Crítica Velozes e Furiosos 7: vale cada centavo | Cabine Cultural
Críticas

Crítica Velozes e Furiosos 7: vale cada centavo

Velozes e Furiosos 7

Velozes e Furiosos 7

Explosivo, divertido, mas acima de tudo, emocionante; novo filme da franquia é o melhor de todos e tem cena catártica de despedida de Paulo Walker

Por Luis Fernando Pereira

Nunca fui muito fã da franquia Velozes e Furiosos. Sabia do poder midiático que ela possuía no mercado e também da adoração dos seus fãs, muitos deles rapazes que se identificavam imediatamente com um dos principais personagens da saga: os carrões sensacionais que de fato são velozes e furiosos. Assisti aos filmes anteriores, e minha reação era sempre de indiferença, ora me divertindo um pouco, ora quebrando a cabeça para entender as incongruências de um roteiro que muitas vezes não entendia a ideia de verossimilhança.

Porém, é inegável que, logo nos primeiros minutos de Velozes e Furiosos 7, eu já sabia que a experiência aqui seria diferente. Tinha o fator psicológico, compreensível, e que deu as caras logo que Brian O’Conner, personagem icônico do inesquecível Paul Walker entrou em cena. Sempre gostei do rapaz, desde o primeiro filme em que o vi atuando (o divertido Perseguição), e por isso sua trágica morte me abalou tanto quanto abalou os milhares de fãs da franquia. Estava lá também para me despedir do ator.

Mas não era somente isso. O roteiro, talvez por querer homenagear Paul, apresentou a mais interessante das histórias que a série exibiu até hoje. O equilíbrio entre as cenas de ação, comédia, romance e drama é o ponto mais forte da trama, que não cansa em nenhum dos mais de 120 minutos que o filme possui de duração. E todas as subtramas, por mais loucas que soassem, faziam algum sentido para aquele universo. As cenas exageradas continuavam exageradas, mas elas foram tão bem produzidas que ao invés de criticar ou de se chatear, a única reação plausível era ficar de queixo caído.

Leia também:  Crítica Colossal: novo filme de Anne Hathaway faz valer a pena o ingresso

Em suma, Velozes e Furiosos 7 de fato merece ser o mais popular, bem sucedido e rentável filme da franquia, porque ele é inegavelmente o melhor, o mais divertido e o mais emocionante.

História
Após os acontecimentos passados na capital inglesa, Dom (Vin Diesel), Brian (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez) e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é varrida quando Ian Shaw (Jason Statham), assassino profissional, quer vingança pela morte de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão.

Velozes e Furiosos 7

Velozes e Furiosos 7

Se tivéssemos que usar um só termo para descrever a atmosfera que a história apresenta poderíamos usar a palavra nostalgia: desde as primeiras cenas, os primeiros diálogos, tudo já despertava a ideia de que estávamos diante de uma história sobre despedidas. Uma das primeiras cenas é de um enterro, e o roteiro fazia com que nos lembrasse a todo instante que um dos personagens iria dar adeus no fim da história.

Porém, como Velozes e Furiosos sempre foi marcado como um filme de ação, aventura, e flertando com humor, a trama deu logo reviravoltas, apresentando o sempre competente Jason Statham como vilão bad ass que faz de tudo para se vingar da equipe de Dom. Statham, com sua canastrice nível infinito, é um dos melhores personagens desta nova história, e não fosse sua interpretação sui generis, o filme não teria esta força que tem.

Leia também:  Intrínseca lança “Sprint”, livro que revela método usado pelo Google para teste de novas ideias

As cenas de ação continuam grandiosas e inesquecíveis, e desta vez temos ao menos duas que entrarão para a história da franquia: aquela sequência de Dom e Brian no carro atravessando os prédios (os mais altos do mundo) em Abu Dhabi é de uma empolgação indescritível. Por mais louco que possa parecer, a história acaba envolvendo o espectador ao ponto dele comprar aquela ideia totalmente e se entregar de excitação a cada vôo do carrão.

Pouco antes desta cena, vemos outra aparente barbaridade narrativa, que é a cena dos carros saltando de pára-quedas de um avião. Aparente porque ela foi tão bem produzida e carregada de aventura que temos que dar o braço a torcer e reconhecer que este entretenimento promovido pela franquia Velozes e Furiosos é dos mais competentes da atualidade no mundo do cinema.

Romance
Outro ponto interessante da história foi a atenção dada aos dois principais romances do filme, Dom e Letty Ortiz (Michelle Rodriguez) e Brian e Mia Toretto (Jordana Brewster). Com um tom dramático, mas sem excessos, os dois casais de certa forma indicavam qual seria o clima da trama. A preocupação de Mia com o fato de Brian se sentir deslocado longe das aventuras, e a afirmação categórica de Dom, mostrando para ela que estar com o filho e a esposa eram o grande sonho dele (Brian), davam a pista de que ao final teríamos uma despedida bonita e sem necessidade de morte.

Já Dom e Letty foram alçados a casal principal, e mostraram que os dois tem potencial para juntos continuar com sua história, a de amor e a das pistas.

Leia também:  Matrix lança “Ginástica Cerebral”, livro que ajuda a exercitar a mente

O alívio cômico, função de Roman Pearce (o ótimo ator Tyrese Gibson) e Tej Parker (Ludacris) era sempre mostrado de forma pontual. As risadas eram sempre uníssonas dando o equilibrio certo para a hsitória.

Velozes e Furiosos 7

Velozes e Furiosos 7

Grande parte dos elogios pontuados até aqui são direcionadas ao cineasta James Wan. Ele, um dos mais talentosos de sua geração (já dirigiu com maestria filmes como Invocação do Mal e Sobrenatural), consegue extrair o máximo do elenco, além de primar pela qualidade técnica das cenas. Nas mãos dele até a Ronda Rousey vira atriz (brincadeira, ele não é tão milagreiro assim); mas nas mãos dele Ronda Rousey até que não passou vergonha.

Despedida
E para finalizar, vamos ao desfecho da sétima parte da franquia Velozes e Furiosos. Será bem difícil encontrar alguém que não tenha chorado naqueles minutos finais da história. Mas o bonito da situação é que o choro tinha um quê de tristeza sim, mas que o roteiro tratou de tornar belo, ao mostrar que Brian na verdade está no lugar que sempre quis estar. Bonito, poético e incrivelmente interessante do ponto de vista narrativo.

A cena, que serve como nossa despedida de Brian/Paul Walker, foi digna de sua trajetória no filme, e de sua trajetória como ator. E mais emocionante ainda foram as tocantes palavras de Dom/Vin Diesel. Neste momento, não sabíamos direito se ainda estávamos no filme ou se já estávamos homenageando o ator. E pouco importava, a emoção já havia tomado conta.

“Saúde família”

“Você sempre estará comigo. E sempre será meu irmão”

“A Paul”

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site




Deixe uma resposta