Crítica Dupla Identidade oitavo episódio: meio Ted Bundy, meio Hannibal
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Crítica Dupla Identidade oitavo episódio: meio Ted Bundy, meio Hannibal

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Dupla Identidade episódio Oito

Serial killer da série global escancara suas referências em episódio que afunila de vez a história; preparação para o final segue a passos seguros

Desde o primeiro episódio que os espectadores de Dupla Identidade procuram listar as referências usadas por Gloria Perez para construir o seu protagonista. O primeiro nome que surgiu foi o de Dexter Morgan, provavelmente por se tratar do serial killer mais famoso do mundo das séries de televisão. Logo depois foi escancarado para o público que Edu era uma reprodução quase que integral de Ted Bundy, um dos assassinos em série mais cruéis da história americana, que foi condenado à cadeira elétrica e executado em 1989.

Com o passar dos episódios fomos observando elementos de outros assassinos, era como se Edu (Bruno Gagliasso) fosse um estudioso da profissão e buscasse se utilizar das melhores influências para construir sua psicopatia. No oitavo episódio, em uma das cenas finais, a mais chocante até aqui, nos deparamos com uma cabeça guardada em seu freezer. Notem que um pouco antes a câmera fecha um plano detalhe em Edu saboreando uma fatia de presunto. As possibilidades de interpretação são variadas, e uma delas pode levar o serial killer de Gloria Perez a se aproximar cada vez mais de Hannibal, o assassino que comia (literalmente) as suas vítimas.

Esta não seria a única similaridade entre os dois. Quem assiste a série Hannibal, ou quem viu a série de filmes que teve como obra-prima máxima O Silêncio dos Inocentes, deve lembrar que há toda uma plasticidade, toda uma arte, nas mortes em questão. Edu vem intensificando nos últimos episódios esta perspectiva em suas caçadas, cada vez mais elaboradas e artísticas. O bom desta escolha do roteiro é que ficamos ainda mais fascinados com as cenas produzidas (todas muito marcantes) e no capítulo da última sexta-feira tivemos ótimos momentos.

Episódio
Já era esperado que aquele final bombástico do sétimo episódio fosse logo colocado em banho Maria, já que ainda era um tanto cedo para os personagens da série (digo Vera e Dias) descobrirem que Edu é o famoso assassino que vem aterrorizando as mulheres do Rio de Janeiro. Por isso grande parte dos 50 minutos da história foi dedicado ao trabalho de desconstruir tudo que foi jogado anteriormente. Para começar, Edu foi à casa de Ray (Débora Falabella) para se desculpar pelo seu não comparecimento ao jantar de noivado proposto por ele. Ao perceber que ela estava disposta a não perdoar, logo construiu uma história envolvendo sua mãe (pode até ser verdadeira a história).

Dupla Identidade episódio Oito

Assim, Ray – quase que automaticamente – se jogou no outro extremo de sua personalidade: pediu desculpas por desconfiar dele e retornou ao seu estado de felicidade intensa. Daí, nada mais normal que ela ir à delegacia e desmentir pessoalmente as acusações que fez para Edu em momento de raiva. É interessante perceber que Ray é uma personagem tão complexa que somente uma grande atriz como Débora Falabella poderia dar credibilidade ao seu confuso comportamento. Ela tem sido a personagem que mais cresceu na série, e perde por bem pouco para Edu no quesito fascinação.

No geral, o último episódio de Dupla Identidade caminhou a passos lentos e não desenvolveu quase nada em seus 30 minutos iniciais. O encontro de Edu com a filha de Dias não aconteceu, bem como a descoberta de Edu como assassino. Vera e Dias também não avançaram em sua confusa relação, mesmo que a tendência ainda seja a do delegado largar a sua esposa e terminar a série ao lado da personagem interpretada por Luana Piovani.

No núcleo político, estamos observando Edu cada vez mais ganhar notoriedade como suplente de Otto na corrida para o Senado, e isso vem acontecendo como um paralelo bem inteligente do roteiro para mostrar que o que move o serial killer é o sentimento de poder. Marisa Orth enfim ganhou um espaço mais digno e talvez seja uma interessante peça para o desfecho da história.

Já mais para o final, a trama engrenou, sobretudo pelo incansável trabalho de Vera para descobrir quem é o assassino. E foi muito satisfatório perceber que pistas deixadas em episódios passados foram usadas para Vera chegar até a ONG que Edu trabalha. Este tipo de link que a produção faz deixa a série cada vez mais interessante do ponto de vista narrativo. Ao chegar à ONG, o passo seguinte era quase que automático: chegar a Edu. Entretanto, será um erro acreditar que o serial killer será pego já na próxima sexta-feira, primeiro porque provavelmente este grande encontro entre Vera e Edu só aconteça de fato no último, talvez penúltimo episódio da temporada.

Dupla Identidade episódio Oito

Fora isso, uma das cenas finais, com Edu abrindo o seu freezer e dando de cara com uma cabeça congelada, mostra que ele ainda estará em atividade pelos próximos 15 dias, já que a sequência é um flashforward (evento ocorrido num futuro). Fica então a curiosidade em saber como o roteiro irá preencher esta lacuna temporal.

Sobretudo pelo fato da sequência final dar a entender que a sorte de Edu chegou ao fim. Pela primeira vez na história ele deixou uma vítima escapar, e logo em seguida – para completar a maré de azar – seu carro foi parado pela polícia. No gancho deixado pela direção do episódio ele fica prestes a ter que se explicar na delegacia, porém acredito que o Senador Otto entrará em cena e conseguirá abafar o caso, dando uma sobrevida ao assassino. Fica a expectativa para que isso realmente aconteça.

Dupla Identidade chega ao seu oitavo episódio se consolidando como uma ótima opção para os amantes das séries. Ela vem sendo – muito provavelmente – a que mais instiga seu público a comentar, a conversar. A última experiência parecida aconteceu com a saudosa Avenida Brasil. Cabe a série de Gloria Perez continuar com o bom ritmo e não deixar o trem descarrilar logo em seus momentos finais.


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