O Turista – mais um filme em que Angelina Jolie ilumina a tela
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O Turista – mais um filme em que Angelina Jolie ilumina a tela

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O Turista

“E, como toda boa comédia romântica, O Turista é deliciosamente bom e divertido de se assistir”

Por Mauricio Amorim

O Turista não é um filme ruim – como foi classificado por grande parte da crítica mundial, na época do seu lançamento, em 2010 – mas também está longe, muito longe, de ser considerado um filme ótimo.

O Turista é um filme charmoso. Simples assim!

Essa adjetivação é perfeita para essa obra de Florian Henckel Von Donnersmarck, diretor alemão do premiado A Vida dos Outros. Além de muito, mas muito charmoso mesmo, esse filme, estrelado pelo comumente ótimo Johnny Deep e pela sempre linda (e sempre ótima atriz) Angelina Jolie, é uma obra divertida, que foi feita exatamente para não ser levada tão a sério assim.

Creio que os críticos não entenderam isso – ou não estavam dispostos a entender. E, por terem levado a sério demais esse filme – afinal, além do diretor premiado, tinham-se, também, roteiristas conceituadíssimos: um, escritor do ótimo Os Suspeitos e, outro, autor do roteiro do excelente Assassinato em Gosford Park, ambos ganhadores do Oscar por esses filmes – choveu criticas negativas a essa primeira obra hollywoodiana de Florian Henckel Von Donnersmarck.

E como uma das principais críticas deve-se ao roteiro, escrito por esses dois profissionais premiadíssimos, vamos à trama…

Angelina Jolie vive Elise, uma inglesa que está sendo vigiada pela Interpol, pois seu amor, um ladrão que roubou um valor altíssimo de um gangster russo, está sendo procurado pela justiça. Para poder se reencontrar, secretamente, com o seu amado, ela usa um turista como isca, durante o trajeto, de trem, de Paris para Veneza. Aliás, a principal locação do filme é a linda e cinematograficamente perfeita Veneza.

Johnny Deep vive esse turista – Frank -, um americano – professor de Matemática – em férias pela Europa, que é abordado, propositalmente, por Elise, nesse trajeto de trem até Veneza. Logo, esse encontro se transforma em romance, e Frank se vê envolvido não só por aquela bela mulher, como também se vê inserido numa trama de intrigas, crimes e perseguições, pois a polícia e o chefão – que teve seu dinheiro roubado – pensam, categoricamente, que o pacato professor nada mais é do Alexander Pearce, o ladrão. E ambos – policia e gângster – farão de tudo para capturar Frank.

E é partir daí que a promessa de que O Turista seria um filme de ação, com uma dose equilibrada de suspense, termina indo por água abaixo. O Turista não é um filme de suspense, muito menos de ação!

O Turista

Comédia romântica! Esse filme de 2010, indicado a três Globos de Ouro: melhor filme comédia/musical, melhor ator comédia/musical e melhor atriz comédia/musical – e sem nenhuma indicação ao Oscar de 2011 – é sim, uma comédia romântica. E, como toda boa comédia romântica, O Turista é deliciosamente bom e divertido de assistir.

Entretanto, é fato que o roteiro possui falhas, poderia ter sido mais bem escrito, até mesmo para que pudesse ocorrer uma narrativa melhor estruturada. Há, também, às vezes, algumas inverossimilhanças como, por exemplo, na sequencia do baile, no momento em que Elise entra no salão e todos, absolutamente todos os presentes, param o que estavam fazendo – bebendo, conversando e tal – e se concentram, única e exclusivamente, na entrada daquela mulher. Ok! Angelina Jolie é sim, muito, mas muito bonita mesmo. Como Elise, com aquele figurino, ela está perfeita! Mas, todos os convidados de um enorme salão param o que faziam, para observá-la, é meio que inverossímil, até porque havia outras tantas belas mulheres no baile.

Algo que também incomoda é o fato de que o público consegue entender o porquê de Frank ter se apaixonado por Elise, mas nunca o contrário: é quase (também) inverossímil a repentina paixão de Elise por ele.

Entretanto, se embarcamos, assim mesmo, na história, teremos uma interessante surpresa no final do filme. Surpresa esta que, talvez, faça com que esqueçamos que estamos diante de um filme com um roteiro um tanto quanto inconsistente, mesmo sendo uma obra charmosa, divertida e fotograficamente bela.

Contudo, há diálogos que salvam o texto do filme. E, nesse ponto, não cito, unicamente, as falas dos protagonistas, como também as falas de alguns dos coadjuvantes. Inclusive, entre os coadjuvantes, tem-se Timothy Dalton, aquele que teve uma passagem um tanto quanto meteórica como 007, na década de 80, e o sempre bom Paul Bettany, aquele de Uma Mente Brilhante, Código da Vinci, Legião… A cena em que o diretor da polícia, papel de Dalton, em frente ao seu inferior, personagem de Bettany, analisa o relatório sobre a possível mudança de rosto do fugitivo Alexander Pearce e constata, através dos dados de um entregador de encomendas retido pela polícia, que o “novo” Alexander é de origem algeriana, casou e tem um filho e, ainda por cima, diminuiu 10 centímetros… É difícil segurar o riso quando vemos a cara de incredulidade e desprezo do personagem de Timothy Dalton.

Mas, sem dúvida alguma, O Turista é um filme no qual Angelina Jolie brilha. Não necessariamente porque ela tem, neste filme, um personagem bem construído (algo que não acontece: os personagens, assim como a trama, necessitariam de uma atenção maior) e, sim, porque ela é linda, ótima atriz e, quando em cena, consegue, com facilidade, fazer com que nosso olhar saia do seu companheiro de cena – mesmo que o companheiro seja um Johnny Deep – e se concentre, apenas, nela. Em O Turista, é facílimo isso acontecer: Angelina Jolie ilumina cada cena na qual ela está presente. Acredito que nunca ela esteve tão linda, como nesse filme de 2010.

O Turista

E juntar Angelina Jolie à maravilhosa Veneza, como locação principal dá, a essa produção, o charme já citado nos parágrafos iniciais. Pode-se afirmar, inclusive, que Veneza é um dos personagens de O Turista: Florian Henckel Von Donnersmarck soube, com maestria, apesar do roteiro meio capenga que tinha em mãos, valorizar suas estrelas, filmar Veneza de forma bela, dando uma estética muito bem vinda, ao seu filme, o que faz com que lembremos, em alguns momentos, de um clássico do cinema mundial. Sim, estou falando de To Catch a ThiefLadrão de Casaca, de Alfred Hitckook, de 1955. Ao assistir O Turista nos vem à mente, devido a toda uma áurea de charme presente na trama, esse clássico estrelado por Grace Kelly.

Mas, claro que O Turista está à milhas de distância de Ladrão de Casaca: o clássico é infinitamente melhor, do ponto de vista artístico, que O Turista.

Contudo, é muito bom quando nos sentamos para assistir um filme e, ao término da película, saímos do cinema, ou de onde quer que tenhamos assistido ao filme, com aquela sensação de que valeu a pena acompanhar aquela história, pois ela teve algo, um mínimo que tenha sido, que nos chamou a atenção, que nos fez divertir, que nos fez rir…

Nesse ponto, acrescido da beleza e do chame de Jolie, O Turista tem de sobra.

Mauricio Amorim é Professor de Produção e Direção para TV e Vídeo, Edição, Roteiro, Linguística e Produção Textual da Universidade do Estado da Bahia, Especialista em Linguagens e Mídias Audiovisuais, Cineasta e Colunista do Cabine Cultural.


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