Crítica Sharknado 3: obra-prima do filme ruim que é bom de tão ruim | Cabine Cultural
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Crítica Sharknado 3: obra-prima do filme ruim que é bom de tão ruim

Sharknado 3

Sharknado 3

Franquia virou a galinha dos ovos de ouro do canal americano SyFy; terceiro filme finaliza a primeira trilogia. Será que vem mais por ai?

Por Luis Fernando Pereira

O fato de já acompanhar a saga dos tubarões voadores desde o seu início (ver Sharknado e Sharknado 2) permite que tenhamos uma visão um pouco mais completa dos objetivos de seus produtores. Sim, a meta principal é ganhar dinheiro, imperativo categórico na indústria de entretenimento americana. O segundo objetivo é elevar ao máximo a ideia de trash movie. Se no primeiro dos Sharknados, ainda havia resquícios de trama, de drama, de atuações, no segundo estes elementos foram sumindo por completo e neste terceiro encontramos o ápice do chamado filme podreira.

É tudo absolutamente mais surreal que os dois primeiros, já bastante avançados no quesito surrealidade. Tubarões voando por conta de uma anomalia da natureza (iniciada pelo homem) é algo até verossímil num filme de ficção. Porém o que vimos neste terceiro filme é agora que nossas mentes nem conseguiriam imaginar: tubarões no espaço, tubarões com pontaria cirúrgica (em quatro ataques eles arrancaram os dois braços e duas pernas de um personagem – cada ataque, um membro a menos).

Se isto torna o filme ruim? Mas claro que não!

Tudo bem que em alguns momentos chega a ser irritante o nível de preguiça dos roteiristas, que por vários momentos escreveram o que de mais clichês poderiam escrever. Toda a cobertura jornalística feita no filme é um tanto constrangedora e poderia ter sido deixado de lado.

As atuações continuam firmes e fortes (e deliciosamente ruins).

Ian Ziering e seu já icônico Fin Shepard chegaram num nível de excelência no quesito caricatura. Seu personagem chegou ao apogeu, recebendo prêmio do presidente por ser o matador da motosserra, depois virou astronauta e por fim fez um tubarão parir um filho. É muita informação bizarra para um personagem somente.

Sharknado 3

Sharknado 3

Sua esposa, April Wexler (a bela Tara Reid) chegou perto com a sua mão biônica, a sua gravidez e toda a sua destemida coragem de avançar nos tubarões, mesmo não possuindo nenhum tipo de poder sobrenatural.

Sua filha também virou destaque, ao ser novamente um dos focos da história. Agora ela está com um futuro namorado. Os dois logo descobrem que terão que matar tubarões para sobreviver. E de repente, já estão com metralhadoras super experientes atirando de forma certeira nos tubarões. Claro que um deles tem que morrer.

Mortes, para falar a verdade é o que mais vemos. São poucos os que terminam o filme com histórias pra contar pros seus parentes. Até mesmo George R. R. Martin, autor dos livros que deram origem à série Game Of Thrones foi morto. Ainda bem que foi somente na ficção, senão seria um caos tentar adivinhar os próximos passos da trama da HBO.

Temos ainda a participação especial do super máquina David Hasselhoff, pai de Finn. Ao estilo Armagedon, ele salva o dia já no desfecho do filme e marca a sua participação mais que especial no filme. Se existe um acerto que devemos mencionar da produção de Sharknado, esse acerto é a escolha do elenco, que fez questão de desenterrar nomes que viveram nos imaginários de muitos que hoje tem os seus 30 anos ou mais.

Sharknado 3 é, de certa forma, mais do mesmo. A franquia parece bastante com a do filme Premonição, que teve a primeira história escrita com certa seriedade, mas que depois buscou somente criar cenas chocantes e marcantes, para oferecer entretenimento aos seus espectadores e fãs. Sharknado conseguiu isso neste terceiro filme, já que as aparições dos tubarões são ainda mais criativas e mortais.

O sangue jorra com mais intensidade. As cabeças se decepam de modo mais chocante. Isso é Sharknado.

Esperemos pelo próximo.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site







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