Crítica Ouija - O Jogo dos Espíritos: terror no melhor estilo americano | Cabine Cultural
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Crítica Ouija – O Jogo dos Espíritos: terror no melhor estilo americano

Ouija

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Filme é o típico terror com estrelas jovens de Hollywood e clichês comuns aos adolescentes americanos; mas é bom

Por Luis Fernando Pereira

Tal como a boneca Annabelle, o jogo de tabuleiro Ouija também saiu de pequenas pontas em outros filmes de terror para ter uma história somente sua para ser contada. O resultado é um terror que, por mais clichê que seja, agrada aos fãs do gênero, que por sinal passou por um ano de vacas bem magras.

Na história, acompanhamos Laine, interpretada pela bela Olivia Cooke, da série de suspense Bates Motel, que após o suspeito suicídio de sua melhor amiga, reúne um pequeno grupo de amigos para tentar se comunicar com a garota através do jogo de tabuleiro Ouija. Sua intenção é – além de matar de alguma forma a saudade – descobrir se houve algo por trás de seu aparente suicídio. Os problemas começam quando as respostas começam a vir, e eles percebem que não estão mais sozinhos na casa.

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A partir de então a história ganha elementos de muito suspense e mistério, principalmente quando Laine sai em busca de respostas para o que pode ter acontecido com a melhor amiga. Além disso, o filme entra numa atmosfera parecida com a do saudoso filme Premonição, quando a ‘morte’ acaba perseguindo um grupo de pessoas que se salvam de algum acidente (ou algo do tipo). Em Ouija vemos a ‘entidade’ ir atrás do grupo de amigos que buscou contato, e transformar alguns deles em vítimas fatais.

Ouija: o Jogo dos Espíritos traz como grande destaque a atuação de Olivia Cooke. A garota, que já foi uma agradável surpresa na primeira temporada da série Bates Motel, aqui encarna uma personagem inteligente, destemida e que faz de um tudo para descobrir o que realmente aconteceu com a melhor amiga. Além de bela, a menina se mostra extremamente talentosa, e se souber escolher bem os próximos projetos, poderá ser um bom nome para o mercado de atrizes em Hollywood.

Ouija

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A direção de Ouija foi do diretor estreante Stiles White, que já assinou roteiros de filmes como Possessão e Presságio, ou seja, não havia certeza alguma de que ele acertaria a mão com este filme de terror. O resultado surpreende, não pelo fato do filme ser uma obra-prima, o que definitivamente não é, mas por entregar uma história simples, bem contada e sem aparentes furos de roteiro. O clima de suspense que ele joga nas cenas dentro da casa da amiga morta é digno de aplausos, e de fato assusta o espectador por vezes.

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Cenas como a do sótão, quando Laine descobre fotografias dos antigos moradores, tem uma atmosfera de suspense bem crescente, e neste caso, a fotografia e a trilha sonora ajudam bastante a criar um clima de terror, para a personagem, e para que está assistindo. Assim, Ouija: o Jogo dos Espíritos acaba sendo bem sucedido na proposta de entreter o público, e assustá-lo com uma história que mais parece uma lenda urbana.

Este é o grande barato da premissa do filme: podemos imaginar isso acontecendo conosco, se por algum acaso tivéssemos um tabuleiro destes em casa. Este é o melhor tipo de terror, aquele que conseguimos imaginar uma ponta de verdade, ou de real possibilidade. Somente esta sensação já faz com que a história ganhe pontos no quesito susto e suspense.

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Ouija é uma boa dica de filme para o gênero terror. Foi lançado nos Estados Unidos na época do Dia das bruxas, o que trouxe um clima ainda mais oportuno para uma ida ao cinema. Mas, mesmo sem o Halloween, vale a pena dar uma olhada, principalmente para prestigiar a atriz brasileira (de descendência brasileira) Bianca A. Santos. Bons sustos.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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