Entrevista com o escritor Augusto Alvarenga
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Entrevista com o escritor Augusto Alvarenga

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Augusto Alvarenga

“Eu não vejo problema em ser “classificado” como autor para um determinado público. A literatura é livre e logo, os leitores.” (A.A.)

Por Elenilson Nascimento

A leitura tem oferecido ao homem uma infinidade de possibilidades para sociabilizar-se com os demais. Proporcionando também a oportunidade de acumular conhecimentos à medida que sua leitura progrida. O relacionamento do homem com o livro, a melhor ferramenta condutora de conhecimento, deve começar desde cedo. Mas, muitas vezes, nem a escola nem a família incentivam. E mesmo que esse relacionamento seja “passional”, haja vista que todas as crianças, para compreender como as coisas funcionam, sentem a inevitável necessidade de “desconstruir” as coisas que têm em mãos. Sendo assim, os livros não haveriam de escapar a esse destino.

Dessa forma, Augusto Alvarenga, autor de “Um Amor, Um Café & Nova York”, num bate-papo (quase monossilábico), onde falou sobre a ideia de lançar um livro e como tudo começou: “Eu sempre gostei muito de escrever, mas quando comecei fazia mais crônicas. Um dia, um amigo, que também escreve, disse que eu devia tentar fazer um conto. Atendendo a sugestão, ao tentar colocar as ideias no papel, esse conto acabou sendo o primeiro capítulo do livro que agora lanço”, informou. O autor disse se inspirar nos escritores, a brasileira Paula Pimenta e o americano Jonh Green, e revela que ter o livro publicado é bem mais que um sonho: “Na verdade, pra mim a ficha ainda nem caiu, é maravilhoso”, comemora. Mesmo assim, afirmou que não considera nenhum escritor leitura obrigatória.

Elenilson – Como surgiu o desejo de lançar um livro?

Alvarenga – Eu sempre gostei de escrever… Inicialmente eu escrevia crônicas e um amigo me pediu para fazer um conto que acabou se tornando o primeiro capítulo do livro… As pessoas que leram esse conto, pediram mais um, e mais outro, quando assustei, já tinha o livro pronto.

Elenilson – Como se sente com a receptividade das pessoas que leram a obra?

Alvarenga – Fico muito feliz quando as pessoas leem o livro e vem me dizer o que acharam. Geralmente, elas são todas muito carinhosas e receptivas, pedem pelo próximo livro e contam o que acharam do livro. É muito gratificante para mim ouvir da boca dos leitores o que eles acharam do livro.

Elenilson – Por favor, fale-nos um pouco sobre a sua obra “Um Amor, Um Café & Nova York”.

Alvarenga – O “Um Amor, Um Café & Nova York” conta a história da Camila, uma garota belorizontina de 18 anos que ganha do namorado (Guilherme) uma viagem de um mês para Nova York, e ela fica muito feliz pois esse é um dos grandes sonhos dela (ir para NY). Chegando lá, eles passam a viagem toda conhecendo os pontos turísticos e realizando sonhos, até que no finalzinho da viagem algo acontece e os obriga a tomar uma decisão que vai mudar para sempre a vida do casal. O livro também tem uma trilha sonora (uma música em casa capítulo), então é possível ler escutando as músicas e se sentir um pouquinho mais na viagem…

Elenilson – Você pode compartilhar com a gente alguma lembrança da época da juventude com um livro importante/ impactante para você?

Augusto Alvarenga

Alvarenga – Um livro muito importante pra mim (que me fez voltar a ler depois de um bom tempo) foi “Jogos Vorazes”… Por isso, tenho um carinho muito grande! Uma amiga me mandou lê-lo, e depois dele, vieram muitos outros livros deliciosos e me joguei de volta nesse universo incrível!

Elenilson – Está enganado quem acha que idiotas não leem. A verdade é que boa parte da literatura está voltada para eles, que tratam de transformar autores sem talento em multimilionários. Como você encara isso?

Alvarenga – Não encaro de forma negativa. Não vejo de forma alguma os leitores como idiotas: acho que existem inúmeros tipos de literatura e inúmeros tipos de autores, logo, algum autor encontrará seu público e vice-versa. Se as pessoas estão lendo, sonhando, escrevendo e comprando livros, tudo bem por mim. O importante é ler.

Elenilson – Schopenhauer já dizia que “quem escreve para os tolos encontra sempre um grande público”. Qual o seu cuidado com os suas linhas para não ser classificado como autor para um determinado público?

