Crítica The Voice Brasil: rumo às semifinais
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Crítica The Voice Brasil: rumo às semifinais

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Lui Medeiros

Top 12 do reality consolidou a condição de favoritos de quatro candidatos, público tem cada vez mais poder na terceira edição

Por Luis Fernando Pereira

O episódio da última semana do The Voice Brasil deixou uma impressão bem clara: se depender do público, a final do programa já está acertada, pois cada equipe possui um candidato que está consolidado como o escolhido do público e o outro, salvo alguma novidade surja, está fadado a deixar o programa nas semifinais, que por sinal irá ao ar nesta quinta-feira.

Entretanto, a produção, tentando equilibrar um pouco a situação, deu aos técnicos algum poder de decisão também. Talvez isso mude alguma coisa, mas somente talvez, pois acredito que Claudia Leitte, Lulu Santos, Daniel e Carlinhos Brown desejem muito vencer o programa; então para isso acontecer eles devem seguir a vontade do público. E qual seria esta vontade? Bem, Leandro Buenno, Nonô Lellis, Kim Lírio e Romero Ribeiro estão com o público nas mãos e dificilmente perderão em votações para os outros de cada time. Mas surpresas acontecem.

E por mais que não gostemos do fato da decisão ser do público, devemos perceber que a versão brasileira é a que mais leva em consideração a opinião dos técnicos. Estamos quase nas semifinais e eles ainda tem algum poder para levar seus escolhidos à final. Nos Estados Unidos este poder acaba quando entra a fase ao vivo.

Pensando nas apresentações, é interessante perceber que todos os quatro escolhidos pelos técnicos foram superiores – vocalmente falando – aos quatro escolhidos pelo público. Estes quatro (cinco se contar com o fato de há uma dupla) são melhores tecnicamentes e possuem uma bagagem mais completa, porém, se pensarmos em mercado musical e no que se exige para chegar ao sucesso, eles perdem esta superioridade e acabam se igualando aos quatro queridos do público.

Kim Lírio Shows ao Vivo 2 (Foto Isabella Pinheiro Gshow)

Veja Jésus, o escolhido de Daniel, que cantou Palco, de Gilberto Gil. Apresentação sólida, sem erros em termos de tecnicas e com uma escolha de música perfeita. Porém, acabando o The Voice, Jésus provavelmente será mais um cantor genérico de MPB se apresentando Brasil afora, lhe faltando aquele algo mais que transforma um cantor normal em uma estrela da música. Já Kim Lírio (que cantou uma versão bem bacana de Iris, clássico dos anos 1990 do Goo Goo Dolls), mesmo com todas as suas limitações técnicas, possui aquele espírito comum às grandes estrelas da música. Se souber escolher um bom repertório, pode tranquilamente entrar bem na cena pop rock brasileira e ser bem sucedido.

Na equipe de Brown, a diferença é gritante, e esta constatação não é pelo fato de Romero ser um representante do pagode e Rose da MPB. Romero é uma espécie de showman, aquele cantor que entretém, que você assiste por horas em um desses programas dominicais, e que eleva a audiência destes mesmos programas. Porém, em termos vocais, ele é infinitamente inferior a Rose Oliver, que é uma artista tecnicamente pronta, quase parfeita, mas sem este brilho de estrela que o Romero possui. Nada mais natural que ele ser escolhido do público e ela de Brown.

Na equipe de Lulu Santos, Nonô Lellis dificilmente perderá a vaga, pois a sua base de fãs é extremamente grande e familiarizada com o trabalho de telefonar milhares de vezes para votar em uma música ou artista. Ela tem um potencial bem grande, e se bem lapidada pode se trasformar numa estrela da música pop brasileira. Ainda está verde e suas apresentações no reality provam isso. Sua interpretação de De Repente California foi bem mediana, enquanto que a dupla Danilo Reis e Rafael vem numa crescente impressionante e como dupla os dois estão entre as melhores que já passaram pelo programa.

Por fim a equipe de Claudia Leitte, de longe a mais forte desta competição. Pra se ter uma ideia, a eliminada da semana, Nise Palhares, era até pouco tempo favorita ao título. Os dois que ficaram, Lui Medeiros e Leandro Buenno, são muito bons em suas propostas. Lui Medeiros, que cantou The Long and winding Road, dos Beatles, merecia ganhar este programa somente por esta apresentação que beirou a perfeição e que mostrou todo o poder deste, que merece não só ir à final, como também chegar logo ao sucesso comercial e entrar nos ouvidos de milhões de brasileiros.

Leandro Buenno Shows ao Vivo 2 (Foto Isabella Pinheiro Gshow)

Porém seu concorrente, Leandro Buenno, que cantou mais uma música do One Republic, é provavelmente o artista mais universal do The Voice Brasil. Leandro, se bem assessorado, tem até condições de ganhar mercados fora do Brasil, pois ele é a cara da música pop gringa. Suas referências, seu estilo vocal, seus falsetes… tudo o leva para o mercado internacional. Um grande performer que tem tudo para ganhar o Brasil depois do programa.

O The Voice Brasil, já em sua fase final, apresentou qualidades que não vinha mostrando em suas duas primeiras temporadas. A edição está mais caprichada, Tiago Leifert está mais solto, e soltando umas tiradas engraçadas e inteligentes, o que é muito bom. As regras são interessantes, por equilibrar o poder de decisão e só falta a Rede Globo tomar a arriscada – confesso – decisão de ampliar a quantidade de episódios semanais do programa. O ideal seria, ao menos nas fases ao vivo, que tivéssemos um dia para apresentações e outro dia para divulgação dos resultados. Mas esta já é uma outra questão.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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