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Crítica Fear The Walking Dead: primeiro episódio devagar, quase parando

Fear The Walking Dead

Se você era um daqueles que reclamava da lentidão de The Walking Dead, prepare-se: a situação aqui é ainda mais profunda; mas isso não significa que a série é ruim

Por Luis Fernando Pereira

É bastante relativo falarmos da dinâmica que um filme – ou série de tv – estabelece para poder contar a sua história. Há séries com ritmos frenéticos, a maioria dessas de ação, ou mesmo comédia (que precisa de uma cena engraçada atrás da outra). E existem outras que buscam uma velocidade mais pausada, normalmente para destrinchar algum drama ou fazer com que a narrativa sempre cresça, daí começar lento é uma boa opção.

Posto isso, devemos encarar Fear The Walking Dead destas duas formas: ao mesmo tempo em que se trata de uma história mais lenta, porque no fim das contas ela focará no drama, ela também promete, com o passar dos episódios, se tornar mais intensa, já que o piloto serviu mais para apresentar o contexto e os personagens.

Contextualizada no mesmo universo da famosa The Walking Dead, Fear The Walking Dead (nada de nome criativo) acaba explorando o início do apocalipse dos mortos-vivos através do retrato de uma família suburbana em crise. Situada na cidade de Los Angeles, ela se mostra um drama aparentemente tradicional, com problemas envolvendo relacionamentos entre pais e filhos e os filhos com questões ainda mais complicadas que envolvem uso de drogas.

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O drama fica claro ao longo do episódio, contudo, a trama já apresenta sinais do apocalipse zumbi nas primeiras cenas, e mostra que um surto vai ameaçar a pouca estabilidade que resta aos personagens da trama, como, por exemplo, à supervisora de Ensino Médio Madison Clark e ao professor de inglês Travis Manawa, os protagonistas da série.

Núcleo familiar
Diferente de The Walking Dead, que traz a ideia de comunidade como foco (várias famílias e pessoas tendo que conviver e sobreviver) aqui o núcleo é familiar e restrito. Madison, Travis, Nick e Alicia… são estes os personagens que devemos estabelecer algum sentimento de empatia, pois eles serão o olhar humano sobre uma epidemia que se alastrará com o passar da história.

O mais interessante aqui será saber (tentar saber) a origem do futuro apocalipse zumbi. Fear The Walking Dead começa com uma sequência que pode ser de fundamental importância para esta resposta: dentro de uma igreja (simbolismo bacana) Nick, o drogado da família, desce as escadas chamando por Gloria, outra viciada (mais simbolismo). Ao descer, ele se depara com a menina – franzina – comendo outras pessoas ali. Ele então foge e a saga então começa.

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Fear The Walking Dead

As perguntas que não querem calar: seria ela a paciente número zero? Seria a droga que eles usaram a responsável pelo surto que trará como consequência o apocalipse zumbi?

A primeira temporada deverá trabalhar esta ideia, já que veremos o surto crescer aos poucos e no início todos buscarão entender a origem de tudo, e buscar a cura o quanto antes. Neste sentido, acompanhar Fear The Walking Dead será fascinante, ao menos para quem já gosta de histórias do gênero. Se em TWD a sobrevivência é o foco principal, aqui será o entendimento, a compreensão.

Sobre a lentidão, é claro que em alguns momentos incomoda – principalmente por conta de cenas inúteis, como encontros de namorados, e tentativas de enganar o público (vejam a cena em que Madison entra na sala do diretor e ele está sentado, parado, e a trilha tenta induzir que ele já seria um zumbi, ou algo do tipo).

Já em outros momentos, como nas visitas posteriores à igreja onde aconteceu a cena inicial, a lentidão ajuda a construir uma atmosfera ainda mais sombria e apavorante. Ou seja, cabe aos roteiristas usarem a dinâmica apropriada para as cenas. Se fizerem um trabalho bem feito, a reclamação sobre a velocidade da série será nula, ou descabida.

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O elenco ainda precisa de tempo para se consolidar. Mesmo com a consciência de que não teremos personagens clássicos e icônicos como Rick, Shane, Glen, Daryl… podemos sim nos envolver com alguns deles. O garoto Tobias, que tentou entrar na escola com uma faca (e que já sabe, ou acha que sabe de algo) tem um enorme potencial para cativar o público.

Fear The Walking Dead começou.

Com uma ou duas sequências com os zumbis. Pode ser pouco para um início de série, mas foram suficientes para deixar quem assistiu com gosto de quero mais. A comparação com a série mãe é inevitável, afinal, pertencem ao mesmo universo, possuem propostas que se entrelaçam e fazem parte do mesmo projeto. O potencial da série é enorme, já que o tema, podemos ver pela audiência, ainda está longe de saturar.

Zumbis ainda é o assunto da vez. Vê-los em cena ainda é uma experiência divertida, pavorosa e tudo o mais. Assim, assistir Fear The Walking Dead logo será mais uma tradição para os amantes deste gênero. Vai virar obrigação.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site




Uma resposta para “Crítica Fear The Walking Dead: primeiro episódio devagar, quase parando”

  1. O titulo da matéria induz que a série é ruim e lenta, porém, o piloto mostra que teremos uma grande série pela frente

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