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Crítica Carrossel, o filme: pros novos, a diversão; pros velhos, a nostalgia

Carrossel O Filme

Carrossel O Filme

Filme faz a criançada se divertir com o estilo um tanto pastelão; já os adultos podem se lembrar de quando eram crianças e viam a novela mexicana pela tv

Por Luis Fernando Pereira

Para falar de Carrossel, o filme, é necessário (ao menos conveniente) dividir a linha de raciocínio em dois grupos: o primeiro será voltado para crianças e pré-adolescentes, já acostumados com o remake nacional produzido pelo SBT, que alavancou a audiência da emissora de Silvio Santos e fez novos ídolos aparecerem, como a fofa da Larissa Manoela. O segundo, esse é formado por jovens e adultos que viveram os anos 1990 (ou anos mais tarde, já que o SBT reprisou dezenas de vezes) e assistiram a versão original da trama, mexicana, que transformou a professora Helena em uma das mais famosas personagens do imaginário brasileiro.

Carrossel, o filme consegue ser divertido para quem é criança e um pouco nostálgico para quem já é adulto. Isto acaba sendo um trunfo do filme, que cá entre nós, nem precisava entregar uma obra-prima para ter o seu público fiel indo aos cinemas assistir a história dos meninos e meninas da Escola Mundial. E de fato não entrega: Carrossel traz no geral uma narrativa preguiçosa, bem clichê e sem correr riscos nenhum. Talvez realmente não seja necessário nada disso, pois neste caso bastava tão somente o bom feijão com arroz para garantir a felicidade da garotada.

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E o cenário para isto acontecer não poderia ser mais oportuno: férias no campo.

Entrando na história
Em férias, os alunos da Escola Mundial viajam para o acampamento Panapaná, pertencente ao avô de Alícia. Lá eles participam de uma gincana organizada pelo senhor Campos, que faz o possível para que as crianças se divirtam a valer. Entretanto, a chegada de González agita o local, já que ele representa uma incorporadora que pretende comprar o terreno do acampamento para transformá-lo em uma fábrica poluidora. Para atingir seu objetivo, González e seu fiel parceiro Gonzalito usam de todos os artifícios possíveis, inclusive sabotar o acampamento e difamar Campos.

Observando mais atentamente o filme, o que mais incomodou foi o fato do roteiro usar aquela dicotomia boba dos contos de fadas e tramas do tipo para desenvolver a história: você tem o grupo de mocinhos e os vilões, malvados que só. Carrossel usa isso da forma mais clicherizada possível, que irrita qualquer pessoa que realmente gosta de ver um filme. Porém, é perceptível que essa estrutura agrada a criançada, que adora ver os vilões fazerem maldade e no final se darem mal. Já está enraizado na cabeça de quem consome este tipo de filme, e a gurizada não vê a hora dos vilões receberem a punição merecida.

Carrossel o filme

Carrossel o filme

Falando dos personagens, dos nossos famosos personagens, os melhores, tanto da novela, quanto do filme, são, sem ordem: Maria Joaquina, Cirilo, Valéria, Davi e a Diretora da Escola. Claro que, mesmo tendo ai neste grupo alguns atores bem talentosos, e com muito futuro pela frente, é inegável que a versão mexicana é infinitamente mais poderosa. Nem precisa entrar no mérito de ser ou não melhor, a questão é que o original é (compreensivelmente) muito mais marcante. Mesmo Maísa Silva, que é de um carisma só, não chega perto do que um dia a Valéria foi.

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A Maria Joaquina de Larissa Manoela é outra que, mesmo extremamente talentosa e carismática, não consegue ter aquela mesma força da menina loirinha mexicana.

Sendo assim, não precisamos ficar comparando as duas versões, pois podemos ver o remake brasileiro da novela, e o seu filme, mais como homenagens ao original. Assim fica mais fácil se entregar e se divertir com a história (se você for um adulto, claro).

Paulo Miklos
O engraçado é que do maior clichê do filme surgiu a melhor atuação. Paulo Miklos como o vilão Gonzalez está impagável. Miklos, que é uma das grandes revelações do cinema nacional (vide suas atuações brilhantes em O Invasor e É Proibido Fumar) parece se divertir como ninguém na história; e o seu trabalho soa tão natural, mesmo sendo, paradoxalmente, o mais caricatural.

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Paulo Miklos

Carrossel, o filme chega aos cinemas com uma continuação já garantida. Merecido.

A história, simples, faz a criançada se divertir, por se verem em muitas das situações que a trama cria (romances, brigas, amizades…) e faz os mais grandinhos se lembrarem de uma época bem gostosa, quando ainda eram crianças e a única preocupação que possuíam era escolher o lanche certo para servir de acompanhamento pro que realmente importava, que era ver mais um capítulo da novela Carrossel.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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