Crítica Sobrenatural: A Origem - A melhor franquia de terror da atualidade | Cabine Cultural
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Crítica Sobrenatural: A Origem – A melhor franquia de terror da atualidade

Sobrenatural A Origem

Sobrenatural A Origem

Sem a mesma força que o primeiro dos filmes, A Origem ainda assim consegue se destacar em um ano em que poucos filmes do gênero se sobressaíram

Por Luis Fernando Pereira

Não era tão difícil imaginar que um projeto como Sobrenatural (Insidious), que já começa com um caso em andamento, em algum momento iria voltar-se para a sua origem. O caso não é o primeiro e nem o último na história do cinema. Muitas franquias de terror vem fazendo isto, como o ótimo filme espanhol REC, uma das grandes surpresas do gênero, mas que se perdeu em suas continuações, incluindo ai uma razoável (para não dizer ruim) volta às origens.

Em Sobrenatural: A Origem, de Leigh Whannell, a situação é um pouco diferente, porque ao menos a mesma atmosfera dos dois filmes anteriores se mantém, o que é um trunfo para a trama. Sem o mesmo poder narrativo e sem trazer novidades, o filme acaba agradando, mas sem aquela empolgação genuína que o primeiro proporcionou nos amantes do bom terror. Ainda assim, em uma temporada recheada de filmes de terror medianos (como Poltergeist e Jessabelle), Sobrenatural desponta como uma boa surpresa, cabendo agora ao esperado It Follows (filme será lançado em agosto) a responsabilidade de ser o grande filme do gênero no ano.

A história
O terceiro filme da franquia de terror é focado nos acontecimentos que antecedem a história da família Lambert. Elise Rainier (Lin Shaye) é uma medium que quase contra vontade, concorda em usar sua habilidade em contatar os mortos para ajudar uma adolescente (Stefanie Scott) que tem sido alvo de uma perigosa entidade sobrenatural.

O grande destaque do filme é a presença de Elise, que acaba sendo o ponto de referência da história. Sem ela, seria impossível ligar as histórias. E este foi o tiro certo que o roteiro deu, já que muitas outras franquias que foram construir seus episódios de origem acabaram renovando todo o elenco, não sobrando nenhum personagem original para o espectador se agarrar. Assim fica mais difícil criar uma relação de empatia com a trama. Aqui isso não acontece, pois conhecemos e gostamos de Elise, e de seus dois futuros assistentes, que por sinal, conseguem ser o alívio cômico do filme.

Os sustos, uma das principais metas de um filme do gênero, continuam, e o uso estratégico, e criativo da câmera, também. Algumas das cenas, como a que a protagonista, Quinn Brenner (Stefanie Scott) está na cama, com a perna engessada, e sofre um ataque desta entidade maligna, são ótimas, e despertam no espectador sustos e muito medo.

A protagonista, Stefanie Scott, consegue até se destacar se a colocarmos no grupo de atrizes jovens que interpretaram grandes personagens em filmes de terror, mas a sua atuação ainda está muito longe das protagonistas anteriores da franquia. Tudo bem que compará-la com Rose Byrne é uma crueldade para a menina, mas bem que ela poderia ter sido mais marcante em suas falas e ações.

Sobrenatural A Origem

Sobrenatural A Origem

A parte final, que reproduz de modo mais fiel os outros filmes anteriores, é a parte de maior tensão e com os melhores takes, sem dúvida alguma. Podemos dizer que, se Sobrenatural possui uma marca própria, essa marca é representada por estas sequências finais, com Elise entrando em embate com a entidade demoníaca.

Sobrenatural: A Origem estreou como uma boa opção para os adoradores do gênero. É sempre difícil encontrar bons exemplares de terror, por isso quando encontramos devemos ao menos dar uma olhada com mais atenção. O clima sombrio da franquia continua, as sequências, pelo menos umas três, são tão boas quanto às dos primeiros dois filmes, a trilha sonora continua sendo utilizada com maestria e o resto é resto.

Bom filme.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site

 







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