Literatura: homenagem ao escritor Elenilson Nascimento
Literatura

Literatura: homenagem ao escritor Elenilson Nascimento

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Aniversário de Elenilson

O escritor e colunista do Cabine Cultural faz aniversário e internautas ilustres enviam suas mensagens de parabéns

Toca o telefone celular – aparelho que o escritor não gosta muito de usar. É só mais uma das dezenas de vezes que isso acontece nesse 13 de janeiro, na redação de um dos jornais onde ele escreve. Segue o diálogo:

– O Elenilson está?
– Elenilson está cobrindo uma peça na Casa do Comércio.
– Ah, bom saber…

Na outra ponta da conversa, quem procurava pelo escritor e jornalistas nas horas vagas eram amigos, admiradores e leitores. Todos aqui sabemos bem a rotina desse rapaz assumidamente apaixonado pelo trabalho e que, na ânsia de buscar boas histórias, permite-se esquecer de avisar onde está.

E para agradecer as dezenas de mensagens de carinho nas redes sociais e afins, ele manda um sinal de fumaça: “Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a ‘sentir’ algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos. Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Mas eu ainda acredito em amizades, mesmo que o meio onde eu ganho o pão esteja contaminado com tanta gente deslumbrada e sem atração. Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta. Agradeço aos amigos por todas as mensagens recebidas, vocês me deixaram muito feliz! Muito obrigado!” Segue abaixo algumas mensagens recebidas:

“Ao meu grande amor literário, Elenilson Nascimento, em seu aniversário. Te odeio por ter me vitimado com um tiro a queima roupa com essa vontade louca de não me encaixar em nada. Ao seu lado desaprendi os consensos. Fizemos juntos com um amor plácido feito de ódio, Fernanda e Frederico, nossos filhos mais estimados que lutaram, pulsaram e se tornaram gente real num livro.

Ao seu lado, exercitei uma parte da minha personalidade que se resguardava na ideologia mítica de adorar uma certa atriz global e, por assim ser, ser convencional demais para você, mas por te odiar tanto bebi no poço sem fundo da água suja endiabrada de poetas indefesos de suas próprias dores anárquicas. E conheci Rilke, Anne Scott, Ana Cristina César, Reinaldo Arenas, Rimbaud.

Por ódio a você criei um céu particular e feito de chuvas e de ventos por onde Amélia Earhart deve estar perdida com seu Lockheed Electra. Quem poderá dizer que ela está morta se o rito de passagem não se deflagrou. Como nós dois, ela deve estar abduzida num nicho do Triângulo das Bermudas, numa sociedade ideal e esteta, feita para gente de carne e osso demais onde os mitos não podem ser achados, se mortos, devem conservar seus mistérios a 70 metros abaixo do mar coberto por corais. Parem as prensas dos jornais porque um laureado veio para o mundo e vai dizer na cara desse placebo de felicidade mundana a conta-gotas que tudo é ficção, provinciano demais.

Em você, cara pálida, o niilismo cai sem ser esdrúxulo, sem um quê de lobotomia social. Não quero falar de seu aniversário porque seu talento não é etário, pois somente você para acabar com os devaneios de uma literatura virgem e encapsulada em sua própria arrogância e em medalhões que desovam mais do mesmo. Não cometerei a gafe de dar parabéns a você porque o meu ódio por você, não lhe engaveta em nenhum clichê ou adágio de debutante. Beijos, te odeio hoje e ao longo dos anos…” (Anna Carvalho, escritora)

“Quero que você nasça
de novo cada dia que nasce.
Quero que seja sempre novo,
puro, cristalino.
Quero que se lave,
cada manhã,
do homem velho,
da poeira velha,
das palavras gastas,
dos gestos rituais.”
(Pedro Wilson, poeta português)

“Minha indiferença & indolência diante desses equívocos sociais, diante dessas asneiras estéticas sobrepondo a inteligência e arte de conviver – Me estarrecem, todavia não mais me dizem respeito. Sigo o caminho de olhos bem atentos e de peito blindado. Ainda acredito no amor e na literatura de Elenilson Nascimento.” (Marco Antonio Villas, jornalista)

“EntreDentes
a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra explora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora”
(Artur Gomes, poeta)

“Existe uma força que o move, uma mão que o sustenta, um amor pela literatura que o alimenta e uma graça que o protege. Isso não é sorte, é bênção, é tê-lo na minha estante e na minha vida é sorte.”
(Maria Cristina Barcellar, jornalista)

