Crítica The Voice Brasil: surpresas nas semifinais da terceira temporada | Cabine Cultural
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Crítica The Voice Brasil: surpresas nas semifinais da 3ª temporada

Kim Lirio

Nonô Lellis e Leandro Buenno, dois dos grandes favoritos são eliminados no episódio que mais surpreendeu nesta temporada; justiça foi feita

Por Luis Fernando Pereira

A produção do The Voice Brasil tinha (provavelmente) a melhor das intenções quando criou a regra que divide os pontos dos candidatos entre os técnicos e o público, mas o fato é que desde o início tal regra estava fadada ao fracasso, o que realmente foi comprovado quando ela foi colocada em prática nas semifinais do reality, que aconteceu na última quinta-feira. Era óbvio que nenhum dos técnicos iria se indispor com seus candidatos, fora que eles querem vencer, então nada melhor que levar para a final o que a audiência decidir.

Assim, o programa de quinta ficou refém do público, e dos fãs clubes, que se organizaram de todas as formas para levarem os seus queridos para a final. E dos oito candidatos restantes, três específicos possuíam fãs clubes fervorosos e aparentemente gigantescos, que dominavam as redes sociais. Assim, nada mais natural que acreditarmos que Leandro Buenno, Nonô Lellis e Kim Lírio já estivessem com suas vagas garantidas na grande final do programa. Ledo engano. O público surpreendeu à todos e somente Kim Lírio conseguiu passar ileso deste terremoto de surpresas que foi o último programa.

A primeira batalha, entretanto, não envolveu nenhum deles, mas sim Rose Oliver e Romero Ribeiro. Rose é infinitamente mais técnica e poderosa vocalmente que Romero, mas é indiscutível que o cantor de samba e pagode teve um crescimento significativo nestas últimas semanas. E apesar de sofrer com o fato de canções de pagode não proporcionar grandes apresentações vocais, ele foi conseguindo, semana após semana, entreter o público e não falhar tanto na melodia. Era o que precisava. Rose poderia ter vencido tranquilamente a batalha, mas é inegável que o pacote oferecido pelo cantor cearense é mais completo comercialmente que o da cantora carioca.

Logo depois tivemos a primeira surpresa, não tão grande, mas ainda assim uma surpresa. A equipe de Cláudia Leitte, que sempre foi a mais interessante, chegou às semifinais com dois grandes nomes: Leandro Buenno e Lui Medeiros. Leandro possui um enorme potencial de crescimento e tendo boas pessoas em sua equipe pode se tornar um bom nome no mercado pop brasileiro. Mas ele ainda precisa crescer muito, e sua apresentação de quinta é uma prova disso. Ele ainda precisa encorpar bastante a voz, se impor como cantor e fazer de suas interpretações algo poderoso, o que de fato só aconteceu em sua apresentação às cegas. A música Animals, do Maroon 5, simplesmente o engoliu.

Lui Medeiros

Já Lui é um cantor completo, dono de uma personalidade simpática, uma voz marcante e tecnicamente é um artista em absurda ascensão. Desde as primeiras palavras cantadas por ele em sua última apresentação no The Voice Brasil, já sabíamos que era ele o merecedor da vitória. Ele envolveu todos em uma interpretação mágica, que só não conseguiu superar seu trabalho com a canção dos Beatles, no Top 12.

Os dois eram queridos do público, mas a base de fãs de Leandro era (e ainda é) muito maior, então estava mais que claro que Leandro seria o representante da equipe de Claudia. Por sorte (e por conta de uma enorme reviravolta) Lui Medeiros foi o escolhido pelo público e irá abrilhantar o programa da próxima quinta-feira.

Com a equipe de Daniel, a questão era um pouco diferente. Tínhamos Kim Lírio, outro favorito e possuidor de grande fã clube tal como Leandro, porém do outro lado o seu opositor, Jésus Henrique, podia tranquilamente ser considerado o mais fraco dos oito candidatos restantes. Então nem era preciso Kim fazer um excelente trabalho, pois sua vitória estava mais que encaminhada. E não deu outra, merecidamente Kim vai à final, representando o rock, com uma postura profissional, uma ótima presença de palco e escolhas musicais que ajudam o seu timbre. Em suma, uma justa vitória de Kim.

Por fim, a mais impressionante batalha da noite no The Voice Brasil, entre a dupla Danilo Reis & Rafael e a caçula do programa Nonô Lellis. Duas coisas eram mais que certas antes das apresentações: a dupla merecia (por tudo que eles passaram) chegar à final, e Nonô (por tudo que vimos em termos de resultados) de fato chegaria à final. Era quase que uma batalha de Davi e Golias, que coincidentemente teve o mesmo final da mítica história.

Nonô, por mais simpática que possa parecer, ainda está no início de sua jornada artística. Ela precisa ainda melhorar em muitos detalhes, como por exemplo, saber entregar uma apresentação vinda da alma. Todas as suas performances (exceto Breakaway) eram bem feitas, bem produzidas e até bem cantadas (algumas), mas nenhuma delas transmitia sentimento algum. Talvez o problema seja a língua, já que as escolhas da artista foram quase todas em inglês, mas o fato é que Nonô precisa trabalhar melhor sua entrega em um palco.

Danilo Reis e Rafael

Já a dupla chega à final como a grande surpresa, estando quase que no mesmo nível de Lui Medeiros. A voz de Rafael, como bem destacou Daniel, é uma das mais marcantes que já passaram pelo programa nestes três anos, e eles possuem potencial para serem protagonistas no gênero sertanejo nestes próximos anos.

Por fim, é bem interessante vermos Daniel com um representante rock na final enquanto que Lulu Santos briga para vencer com uma dupla sertaneja. Agora nos resta esperar à final do The Voice Brasil e torcer para que a produção capriche no último programa da temporada, pois a franquia The Voice é caracterizada por finais marcantes (a final da versão americana, que aconteceu semana passada, teve Bruno Mars, Kate Hudson, Ed Sheeran, dentre vários outros convidados especiais).

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site

UCI OrientCinemas

Uma resposta para “Crítica The Voice Brasil: surpresas nas semifinais da 3ª temporada”

  1. Estou torcendo por Lui, mas pensei que Leandro venceria. Foi realmente uma grande surpresa. Nonô é uma fofa, mas não fez as melhores escolhas musicais, principalmente quando cantou Crazy in love :(

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