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Entrevista exclusiva Fernanda Takai: “uma grande honra inspirar gente tão talentosa como o Silva”

Fernanda Takai - Foto: Bruno Senna

Fernanda Takai – Foto: Bruno Senna

Fernanda, que faz shows neste fim de semana na cidade de Fortaleza, conversou conosco sobre, entre outras coisas, o seu mais recente trabalho, Na Medida Do Impossível

Por Luis Fernando Pereira

Pode me parecer difícil de acreditar, mas a primeira vez que escutei uma música do Pato Fu foi no longínquo ano de 1994, quando a MTV Brasil, hoje parcialmente morta, ainda era uma criança em fase de crescimento. Já são mais de duas décadas desde aquele instante que a canção – uma das mais peculiares da carreira da banda – Meu Pai, Meu Irmão, entrou pelos meus ouvidos, me fazendo conhecer simultaneamente um dos grupos mais promissores daquela época e uma das cantoras mais elegantes (vocalmente falando) que já havia passado pela minha jukebox. Falo de Fernanda Takai, obviamente.

O segundo CD (Gol de Quem?) acabou sendo a grande porta de entrada do grupo mineiro Brasil afora e a partir dali foram mais de uma dezena de álbuns, entre trabalhos de estúdio e ao vivo (como o ótimo MTV Ao Vivo). E então, quando a banda já estava muito bem estabelecida, Fernanda partiu para a realização de outros projetos profissionais e pessoais, como gravar álbuns solos, escrever para jornal, lançar livros e ser mãe, certamente o mais importante de sua vida.

Com uma discografia muito bonita e invejável, essa amapaense que já morou em Salvador, mas que encontrou sua identidade musical em Belo Horizonte, se encontra em trabalho de promoção de seu mais recente álbum, Na Medida Do Impossível, fazendo neste fim de semana (entre os dias 18 e 21 de junho) uma série imperdível de apresentações na cidade de Fortaleza.

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Mas antes disso ela separou um tempo para bater este papo bem interessante conosco, falando sobre seus projetos solo, sua vida com o Pato Fu, seus interesses literários, e até sobre o dia em que ela deixou de ser a Fernanda Takai artista e passou a ser somente uma fã que conseguiu realizar o sonho de conhecer, e cantar, com um de seus ídolos na música, o cantor Simon Le Bon, do Duran Duran.

Fiquem agora com esta ótima conversa.

E se você for de Fortaleza, está intimado a passar no Teatro da Caixa para prestigiar um dos grandes talentos da música nacional.

Luis Fernando Pereira – Em abril você se apresentou no Teatro Castro Alves, aqui em Salvador, com o show solo do seu mais recente álbum. E neste mesmo complexo, na Concha Acústica do TCA, você também esteve em vários shows com o Pato Fu. Pelo que percebi, a emoção é a mesma pra você, mas queria saber (comparando estas duas perspectivas) o que muda na tua relação com o palco, com o público, com o setlist…

Fernanda Takai – A dinâmica do show é muito diferente porque, no Pato Fu, John comanda muito o espetáculo comigo. Além disso, toco guitarra e o repertório é mais autoral. Com exceção do “Música de Brinquedo” que é um show onde estamos sentados, mais comportados, os shows da banda são mais energéticos, mais rock mesmo. Gosto dos dois momentos, as identidades visuais deles também são completamente outras.

FP – O Pato Fu possui uma discografia bem bonita, mas não posso negar que seus trabalhos solo me impressionaram muito, desde o álbum Onde Brilhem os Olhos Seus, em homenagem a Nara Leão, passando pela sua parceria com o Andy Summers e terminando neste mais recente álbum. Você já dá como certa esta dinâmica de ora produzir um álbum solo, ora um álbum com o Pato Fu, ou vê essa situação de alguma forma diferente?

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FT – Sim, acho que não deixaria mais de ter projetos solo. Os álbuns tiveram muita visibilidade, conquistei um espaço importante como cantora fora de uma banda. Às vezes a democracia numa banda abafa algumas ideias individuais porque somos a somatória de músicos diferentes. Quando estou numa etapa sozinha, posso seguir mais minha intuição.

FP – Estava lendo algumas entrevistas do Silva, e vi que ele tem uma admiração enorme pelo seu trabalho. E acho que a recíproca é verdadeira. A partir daí, queria saber como é sua relação com essa nova geração de cantores (as). O fato de você ser um exemplo para muito deles, isso te toca de que forma?

FT – Eu brinco com esses artistas novos que tenho idade pra ser mãe deles… Acho uma grande honra inspirar gente tão talentosa como o Silva, a Érika Machado e outros. Estou sempre escutando material que me mandam, seja de gente já estabelecida quanto lançamentos de nomes que ainda estão começando. Isso me ajuda a manter a cabeça fresca e em movimento.

FP – Além das apresentações da turnê de Na Medida do Impossível, você também participa de feiras literárias. Queria saber quais são suas referências/influências na literatura. Li certa vez que você gosta muito de Clarice Lispector…

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FT – Sim, gosto muito dela. Acho que ela tinha uma escrita tão versátil… Se comunicava com crianças, jovens angustiados ou esperançosos, donas de casa, adultos em crise… Podia nos trazer um alento ou esmiuçar nossa humanidade de forma feroz. Sou uma leitora muito “promíscua”. Não tenho grandes coleções de um só autor, com exceção de Clarice e muitos Saramagos. Leio ficção, biografias, crônicas, livros de receita. Na crônica especialmente gosto de Rubem Braga, Fernando Sabino e Antônio Prata.

FP – Queria te agradecer, e terminar falando um pouco sobre o dia em que conheceu o Simon Le Bon, do Duran Duran. Você estava bem emocionada (show no Rio de Janeiro, no Citibank), lembro. Quais as suas lembranças daquela noite? Imagino que seja surreal cantar com alguém que admira tanto, e logo em uma das músicas mais icônicas dos anos 1990, Ordinary World

FT – Gosto muito do Duran Duran, tenho todos os discos, vários Eps, livros, fotos, acompanho a carreira da banda desde que tinha 11 anos! Nunca imaginei que fosse cantar junto com eles no mesmo palco e isso acabou acontecendo por três vezes. Foram dos dias mais emocionantes da minha vida. Semana de princesa: andar na van com eles, jantar, tomar café juntos, dar dicas de lugares pra visitar… ver que eles são tão legais quanto eu imaginava. Não é porque sou artista que não tenho meus dias de fã assumidíssima ainda, né?

Ouvindo Fernanda Takai, O Ritmo da Chuva

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site

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