“Pronto! Já é seu aniversário. Um dia sonhei dar um abraço apertado em você e até escrevi um poema para este encontro. Um abraço com o calor da gratidão que habitava meu coração em relação a você. Não deu. Não aconteceu. E até aconteceu o contrário quando vendo que não realizaria este abraço, deleguei uma missão a certas palavras de demoverem qualquer razão que pudesse estar dificultando este encontro, mas meti os pés pelas mãos e quase perdi de vez sua amizade. Já disse milhões de vezes que sou grata a você e serei eternamente. Você já deve estar enjoado de ler isto. Mas hoje é seu niver. Nós nos afastamos. Sou insegura demais para manter-me sua amiga. Enfim, tudo isto que escrevi é só pra vc acreditar que esteja vc onde estiver, estarei torcendo que encontre os melhores caminhos na sua vida. Que caminhe sempre na direção da luz e de bem cumprir sua missão nesta vida. Fiquei um tempo sem computador porque deu um vírus poderoso. Destruiu tooooodos meus e-mails de uns 10 anos pra cá. Neles eu tinha minha história de amizades como a sua. Havia guardado até hoje a primeira vez que nos falamos etc. Agora é o celular que bichou. Antes de bichar, li um poema seu que me deixou feliz, além de ter achado belo. Tanto, que fiquei sem palavras e até tive vontade de dizer isto. Mas o celu pifou logo depois e talvez não tenha tido tempo nem de clicar em curtir. Bom, mas, neste poema, vc fala de Deus. Vejo que você também está tentando acreditar em algo além disto tudo aqui que estamos vivendo. Isto, penso que é muito bom. Muda toda nossa forma de ver tudo. Principalmente as dificuldades. Beijo grande pelo niver! Saia com pessoas que te tragam alegria e sustância intelectual. Isto é muito bom . Um bom papo, uma boa farra!”
(Eliane Silvestre, poetisa e produtora cultural)

“Fecho os olhos, abro um livro seu e te trago pro meu mundo.” (Monagadelha, cantora)

“13 de janeiro, dia especial. Registra o nascimento de uma pessoa que faz a diferença. Parabéns meu querido escritor Elenilson Nascimento. Este é um grande dia, alegremo-nos nele. Muitas felicidades e muitos anos de vida. Beijo no seu coração.” (Jair Martins, poetisa)

“Elenilson querido, de cada dez pessoas que eu conheço, apenas uma fala de algum livro ou recomenda alguma leitura. Quem se deixa abraçar por um livro, sente o calor do enriquecimento pessoal, profissional, espiritual – uma riqueza que podemos multiplicar e que não nos tomam jamais. Voce é uma dessas pessoas. Muito obrigada! FELIZ ANIVERSÁRIO!”
(Norma Rangel, radialista)

“Feliz você, meu bom! Que haja sempre coragem e amor (daquele maior) em seus passos. Um abraço” (Ni Brisant, poeta)

“O que ainda se pode lançar nos muros do mundo? A arte, o pensamento, a palavra — e talvez, no exercício dela e na paixão do meu amigo Elenilson Nascimento por sua literatura, a sua palavra de poesia, porque é a menos sujeita às leis do mercado. A palavra faz sentir e faz pensar. Por esta razão, por exemplo, para o estado de ditadura social da hipocrisia em que nos movemos, a incultura e a falta de pensamento são úteis: porque uma pessoa que pensa é uma pessoa que questiona, que exige, que resiste. E que se sente só. Felicidades, meu amigo clandestino.”
(Paul Ferguson, jornalista americano radicado na Bahia)

“Elenilson Nascimento, meus parabéns querido! Você e meu filho caçula comemoram no mesmo dia – ano de fortes transformações em sua vida! Concretizações do que fora iniciad nos 3 anos anteriores – procure lembrar! Não será o mais fácil do ciclo, mas, se deixar de lado a ansiedade e não conclusão das coisas, tudo bem! Paciência e persistência é pedido! Tenha um bom ano!” (Rosa Cristinna Campos, numerologa)

“Quando todos os JE SUIS CHARLIE ficam de mãos dadas com o Netanhyou é sinal que o mundo vai mal, muito mal. E eu fico indignado com essas coisas – pra nós puro circo – mas para as grandes maiorias uma manifestação legítima, irretocável. De novo, é o poder da mídia determinando comportamentos e atitudes. E aí eu fico me perguntando: será que as questões relacionadas as condições de vida, educacionais e culturais podem alterar, substantivamente, esse quadro? Sou tão cético quanto o meu amigo escritor e jornalista baiano Elenilson Nascimento, mesmo assim prosseguimos lutando pelos valores de uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária. Sei que isso pode parecer imbecil e menor. Mas não dá pra engulir – nem deglutir – essa infernalização do capitalismo. Estou na Europa passeando – e isso é um baita privilégio, mesmo assim mando o meu ‘sinal de fumaça’ para um dos caras mais interessantes que eu conheço. E sinto uma enorme dificuldade em exercer esse privilégio. Abdicaria disso – e de tantas outras coisas – para viver em um mundo mais belo e fraterno. Não posso e não consigo ser feliz enquanto um homem, uma mulher e uma criança – de qualquer país, de qualquer raça, de qualquer religião – estiverem vivendo privações. E Elenilson tem muito ainda que lutar contra essa ditadura do não pensar… Felicidades, meu irmão!”
(Harold Bracken, jornalista)


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta