Crítica Gotham episódio piloto: bem vindo à caótica cidade do crime
Séries

Crítica Gotham episódio piloto: bem vindo à caótica cidade do crime

  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Gotham

Primeiro episódio da série apresenta sobretudo o principal personagem da trama: detetive Jim Gordon; piloto foi mas que bem produzido

Por Luis Fernando Pereira

Logo na cena inicial de Gotham nos deparamos com um dos momentos mais importantes de todo o universo de Batman: vemos o pequeno Bruce Wayne presenciar a morte dos seus pais. A simbologia dessa cena é bem emblemática, já que a partir daí que desencadeia a série de acontecimentos que culminará com o nascimento do homem morcego.

A série soube destacar bem essa sequência e também a fez como apresentação do principal personagem da série, ao menos nessa primeira temporada: o detetive Jim Gordon (Ben McKenzie), ainda jovem e destemido, é apresentado ao Bruce ainda em choque pela morte dos Wayne. Nesse momento eles conversam, Jim fala da morte de seu pai e de como este acontecimento o ajudou a chegar aonde ele chegou.

Essa sequência de quase 10 minutos é a introdução mais que perfeita da série: poderosa, simbólica e que apresenta logo de cara o que de melhor a série oferecerá daqui para frente.

A partir daí somos apresentados à caótica cidade de Gotham, aos seus vilões, aos protetores, aos políticos, aos mafiosos, e à menina Selina Kyle, que ao menos no piloto se mostra como grande destaque da temporada. Será interessante vermos essa dinâmica entre o futuro Batman e a futura Mulher Gato.

Com um bom roteiro, dá para fazer a trama de Gotham ser uma das mais interessantes desta temporada.

A relação de Gordon com o detetive Harvey Bullock é outra que se bem desenvolvida trará ótimos episódios a Gotham. Os dois possuem comportamentos opostos e por conta dessa diferença de ações que podemos ter bons momentos com essa dupla.

Focando agora nos vilões, é mais que consenso que o piloto privilegiou dois especificamente: Fish Mooney, chefe do crime organizado e membro da Família Carmine e Oswald Chesterfield Cobblepot, ou melhor dizendo, o Pinguim.

Fish, interpretada pela atriz Jada Pinkett, acabou ganhando quase todo o destaque, mesmo ela não sendo, na escala hierárquica, a mais poderosa das vilãs de Gotham.

Mesmo bastante talentosa, Jada ofereceu nesse primeiro momento uma atuação bastante caricatural, mais do que o aceitável. Ok, alguns dos personagens, incluindo o dela, tem essa vibe em tom de caricatura, mas no caso dela ficou irritante.

Gotham

Pinguim seguiu na mesma crista, porém a atuação de Robin Lord Taylor foi tão sensacional que esse detalhe se transformou num mero detalhe. O perigo aqui consiste em transformar um personagem que funciona muito bem como coadjuvante em um personagem principal, dando cenas e mais cenas para ele.

Falando de questões mais técnicas, não tem como não mencionar a fotografia e a direção de arte da série neste episódio piloto. Todo o clima sombrio – e toda essa atmosfera de caos – faz de Gotham uma das mais belas produções do ano, ao menos no seu piloto.

Só resta saber se continuará com esse nível nos próximos episódios.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Deixe uma resposta