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Crítica Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água: louco, nonsense e divertido

Bob Esponja

Bob Esponja

Animação estreou em fevereiro no Brasil 10 anos após a última incursão da história nos cinemas; filme é nonsense, mas no fim das contas diverte

Por Luis Fernando Pereira

Existem ao menos duas perspectivas diferentes para se analisar o mais novo filme do Bob Esponja, que veio com o subtítulo de ‘Um Herói Fora D’Água’: na primeira, do ponto de vista de uma criança, a animação traz todos aqueles elementos que fizeram do desenho um dos mais famosos das últimas décadas; tem Bob, Lula Molusco e toda a turma em mais situações surreais, tal como nos desenhos e no último filme, de uma década atrás.

Agora se você for analisar através do ponto de vista de um adulto perceberá que o mais recente Bob Esponja supera no quesito nonsense e eleva às alturas as loucuras surreais que o desenho impôs neste tempo todo. O filme parece ter saído das mãos de roteiristas consumidores de cogumelos alucinógenos da mais alta pureza, e até agora fica um tanto difícil definir se este fato é um elogio ou uma crítica.

História
Para uma rápida contextualização, temos em Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água mais uma tentativa de Plankton, o dono da lanchonete Balde de Lixo, de roubar a fórmula do hambúrguer de siri do Siri Cascudo, a famosa lanchonete do Sr. Sirigueijo. Só que a fórmula desaparece e ninguém sabe quem a roubou. Então Bob Esponja se junta a Plankton em uma viagem no tempo e no espaço para tentar recuperar a receita. Eles contam com a ajuda de Patrick, Lula Molusco, Sandy e também do próprio Sr. Sirigueijo. Em outra parte da história está o malvado pirata Barba Burguer (Antonio Banderas), que os heróis terão de enfrentar em uma batalha fora da água.

Algumas considerações: nas primeiras imagens de divulgação da animação dava a entender que ela se passaria na maior parte fora d’água e com os personagens gigantes. Por sorte era uma mensagem errada, pois de longe esta passagem foi a menos interessante do filme. Existe uma razão para que Bob Esponja seja uma febre mundo afora e ela reside em toda a estrutura do desenho e do personagem. Transformá-lo num gigante herói lutador teria o mesmo efeito que aquele terrível Hulk de Ang Lee, feito com computação gráfica e que destoava totalmente da origem do personagem.

Bob Esponja, na maior parte do tempo, é um desenho típico da franquia, com as mesmas tiradas legais e engraçadas. Somente isso já seria necessário para ir ao cinema e, se possível, levar a criançada toda, pois dificilmente eles não rirão. Toda a parte envolvendo o pirata Barba Burguer (Antonio Banderas) serve para frear o desenvolvimento da história, porém, em contrapartida, tais partes trazem um tom de metalinguagem interessante.

No entanto, a parte final, produzida toda fora d’água acaba sendo frustrante, principalmente por ver que o filme se rendeu à ideia de que toda criança adora ver violência, mesmo que de uma forma mascarada, como a que foi trabalhada em Bob Esponja. Mesmo que a mensagem final tenha sido positiva, a de que vale mais ter amigos do que dinheiro ou outras coisas materiais, a animação poderia ter vivido tranquilo sem esta necessidade de criar uma guerra épica no fim, que mais parecia Transformers, ou Godzila.

Ainda assim, não dá para ser tão exigente em uma história desta natureza. Bob Esponja veio para entreter, e todo o filme foi pensado para ser exibido em 3D, ou seja, era muito mais interessante construir sequências que sejam melhores vistas nesta tecnologia, e cenas de lutas são, neste sentido, sempre bem vindas.

Bob Esponja – Um Herói Fora D’Água é divertido, nonsense, com alguns incômodos, mas nada que proíba você de ir e levar algumas crianças ao cinema para assistir. As chances de diversão são grandes, porque simplesmente Bob Esponja é um dos personagens mais engraçados de nossa história. Ponto.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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