Lista de filmes: as mulheres poderosas do cinema | Cabine Cultural
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Olga, Piaf, Flor do Deserto… Especial As mulheres poderosas do cinema

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Flor do Deserto

Flor do Deserto

Muitas fictícias, outras tantas reais, o cinema ao longo dos tempos retratou protagonistas femininas marcantes, poderosas e exemplares

Por Luis Fernando Pereira

O cinema, ao longo de todas estas décadas, vem servindo como uma importante ferramenta histórica para se entender o mundo e todas as suas contradições. Podemos, através dos filmes, entender como duas grandes guerras mundiais foram criadas ou comoa luta por direitos civis nos Estados Unidos foi resultado de muitas mortes e injustiças sócio raciais. São muitas as possibilidades que esta arte nos proporciona e uma delas é justamente compreender como as mulheres vem conseguindo cada vez mais se impor perante um contexto que sempre buscou valorizar histórias protagonizadas por homens.

Essa, digamos, revolução temática, se intensificou de forma sistemática nas últimas três décadas, com filmes e mais filmes trazendo como protagonistas mulheres fortes e que entraram para a nossa história (a real e a cinematográfica) como grandes exemplos de força e de superação.

Preparamos esta lista inicialmente a pedido do site Ao Feminino e Além, alguns dos filmes aqui estão na matéria original. Porém, resolvemos ampliar a quantidade de exemplos, por isso temos nesta lista outros filmes adicionados. Está muito boa esta lista:

Erin Brockovich – E um dos marcos neste sentido foi o filme Erin Brockovich, filme lançado em 2000 e que tem direção do cineasta Steven Soderbergh. O filme, que conta o caso real da briga envolvendo Erin (interpretada pela linda Julia Roberts) e a empresa Pacific Gas and Electric (PG&E), deu o Oscar de melhor atriz para Roberts e apresentou ao mundo uma mulher determinada, destemida, inteligente, e que não poupou esforços para ganhar uma causa judicial que ela acreditava. Erin representou de forma categórica a mulher moderna, sendo uma mãe, uma mulher e uma advogada. E sem a necessidade de ser rotulada como heroina, pois Erin Brockovich era (e ainda é) sobretudo, uma mulher comum, destas que podemos encontrar em cada canto deste planeta. O filme, que não é nenhuma obra-prima, ganha força pela sua relevância histórica e por apresentar Julia Roberts em seu melhor papel.

Amelia – Outro filme, este lançado em 2009, retratou a incrível história de Amelia Earhart, (interpretada brilhantemente pela atriz Hilary Swank), a primeira mulher a completar a travessia do oceano Atlântico pilotando um avião. Amelia – perceba a ironia de seu nome – foi uma dessas mulheres que estavam a frente de seu tempo; estamos falando aqui da primeira metade do século passado, numa época em que o direito a voto da mulher ainda estava na fase da discussão, tendo se transformado em lei nos Estados Unidos somente em 1920. Numa sociedade dominada por homens, Amelia (o filme leva seu nome no título) Amelia foi quebrando recordes atrás de recordes e colocando o seu nome na história como grande exemplo a ser seguido. O filme, dirigido pela cineasta Mira Nair, é de uma importância histórica sem tamanho, além de ser uma ótima trama cinematograficamente falando.

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Olga – Outro grande exemplo de mulher que brigou pelos seus ideais, pelas suas crenças, é Olga, que foi retratada no filme homônimo dirigido pelo cineasta brasileiro Jayme Monjardim. Olga (interpretada por Camila Morgado) foi uma militante comunista que se envolveu com Luis Carlos Prestes, na década de 1930, no Brasil, acabou sendo presa, deportada para a Alemanha Nazista e posteriormente morta em uma câmara de gás. Mesmo com este trágico desfecho, Olga é um exemplo a ser seguido por mulheres. E mesmo que não concorde com o que ela acreditava, ainda assim, o que deve ser lembrado no final é a mensagem: siga seus ideais, lute por eles, não importa o quão difícil seja esta luta.

Piaf – Um Hino ao Amor – Saindo do campo político, chegamos então ao filme Piaf – Um Hino ao Amor, que conta a comovente história de uma das maiores cantoras da música francesa. Edith Piaf, vivida no filme pela atriz Marion Cotillard, viveu em um tempo em que a profissão de cantora (mulher) era constantemente confundida com a de prostituta. E mesmo com uma sociedade conservadora, em um país conservador – a França da década de 1930 – Piaf conseguiu se sobressair, provando ao mundo que seu talento era raro. Piaf era intensa, sensível e frágil, mas também era poderosa e gigante, principalmente quando estava em um palco. O filme, que venceu vários Oscars, merece ser visto, e Piaf, a personagem, merece ser usada como exemplo de como uma mulher pode vencer, mesmo em situações das mais adversas e lutando contra uma sociedade machista.

