Linkin Park: a mais expressiva banda dos últimos 15 anos | Cabine Cultural
Música

Linkin Park: a mais expressiva banda dos últimos 15 anos

Linkin Park

Linkin Park

Banda californiana estourou no início dos anos 2000 e de lá para cá acumulou milhões de fãs e álbuns vendidos pelo mundo

Por Luis Fernando Pereira

É sempre controverso afirmações como esta, que sugere que um grupo é o maior, o melhor, ou no caso aqui, o mais expressivo de uma época. Muitas informações devem ser levadas em consideração para alguém poder afirmar algo do tipo. E foi desta análise, lembrando dos acontecimentos destes últimos 20 anos na indústria musical, que chego à conclusão que os americanos do Linkin Park são o grupo mais proeminente deste tempo.

A junção de fatores me permite fazer esta afirmação. Desde o ano de 2000, quando a banda liderada por Chester Bennington e Mike Shinoda, mas que também tem Joe Hahn, Brad Delson, Rob Bourdon e David “Phoenix” Farrell, lançou o avassalador álbum Hybrid Theory que o grupo corre em direção à este título. A primeira aparição pública de maior impacto foi justamente numa apresentação do grupo em 2001 no MTV Music Awards, na época a mais relevante premiação da música no mundo. Ali todos ficaram sabendo que o Linkin Park era diferenciado dos demais.

Eles tocaram One Step Closer, o primeiro grande single daquele álbum que entraria para a história dos anos 2000 como um dos mais vendidos. E 80% do êxito comercial do disco se deviam aos dois singles seguintes, as já icônicas Crawling e In The End. Hybrid Theory foi o álbum mais vendido naquele ano e a banda havia acabado de virar febre nos Estados Unidos.

O Linkin Park nesta época (2001-2002) já era razoavelmente grande, mas havia alguns outros grupos ainda maiores, como o Radiohead, Pearl Jam, Green Day e Oasis, por exemplo. Porém o tempo acabou por destruir o Oasis e afundar, ao menos comercialmente, as outras bandas, deixando a passagem livre para o grupo de Chester se tornar o maior, em termos objetivos, do planeta.

Leia também:  Intrínseca lança “Regras Simples”, livro que propõe descomplicar a vida

E quais seriam estes termos objetivos? Bem, vendagens, shows, videoclipes, prêmios, burburinho e mais recentemente, redes sociais. Sabemos que grupos como o U2, o Rolling Stones ou até mesmo o Coldplay (que não dá para considerar tão rock assim), são consideradas mais globais, por já serem bandas de estádios. Porém nenhuma dessas possuía (ou possuem) o potencial que o Linkin Park tem (são 63 milhões de fãs no Facebook, por exemplo).

Meteora
Em 2002 a banda lançou seu segundo grande trabalho, o explosivo Meteora, que serviu para provar que eles chegaram para ficar de vez, não eram uma armação (tão comum em épocas de Boy Band e cantoras saídas de programas de televisão). Assim, mais alguns petardos como Somewhere I Belong, Faint e Numb foram jogados nas rádios e fizeram sucesso instantaneamente. Bastava a banda lançar um clipe para ele ir direto ao primeiro lugar das paradas. E no final do ano, um desses vencia as categorias das premiações de videoclipes. Era algo que não acontecia com nenhum outro grupo, ao menos não com a mesma intensidade.

Linkin Park

Linkin Park

Até os trabalhos questionáveis eram bem sucedidos comercialmente: o remix de Hybrid Theory (Reanimation) e o trabalho em parceria com o Rapper Jay-Z (Collision Course). Muitos reclamavam de preguiça criativa, ou então de oportunismo exagerado. O fato é que ambos os projetos são vistos hoje com certo ar de nostalgia, e fica cada vez melhor de ouvir. Fora que a parceria com Jay-Z fez o Linkin Park se tornar ainda mais relevante na cena musical global. Eles já eram ovacionados no mundo inteiro e no Brasil não poderia ser diferente.

