loulé – Portugal

Galeria de Imagens

 

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Culturale possui o excelente blog Literatura Clandestina


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