Eu também sinto muito Blues
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Eu também sinto muito Blues

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Eu também sinto muito Blues

Vou me vestir à la Norah Jones e abrir um uísque não muito mais caro que o do bar que nós íamos. A música flui melhor quando o álcool flui na corrente sanguínea da gente

Por Juliana Azevedo

Ah, Blues! Eu lamento por ter trocado as suas frequências, as minhas frequências. Deixei de frequentar aquele velho bar de beberrões de uísque frequentemente barato. Foi um fim inexpressivo, Blues. “Ta acontecendo alguma coisa?“, foi o que você me perguntou naquela noite de segunda-feira que esqueceram de desligar o gás. Não é ingratidão, mas estou cansada de toda essa repetição, da popularidade despercebida, da rapidez dançavel e pegajosa.

Será que fiz os planos certos? É o que me pergunto todas as vezes que minha harmônica perde a harmonia e desafina entre meus lábios. Lembro de quantas coisas não já se perderam entre eles, os meus lábios. Prefiro não pensar nisso, mas pra falar a verdade, as lembranças ficam mais rasas quando olho pra todas essas notas que ainda tento escrever pra te explicar todos os “talvez” que há entre nós.

Quem sabe nós dois façamos um som juntos novamente. O que você acha, Blues? Um dia, que parece mesmo que foi ontem, nós soamos bem juntos. Minha harmônica, teu violão. Eu deixo você escolher o que tocar, dessa vez você será o maestro e compositor. Dessa vez, o som pode sair melhor com o teu controle. Não tema. Toque o quiser. Toque tudo, Blues.

Vou me vestir à la Norah Jones e abrir um uísque não muito mais caro que o do bar que nós íamos. A música flui melhor quando o álcool flui na corrente sanguínea da gente. Talvez minhas mudanças de ritmo não façam mesmo sentido, sou mesmo escrava da tua precisão em escalas menores. Ah Blues, as tuas escalas nas madrugadas de sábado que viramos no meu apartamento…

Ainda vai levar um tempo pra que consiga trocar todos os Dó Menor pelo Maior e te explicar como consegui errar tanto. Já deliro com a noite em que tocaremos juntos novamente, espero nela poder chamar-te pelo teu verdadeiro nome. Falta muito, eu sei. Até lá, eu sigo sentindo muito, Blues.

Juliana Azevedo é estudante de Direito mas nas horas vagas gosta de brincar com as palavras e os sentimentos que coexistem dentro de si. É a dona do blog Chuva de Jujubas e agora faz parte da equipe Cabine Cultural.

 

 


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