Alvarenga – Eu não vejo problema em ser “classificado” como autor para um determinado público. A literatura é livre e logo, os leitores. Se há algum tipo de leitor que se importa ou se identifica mais com meus livros, estou feliz por isso. Consegui tocar alguém.

Elenilson – A liberdade de publicação de biografias tem gerado grande polêmica desde o início de 2013, quando o grupo Procure Saber – integrado por Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Djavan, entre outros artistas, e presidido pela ex-mulher de Caetano Paula Lavigne – passou a defender a proibição de obras não autorizadas pelos biografados ou por suas famílias, em caso de morte. Como você vê essa pendenga?

Alvarenga – Bom, acho que precisamos ver os dois lados: sempre que alguém morre, há dezenas de autores produzindo biografias com informações (muitas vezes) imprecisas sobre o “morto”, o que eu vejo como uma simples e direta forma de ganhar dinheiro. Acho isso mórbido. Se for de interesse da família que um livro do tipo seja lançado, cabe a eles decidir. Ao mesmo tempo, tais pessoas se tornaram públicas, então precisam lidar com todo tipo de coisa, mesmo depois de mortos (risos).

Elenilson – O que é mais difícil na vida de escritor?

Alvarenga – Não sei qual é a parte mais difícil. Provavelmente, encontrar uma editora. Não há nada fácil: escrever não é fácil, divulgar não é fácil… Mas quando se faz o que gosta, pula-se as barreiras e corre-se atrás dos sonhos.

Elenilson – O que mais você gosta de fazer, além de escrever?

Alvarenga – Ir ao cinema, acho que é o que mais gosto de fazer.

Elenilson – Vejo com muita desconfiança a falta de participação dos autores brasileiros com relação aos problemas sociais. Não vejo nenhum autor se manifestando com relação ao assistencialismo barato do governo petista muito menos aos desmandos da presidenta Dilma. Porque os formadores de opinião não se expressão e saem um pouco das suas áreas de conforto?

Alvarenga – Acho complicado tomar esse tipo de partido pois as pessoas são muito intolerantes. Diz-se vivermos em uma democracia, mas é óbvio que não é por aí. Nas últimas eleições, vimos um caótico “combate” entre eleitores, o que acho absurdo. Cada um tem o direito de votar em quem quer, além do que, os votos são individuais e “secretos”. Logo, é preciso respeitar o ponto de vista do outro, por mais divergente que o mesmo seja do seu. Tomar um partido pode significar tomar um lado em uma “luta” infundada e desnecessária.

Elenilson – O que te motiva a trabalhar com livros, sabendo que no Brasil as pessoas não dão muito valor à literatura?

Alvarenga – O que mais me motiva é ver as pessoas dando cada vez mais valor. Meu objetivo (e o de muitos outros) como escritor é mostrar para cada vez mais pessoas que ler é divertido e prazeroso. Se eu despertar o interesse da leitura em alguém, me considero realizado.

Elenilson – No processo de criação, o que considera mais difícil: determinar os rumos da história, escrever o texto de forma clara ou apresentar os personagens com concisão e profundidade?

Augusto Alvarenga

Alvarenga – Tudo no processo é difícil. Tudo existe e funciona na sua cabeça, o mais complicado é passar isso pro papel de forma que tudo funcione na cabeça dos leitores também.

Elenilson – Em “”Um Amor, Um Café & Nova York”, você se baseou em uma experiência real? Como foi vivenciar esse universo? Alguma coisa em especial chamou a sua atenção no processo de criação do livro?

Alvarenga – Não me baseei em experiências reais, pois nunca fui à Nova York, por exemplo. Me baseei em sonhos, e é o principal assunto do livro.

Elenilson – Está envolvido em algum novo projeto literário?

Alvarenga – Estou trabalhando na continuação deste.

Elenilson – Qual escritor considera de leitura obrigatória?

Alvarenga – Não considero nenhum escritor obrigatório: Obrigatório deveria ser que as pessoas lessem. O que lhes agradar é obrigatório ler.

Elenilson – Como você vê o investimento na literatura nacional?

Alvarenga – Graças a Deus, está crescendo. Era muito complicado e restrito, mas agora há cada vez mais leitores, escritores e editoras interessadas em literatura nacional, o que é delicioso!

Elenilson – Augusto, favor deixar uma mensagem aos jovens escritores.

Alvarenga – Nunca parem de escrever, de procurar editoras, de sonhar. Uma hora vai acontecer, alguém vai ler e acreditar no seu trabalho e vocês terão a realização de um sonho tão lindo e importante. Obrigado!

Elenilson Nascimento – dentre outras coisas – é escritor, colaborador do Cabine Cultural e possui o excelente blog Literatura Clandestina


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