Boyhood: perfeito, natural e dramático quando necessário
Cinema

Boyhood: todo perfeito, natural e dramático quando necessário

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Boyhood – Da infância à juventude

No final é como uma simbiose entre o real e o imaginário sobre o movimento da vida corriqueira e o crescimento do menino Mason

Por Marcia Bessa

Boyhood – da Infância à Juventude (EUA), direção do cineasta Richard Linklater (da trilogia Antes do Amanhecer), filme com proposta diferenciada, uma ideia inovadora para o cinema. Em 2002 o diretor iniciou as filmagens dos personagens desta história durante 12 anos, centrado na figura do menino  Mason, da sua infância até a sua juventude, um projeto ousado e arriscado com um final digno de obra de arte. Por sinal, Ellar Coltrane tem ótima atuação no papel do garoto Mason,  um investimento que deu certo.

Direção e roteiro perfeito, natural e dramático quando necessário, trilha sonora espetacular, músicas de uma década, de Paul McCartney a Lady Gaga; fotografia simples e natural, sem efeitos visuais; diálogos condizentes, mesclando drama com cenas divertidas.

Filho de pais divorciados, Mason (Ellar Coltrane) vive com sua mãe Olívia (Patricia Arquette) e sua irmã Samantha (Lorelei Linklater, filha do diretor). Mason tem que aprender a lidar com os namoros e casamentos de sua mãe e mudanças constantes de cidade, e também a ausência do pai Sr. Mason (Ethan Hawle), uma pessoa inconstante mas que procura sempre que possível seus filhos e deseja acompanhar seu desenvolvimento.

É incrível observar o tempo passar e o efeito real da idade e maturidade dos integrantes do filme, em um cotidiano normal de qualquer ser humano. Em especial de Mason e sua irmã Samantha é de impressionar, devido às mudanças físicas e emocionais nesta fase da vida. Em determinado momento a gente imagina que tudo aquilo realmente aconteceu, pela naturalidade e simplicidade, eis a fórmula perfeita deste projeto experimental  inédito no cinema.

É o tempo que passa com seus problemas, alegrias, frustrações, erros e acertos, como na vida de qualquer pessoa. Delicado e sensível mas sem apelos, que nos leva a refletir sobre a vida cheia de altos e baixos. O filme é a própria representação da vida, com seu fluxo e energia própria, com toda sua beleza, dificuldades e esplendor.

No final é como uma simbiose entre o real e o imaginário sobre o movimento da vida corriqueira e o crescimento do menino Mason. Observar a passagem do tempo nos rostos e atitudes da família  Mason, nos lembra o nosso próprio tempo e o que dele fizemos.

Um experimento intenso, perene e extraordinário dentro da própria simplicidade e cumplicidade da vida como ela é,  pelas luzes da sétima arte, de forma natural e sem maquiagem.

Marcia Amado Bessa é enfermeira e escreve para o ótimo blog CineAmado


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