Livre (Wild)

Livre (Wild)

Livre (Wild) – Um exemplo mais recente que traz como protagonista uma mulher que venceu seus medos, seus vícios e entrou numa incrível jornada de autoconhecimento. O filme traz no título a palavra chave para esta mulher: Livre. A protagonista, Reese Witherspoon, dá vida à personagem Cheryl Strayed, que decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de mais de mil milhas pela Costa do Oceano Pacífico. A trilha, comum somente aos homens, é a grande parceira desta mulher que, sozinha, se reencontra, se reconhece como mulher, como ser humano e que percebe que sua felicidade não depende de homem algum, mas somente dela mesma. Um belo filme, uma linda história, uma incrível mulher. Veja texto no site

Flor do Deserto – Esse exemplo é dos mais marcantes possíveis, e gira em torno de uma trágica tradição existente em alguns países africanos: a mutilação genital feminina. Waris Dirie (Soraya Omar-Scego / Liya Kebede) nasceu na Somália e aos 13 anos, para fugir de um casamento arranjado, ela atravessou o deserto por dias até chegar em Mogadishu, capital do país. De lá foi para Londres, onde começou uma nova fase de sua vida. Com a ajuda de Marylin (Sally Hawkins), uma descontraída vendedora, Waris consegue um abrigo, passa a trabalhar em um restaurante, onde é descoberta pelo famoso fotógrafo Terry Donaldson (Timothy Spall). A partir daí Waris volta-se novamente para as suas origens e começa um trabalho humanitário de conscientização sobre os males da mutilação genital feminina que ocorre em alguns países. Guerreira, linda, inteligente, forte, poderosa… Waris Dirie (a personagem e a mulher real) é uma verdadeira vencedora. O filme é um soco no estômago por conter imagens fortes e bem chocantes, mas ao mesmo tempo ele é um sopro de esperança, por vermos uma história de superação tão bem contada e digna de muitos aplausos.

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Menina de Ouro – O filme conta a história sob a perspectiva masculina, do personagem Frankie Dunn (Clint Eastwood). Ele passou a vida nos ringues, tendo agenciado e treinado grandes boxeadores. Magoado com o afastamento de sua filha, Frankie é uma pessoa fechada e que apenas se relaciona com Scrap (Morgan Freeman), seu único amigo. Até que surge em sua vida Maggie Fitzgerald (Hilary Swank), uma jovem determinada que possui um dom ainda não lapidado para lutar boxe. Maggie quer lutar boxe, Frankie não aceita e a partir daí nasce uma relação tão estranhamente linda, que merece destaque. E se a história é contada por uma mulher, o brilho dela é todo por conta de uma mulher, uma poderosa mulher, que em nenhum momento abaixou a cabeça ao ouvir que boxe era esporte de homem. Ela, numa época onde o esporte era (ainda é) praticado quase que exclusivamente por homens, foi em busca de seu grande sonho e não sossegou enquanto não realizou. Uma mulher ficcional possuidora de todos os atributos dignos de uma heroína; de alguém que buscou mudar o modo como homens vêem mulheres. Maggie merece o título de poderosa.

Menina de Ouro

Menina de Ouro

Valente – A jovem princesa Merida foi criada pela mãe para ser a sucessora perfeita ao cargo de rainha, seguindo a etiqueta e os costumes do reino. Mas a garota dos cabelos rebeldes não tem a menor vocação para esta vida traçada, preferindo cavalgar pelas planícies selvagens da Escócia e praticar o seu esporte favorito, o tiro ao arco. Quando uma competição é organizada contra a sua vontade, para escolher seu futuro marido, Merida decide recorrer à ajuda de uma bruxa, a quem pede que sua mãe mude. Mas quando o feitiço surte efeito, a transformação da rainha não é exatamente o que Merida imaginava… Agora caberá à jovem ajudar a sua mãe e impedir que o reino entre em guerra com os povos vizinhos. Esta história da Pixar é simplesmente uma das mais ousadas e subversivas da história recente das animações. Merida é uma garota, mas não daquelas que espera o príncipe encantado e o tem como objetivo de vida. Ela é auto suficiente, independente, guerreira, uma verdadeira menina do século XXI, que representa com maestria o que a mulher atual traz na bagagem. Vê-la numa animação de cunho infanto-juvenil é de uma alegria indescritível. Uma linda história, diferente das demais que cerca o universo feminino nas animações fantasiosas. Veja crítica completa

Outros filmes que mostram a força das mulheres nos filmes:
Kill Bill
Thelma & Louise
O Silêncio dos Inocentes
Zuzu Angel
Winter’s Bone

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