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Crítica Annie: moderno, mas nem tanto

Quvenzhane Wallis

Quvenzhane Wallis

Nova roupagem para a famosa história tem bons momentos, mas peca em não trazer novidade alguma, além de empalidecer as versões anteriores

Por Luis Fernando Pereira

A ideia por trás da nova roupagem de Annie (de Will Gluck), famoso musical que virou filme, era até bem interessante: apresentar para as famílias de hoje uma das histórias mais bonitas em termos de mensagem, que mostrava que o homem, mesmo àqueles que aparentemente são insensíveis, ainda são capazes de se surpreenderem e de se verem gostando, e se importando com alguém. Atualizar e atrair novos públicos que novamente se encantariam com a história e com a mensagem, essa era a intenção.

O problema é que de atual o filme tem muito pouco. Apesar dos carros serem novos e os aparelhos celulares serem de última geração, tudo em Annie soa velho e datado, como se eles tentassem reproduzir a mesma atmosfera do filme anterior. A fotografia do filme lembra muito uma Nova York dos anos 1970, mesmo que saibamos que Annie é passada em dias atuais.

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Outro elemento datado da trama são as atuações, principalmente a de Cameron Diaz, como a responsável pelo orfanato em que Annie se encontra. Sua personagem, senhora Hannigan, tem todas as característica das vilãs de filmes familiares, aqueles que precisavam evidenciar bem os mocinhos dos vilões no início, para no desfecho mostrar que todos são bons na verdade, só faltava um detalhe para deixar isso claro.

Em Annie isso fica evidente: a senhora Hannigan é uma frustrada, consequência de uma vida difícil, com sonhos destruídos. Sua vida hoje é resultado disto, e por este fato ela passa a maior parte da trama sendo má, sendo um espelho do que passou. Somente nos minutos finais, quando ela percebe que ainda há esperança e boas pessoas, que ela busca redenção. Tudo isso seria bacana se a execução fosse boa, porém Cameron Diaz faz um trabalho preguiçoso, caricatural e de mau gosto até.

Annie

Annie

Se o destaque negativo fica para Cameron Diaz, o positivo vai para a linda, promissora e muito talentosa Quvenzhané Wallis. Ela já havia encantado o mundo protagonizando o ótimo Indomável Sonhadora, agora consegue em boa parte do tempo segurar um filme, que de alguma maneira é seu. As apresentações musicais são bem executadas por ela, que esbanja carisma e drama, em doses razoáveis e sempre que a história precisa. A sua Annie é segura de si e tem um propósito bem definido: encontrar seus verdadeiros pais. Esta determinação da personagem, e da atriz, é, sem dúvida alguma, um dos grandes pontos fortes da trama.

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Annie passa toda a primeira parte se apresentando no filme, construindo uma relação de empatia com o espectador. Quando a relação é estabelecida, entra em cena o outro importante personagem, Will Stacks, interpretado por um Jamie Foxx em sua zona de conforto. É interessante como a dupla possui uma química bem legal e agradável, porém a superficialidade do roteiro acaba atrapalhando o desenvolvimento dos dois.

Sim, o grande problema de Annie é ser superficial, é navegar sempre no raso, querendo ser um filme família e apresentar uma moral da história, mas não mostrando nada crível e real que consiga fazer com que nos importemos de fato com os personagens. As caricaturas e os clichês em excesso contribuem para isso acontecer.

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A parte musical não é problemática, nem a relação desenvolvida por Annie e Will. Entretanto, todo o resto, incluindo ai uma má utilização do talento da bela atriz Rose Byrne é passível de melhora. A fotografia, pálida e a direção, um tanto preguiçosa, são elementos que fazem de Annie um filme facilmente esquecível, que chegará à televisão sem alarde, já que alarde é algo que definitivamente o filme não merece ter.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site







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