Crítica The Voice Brasil: o final das batalhas
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Crítica The Voice Brasil: o final das batalhas

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Vinícius Zanin e Leandro Bueno

Último programa de batalhas foi marcado por ótimos duelos e pela impossibilidade dos candidatos perdedores serem salvos 

Antes de tudo, uma rápida reflexão sobre os prós e os contras da estrutura do The Voice Brasil da Rede Globo. Nos Estados Unidos, o programa musical se passa na rede NBC, que está longe de ser a maior do país. Por isso o The Voice é a maior atração do canal, tendo todo o destaque possível, com duas temporadas por ano e passando até mesmo três vezes na semana. Isso permite que cada episódio seja bem trabalhado, com tempo suficiente para contar a história de cada um dos candidatos e para mostrar os bastidores do programa, além dos ensaios dos cantores. Esse esquema ajuda o espectador, que se sente cada vez mais intimo dos candidatos e assim eleje mais facilmente os seus favoritos.

No Brasil, o programa, por mais destaque que tenha, é só mais um na grade de programação da Rede Globo, que detém a hegemonia no horário nobre já há muito tempo e não corre nenhum risco imediato de perder a liderança no horário das 20 às 23 horas. Assim, o The Voice é exibido somente em um dia na semana e com 1 hora e meia de duração (lá um episódio dura 2 horas). Isso faz com que a edição recorte muitas partes interessantes, como os ensaios ou as histórias dos candidatos. Esse é um ponto negativo que é contraposto pelo fato de aqui a possibilidade do reality cansar o público é bem menor, já que sempre fica o gosto de quero mais em quem assiste.

Se a Globo buscasse um meio termo nesta situação, o The Voice Brasil certamente se transformaria na maior febre da televisão brasileira, pois potencial para isso o programa possui. E o último episódio das batalhas prova esta ideia.

Fim das batalhas
A primeira constatação a se fazer deste último episódio tem a ver com o enorme erro de todos, sobretudo dos técnicos, em utilizar todos os roubos (peguei) nas semanas passadas e por isso termos um programa inteiro sem a mínima possibilidade de algum candidato derrotado ser salvo. Isso foi de um anticlímax absurdo que deve ser evitado ao máximo nas próximas temporadas. É algo tão básico, que incomoda o fato de não terem pensado nisto. E por isto vimos grandes nomes serem sumariamente descartados do programa, sem ao menos despedirem, já que a edição não deixou os derrotados falarem nada.

A primeira batalha, entre Gabriel Silva e Edmon Costa, já teve uma atmosfera épica, principalmente pelo poder vocal de ambos, mas também pela música, um clássico de Bill Withers, Ain’t no Sunshine. A música permite que um cantor despeje todas as armas vocais e comportamentais, e foi exatamente isso que aconteceu. Gabriel, bem mais explosivo, acabou levando a vitória.

Twyla e Paulo Soares

Outro duelo interessante foi entre Leandro Bueno e Vinícius Zanin. Eles cantaram Counting Stars, do OneReblubic, mostrando que Claudia Leitte (a técnica da dupla) é de longe a mais antenada dos coaches. Apesar da canção já ser um tanto manjada nas outras versões, ela é uma poderosa representante do universo pop rock atual. E a canção mesmo não ajudando muito Leandro, que possui um dos falsetes mais agradáveis do programa (provavelmente o melhor), ele saiu-se vencedor e seguirá para a próxima fase sendo um dos candidatos com maior potencial de crescimento.

A disputa entre a dupla Kiko e Jeanne x Flavinha e Léo, que tinha tudo para sair uma bagunça só, surpreendentemente foi bem agradável aos ouvidos, e isso se deve integralmente ao trabalho de Luiza Possi, que conseguiu harmonizar as quatro vozes, dando espaço para que todos se destacassem, mas sem prejudicar a apresentação da canção. Kiko e Jeanne foram os escolhidos por Daniel.

A apresentação seguinte também merece destaque, não pela qualidade dos candidatos, mas sim pelo trabalho do assistente Di Ferrero, que vem fazendo muito bem o seu trabalho, dando bons feedbacks e principalmente, demonstrando um comprometimento muito grande com a proposta do programa. Se houvesse a necessidade de fazer um ranking dos melhores assistentes, eu diria tranquilamente que ele só perderia para Luiza Possi. E foi notória a displicência dos candidatos Paulo Soares e Twyla. No fim das contas, a cantora com voz rasgada e perfomance explosiva venceu a batalha.

O duelo de Karina Duque Estrada e Millane Hora foi um dos mais belos da temporada e a interpretação que ambas deram a canção Bilhete foi de extrema sensibilidade. Entretanto não pareceu um duelo, nem batalha, mas sim duas apresentações separadas de uma mesma canção. Foi lindo de se ouvir, mas difícil para julgar. No final, Claudia escolheu Milane, que segue para a próxima fase. Em uma situação normal, Karina certamente seria roubada por outro técnico. Mas não no The Voice Brasil desta semana…

Karina Duque Estrada e Millane Hora

Uma enorme surpresa do episódio, que merece atenção e muitos fãs, é a cantora Hellen Lyu. Seu timbre é, de longe, o mais diferenciado desta temporada, e um dos mais bonitos. E ela, por sorte e competência, conseguiu mostrar na sua batalha todas as qualidades de sua voz, e como não poderia deixar de ser, foi a escolhida de Carlinhos Brown.

Para fechar a fase de batalhas, uma das mais estranhas já vistas até aqui: uma dupla sertaneja e uma cantora pop cantando Será, mega hit da Legião Urbana. Por mais estranho que possa parecer, foi até divertido ver a apresentação deles, mas ficou bastante nítido a vibe karaokê que foi jogada na canção. A cantora, Paula Marchesine, foi a escolhida de Brown.

O The Voice Brasil dá adeus à fase de batalhas e agora o público do programa terá mais tempo para conhecer os candidatos que seguem para a próxima fase. Com uma edição mais dinâmica que a das últimas temporadas, o reality show vem provando que ainda tem muita madeira para queimar e ainda está longe de cansar sua base de fãs.


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