Era incrível a capacidade que a banda tinha de colocar suas músicas em primeiro lugar nos programas brasileiros (na época o Disk MTV e o Top 20 Brasil). Não houve sequer um clipe que não chegou e permaneceu no primeiro lugar das paradas. Outras bandas chegaram perto, mas nenhuma alcançou tal feito. O Linkin Park tinha dois álbuns lançados e o mundo conquistado.

Leia também:  Paris para Um e outros contos tem lançamento no Brasil pela Intrínseca

Minutes to Midnight
A partir deste instante, algumas coisas mudaram. O mundo foi mudando, e o mercado musical não era mais o mesmo. A internet se popularizava cada vez mais e aumentava a dificuldade em vender CDs físicos. Poucos grupos continuaram vendendo muito desde então. E para ajudar negativamente, a banda entrou em confronto com a gravadora e Shinoda lançou o Fort Minor (bom trabalho paralelo). A banda nunca mais foi a mesma, mas ainda assim, seguiam grandes. Minutes to Midnight foi lançado e com o álbum, uma das mais emblemáticas canções do grupo: What I’ve Done.

O álbum indicava mudanças: letras mais densas e uma pegada ainda mais pesada. Não era por menos, o produtor do álbum era ninguém menos que Rick Rubin, um dos melhores produtores americanos. O álbum ainda tinha Bleed It Out, Shadow of the Day, Given Up e Leave Out All the Rest. Foi sucesso comercial e colocou a banda de vez no mainstream mundial. O Linkin Park a partir desta turnê já poderia se considerar uma das maiores bandas do mundo.

O final dos anos 2000 chega e uma constatação: pouca gente compra álbum físico e cada vez menos gente assiste canais como MTV. O Youtube já era famoso o suficiente para indicar tendência. Neste contexto surge A Thousand Suns, o mais novo trabalho do grupo. Rick Rubin novamente, e uma pegada mais diversificada, com elementos de eletrônica (só pegar o single The Catalyst). As letras ficavam cada vez mais sérias e a banda menos comercial, mais ainda assim muito comercial. O Linkin Park nesta época já tinha uma parceria consolidada com a franquia Transformers, que só fez o fã clube crescer.

Leia também:  Crítica Cidade dos Homens: nostalgia, paternidade e realidade marcam episódios iniciais

Este momento também é marcado por uma pulverização no mundo da música: milhares de bandas surgem a todo instante nas diversas redes sociais do mundo. Ser grande é cada vez mais difícil, e o Linkin Park foi uma das poucas (e mais bem sucedida) que se mantiveram grandes. Foo Fighters cresceu, The Strokes cresceu, mas logo encolheu, e a cena indie tomou conta do mundo, mas com bandas sem poder de se transformar em bandas de estádios.

Linkin Park

Linkin Park

De A Thousand Suns até este dia (abril de 2015) a banda lançou mais alguns trabalhos: o instável Living Things, o álbum de remixes Recharged e o último trabalho de estúdio, o ótimo The Hunting Party. O grupo perdeu certa força midiática, porém todos os grupos de rock perderam, pois chegamos à uma era de total domínio da música pop, e é cada vez mais complicado para um grupo de rock conseguir chegar ao topo da Billboard, por exemplo. Surgiram grupos que até conseguiram, como o Imagine Dragons, porém sem 30% da força que o Linkin Park possuía, e ainda possui no mundo.

Entender o fenômeno que é essa banda não é tão difícil assim: músicos competentes, letras interessantes (desde os primórdios), um vocalista que consegue equilibrar sonoridades raivosas e melancólicas, o outro que contrapões cantando rap como poucos, um som comercial, mas nem tanto, bem produzido, mas verdadeiro, apresentações ao vivo tão bem equalizadas quanto às gravações de estúdio… enfim, é por estas e outras razões que o Linkin Park pode ser considerado a mais expressiva banda destes últimos 15 anos no mundo. Sem juízo de valor na afirmação e sem rebaixar outras grandes bandas. São só alguns fatos que foram analisados.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


Deixe uma resposta