Crítica Se eu Ficar: filme potencializa dramas estrelados por adolescentes | Cabine Cultural
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Crítica Se eu Ficar: filme potencializa dramas estrelados por adolescentes

Se eu Ficar

Se eu Ficar

Filme adaptado do bem sucedido Best Seller chegou aos cinemas prometendo emocionar; resultado é bom 

Por Luis Fernando Pereira

No filme Se eu Ficar, história baseada no romance de Gayle Forman, Mia, interpretada pela atriz Chloe Grace Moretz, está em coma; seus pais e irmão acabaram de morrer no mesmo acidente de carro que a vitimou; ao seu lado na UTI sua melhor amiga, o seu namorado e seus avós. Talvez ela não esteja no controle da situação, mas… E caso realmente estivesse, o que escolher? Deixar o corpo sucumbir e perder toda uma vida de novas experiências, namorados, filhos, amigas… ou lutar pela vida, mesmo sabendo que, sem seus pais e seu irmão, esta vida deixaria de ter sentido? Essa suposta escolha é o elemento que de alguma forma carrega a história durante suas quase duas horas de duração.

Existe um princípio no campo da crítica cinematográfica, que é até bem básico: analisar um filme adaptado (de livro, série, game…) como produto único, sem fazer qualquer tipo de comparação. Porém, lendo o livro que deu origem ao filme, percebo as escolhas que o roteiro tomou, e suas conseqüências para o bom (ou não) andamento da trama. No livro, por exemplo, há toda uma construção de vínculo familiar que faz Mia ser um elemento importante dentro de um núcleo poderoso, que é sua família: pai, mãe, irmão, avô e avó. São muitas histórias, inúmeros detalhes comportamentais, uma quase jornada vivida pela garota com o seu avô.

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Porém, no filme, estes detalhes se perdem, e por conta disso a emoção é diminuída e somos menos tocados pelas cenas. Era fácil perceber que o grande personagem de Se eu Ficar é a família, e como eles são importantes um para o outro. Um pai (Joshua Leonard) e uma mãe (Mireille Enos) que largam tudo pela filha não deve ser um elemento deixado de lado.

Eles deveriam ser mais usados, até porque os grandes destaques do filme são justamente os pais da garota. Mireille Enos, que vinha de um trabalho espetacular da série The Killing, se mostra tão carismática e talentosa que suas cenas ganham destaques mesmo que elas sejam secundárias ou banais, como quando Mia lhe pergunta um exemplo de roqueira sexy.

Se eu Ficar

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Seu pai, que é uma versão adulta de seu namorado Adam, é aquele rock star que teve que crescer, amadurecer e mudar de vida para educar seus filhos, sem, no entanto, perder a áurea rocker. Outro destaque. Seus avós, que são figuras peculiares e bem importantes no livro, aqui perdem espaço. A viagem que Mia faz com seu avô rumo a São Francisco é engrandecedora, porém o roteiro decidiu resumi-la ao momento em que ele abre a porta e observa – emocionado – a audição da garota.

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Chloe Moretz e Jamie Blackley (que interpreta seu namorado Adam) formam uma dupla até interessante, mas pouco carismática. A tal química existente entre os dois bate na trave, mas não chega a marcar gol algum. São atuações, que por mais corretas que sejam, são desprovidas de entrega, de uma emoção natural. Talvez seja característica dos personagens, mas o fato é que a grande dupla de Se eu Ficar é formada pelos pais de Mia.

Entretanto eles protagonizam lindas cenas juntos e a saga dos dois tem um grande potencial, pois ambos são talentosos. Há uma sequência onde Mia toca com Adam (e outros amigos) uma linda versão de Today, canção dos Smashing Pumpkins, que vale a entrada do cinema, ou a locação do DVD. A relação que eles possuem com a música consegue, ao menos no filme, ser muito mais poderosa que a relação deles mesmos.

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Uma acertada escolha do roteiro foi seguir a mesma estrutura do livro, que ora conta a história de Mia no coma – e sua ‘alma’ vagando pelo Hospital – e ora conta, através de flashbacks, suas histórias passadas, sua relação com a grande amiga Kim (Liana Liberato), o namoro com Adam… este formato deu uma dinâmica maior à trama e deixou menos didática a narrativa.

Se eu Ficar

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Se eu Ficar traz uma premissa que nos faz pensar. É difícil não se vê refletindo sobre sua vida, sobre o que faria se fosse você ali se tivesse de fato essa escolha de viver ou morrer. A história é recheada de momentos alegres mas a cereja deste bolo é bem triste, se pararmos para pensar. A última cena, quando vemos sua suposta decisão sendo tomada, abre um leque para a continuação da história, que como disse, tem um grande potencial de crescimento daqui pra frente. Só nos resta esperar. Essa é uma escolha que podemos fazer e que não nos trará nada de mal.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site




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