Crítica Stitchers primeiro episódio: um pouco de Fringe para adoçar nossas vidas
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Crítica Stitchers primeiro episódio: um pouco de Fringe para adoçar nossas vidas

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Stitchers

Série de Sci fi é aposta da ABC Family para esta próxima temporada; atmosfera que lembra Fringe é o grande ponto forte do piloto

Por Luis Fernando Pereira

Já faz alguns anos que a série Fringe, uma das mais ousadas e inteligentes dos últimos tempos, acabou. Como o seu sucesso comercial não foi tão grande, então não houve uma corrida na televisão americana em busca da nova Fringe. Porém, com o lançamento de Stitchers, nova série do canal adolescente americano ABC Family, voltamos (nós, amantes do bom Sci fi) a sonhar com o dia que uma nova grande série do gênero irá nascer.

Stitchers acompanha a história da jovem Kristen Clark (Emma Ishta, de Black Box) que é recrutada para uma agência governamental secreta. Seu trabalho é se infiltrar na mente daqueles que foram mortos recentemente, usando suas memórias para investigar o assassinato e desvendar mistérios que, de outra forma, não seriam descobertos.

Kristen é uma mulher esperta que tem dificuldades de se relacionar socialmente. Incapaz de sentir emoções ou perceber a passagem de tempo, ela se dedica às suas habilidades como hacker de computador.

As similaridades com Fringe são várias: protagonista loira, elementos de Sci fi, personagens que servem também de alívio cômico e até mesmo um aparelho (o que Kristen usou) que lembra muito um utilizado na série. Porém, não dá para fazermos nenhum paralelo, pois enquanto a já finalizada série trabalhava com casos que fugiam da realidade, Stitchers só vai mesmo se utilizar desta experiência neuropsicológica (?) para resolver casos da semana (assassinatos, terrorismo…).

Outra grande diferença recai sobre a protagonista: Kristen Clark parece ser daquelas garotas super dotadas, anti-social, que parece sempre viver como um peixe fora d’água. Suas habilidades sociais são quase nulas, e o roteiro fez questão de deixar isso bem claro, até mesmo porque a intenção da série é trabalhar justamente este lado dela. Veremos a sua evolução até chegar o dia em que ela estará rodeada de amigos, com um par romântico e feliz da vida por ter melhorado partes de seu comportamento. Sempre foi assim, e não porque desta vez ser diferente.

Stitchers

A equipe que dará suporte a Kristen é até interessante, porém foram quase todos mal apresentados. A cena que introduz Maggie (Diane Farrde Numb3rs), a chefe do setor e responsável por implantar o programa, é bem preguiçosa, quase vergonhosa. Mas ainda assim, com um bom roteiro e bons diálogos tem como fazer a dinâmica deles ser ao menos interessante.

Outro ponto de destaque e que certamente será um dos fios condutores da temporada é a relação de Kristen com os seus pais (biológico e de criação). Em um único episódio ela experimenta a morte de um e descobre que o outro está por trás do projeto Stitchers, ou seja, todo o universo da série e a sua mitologia será consequência do trabalho do pai da protagonista.

A série é uma criação de Jeffrey A. Schechter e traz no elenco atores como Kyle Harris (de The Carrie Diaries), Felix Gomez, como o Dr. Pecha, professor de computação; e Minni Jo Mazzola, como Camille, aluna do Dr. Pecha e amiga de Kirsten.

Com um elenco razoável, mas com uma protagonista até simpática, Stitchers apresentou um episódio inicial até satisfatório. Ainda precisa desenvolver muito o seu universo e criar uma trama mais orgânica e menos confusa narrativamente falando. A premissa é bem interessante e soa como uma tentativa de sair da mesmice que vive as histórias na televisão americana. Somente por isso ela já merece atenção.

Mas independentemente disto, ela é boa. Ao menos o seu piloto.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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