Grandes Olhos: Tim Burton acerta na técnica, mas peca na emoção
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Grandes Olhos: Tim Burton acerta na técnica, mas peca na emoção

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Grandes Olhos

Novo filme do aclamado cineasta Tim Burton estreou semana passada nos cinemas brasileiros; filme vem dividindo opiniões mundo afora

Por Márcia Bessa

O drama Grandes Olhos (EUA) tem a direção de Tim Burton, realizador de filmes fantásticos como Edward Mãos de Tesoura, Alice no País das Maravilhas, A Fantástica Fábrica de Chocolate.

Este drama de cunho biográfico conta a história da pintora Margaret Keane (Amy Adams), conhecida pela sua pintura de crianças com olhos grandes, assustadores e melancólicos. Mãe separada e com uma filha pequena, nos anos 60 conheceu Walter Keane (Chistoph Waltz), com quem se casou e durante 10 anos pintou inúmeras telas e consentiu que seu marido assumisse suas obras. Comercialmente rentável, o casal ganhou milhões com as obras de Margaret, mas quem assumia a fama era o charmoso e malandro sedutor Walter Keane.

Uma história super interessante, uma das maiores fraudes de arte do século XX,  contada de forma linear, um roteiro superficial que deixa a desejar, onde o conflito conjugal é colocado acima do conflito pessoal. Uma mulher insegura e frágil com uma filha pequena, totalmente dominada e manipulada pelo marido a tal ponto que aceitava pintar em regime fechado, para não ser descoberta como a autora das obras. Não se consegue captar o real motivo de Margarete aceitar por 10 anos esta situação, o filme infelizmente não se aprofunda nesta questão.

Os atores Amy Adams e Christoph Waltz têm uma boa interpretação, sendo que o personagem Walter Keane assume um ar debochado e meio caricato.

Com boa fotografia e ambientação de época, mas falta emoção; uma contação de história sem aprofundamento na questão desta mulher frágil, mas gigante diante de uma tela. Mostra o machismo da época e o esquema do mercado das artes, o marketing da mídia e de críticos que ajudaram a consagrar artistas e cair na graça do povo, assim como Margarete Keane, Andy Warhol e outros.

Uma história absurda que chega a improvável, mas verdadeira. Um momento que percebemos a criatividade de Tim Burton é na cena do supermercado, quando Margarete enxerga as pessoas à sua volta com os olhos grandes, assim como suas obras, mas em geral sentimos falta do espírito criador deste cineasta.

Os olhos é a grande janela da alma”, assim dizia a pintora Margarete Keane quando perguntada sobre as suas pinturas.

Margarete Keane hoje tem 87 anos e mora em Napa, norte da Califórnia.

Marcia Amado Bessa é enfermeira e escreve para o ótimo blog Cine Amado


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