Crítica: Fear The Walking Dead em um ótimo e tenso 2º episódio
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Crítica: Fear The Walking Dead em um ótimo e tenso 2º episódio

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Fear The Walking Dead 1×02

Segundo episódio conseguiu superar o piloto em tensão e ainda construiu muito bem todos os caminhos que a série irá seguir em sua temporada inicial

Por Luis Fernando Pereira

Surpreendentemente tenso este segundo episódio de Fear The Walking Dead. Muitos achavam que o ritmo da série seguiria bem lento e que somente veríamos o caos, reflexo do início do apocalipse zumbi, mais para o fim da temporada. Pois já neste episódio tivemos uma clara ideia de como foi de fato o início da saga de The Walking Dead, a série mãe, que tem o seu início já um tempo após o caos se estabelecer nas cidades americanas.

E não poderíamos estar mais felizes com o episódio, que superou em tensão e em velocidade o piloto exibido semana passada e conseguiu até mesmo já criar uma relação de empatia do público com alguns personagens. Todos eles possuem uma carga dramática bem interessante para ser desenvolvida, desde o núcleo principal, com o pai Travis, além de Madison, Nick e Alicia, até alguns personagens menos expressivos (aparentemente) como o garoto Tobias.

Falando da família principal, os quatro formam uma família disfuncional, recheada de dramas individuais (drogas, relação com ex-esposa, namorado infectado…) e que vêm conseguindo passar um tom de realidade que é importante para a série.

Digo tom de realidade, pois Fear The Walking Dead é ambientada na contemporaneidade, nos dias atuais, e devemos imaginar qual seria a nossa reação se víssemos amanhã no Youtube cenas semelhantes à da série. Seria um misto de incredulidade, mas já com o instinto de sobrevivência dentro de si. Acredito que encararíamos assim.

Madison percebeu isso já neste episódio, quando teve que ‘matar’ o diretor de sua escola, infectado pelo ‘vírus’. Percebam a aspas para matar e para vírus, pois estes dois conceitos ainda estão sendo desenvolvidos na história. Ninguém sabe ao certo se as pessoas estão ou não mortas, e se o causador de tudo isso é ou não um vírus. Estamos ainda na fase das incertezas, uma incerteza que é angustiante para muitos, mas que ainda passa despercebido para outros, como no caso dos vizinhos dos protagonistas.

Fear The Walking Dead 1×02

Caos
O ponto forte do episódio foi justamente já jogar os personagens no caos. Todos passaram por situações limites. Enquanto Madison passou por apuros na escola, Travis teve que rodar a cidade atrás de seu filho, levando a tiracolo sua ex-esposa. Juntos ficaram presos em um local cercado pela polícia, que buscava de alguma forma reagir aos zumbis (que não são chamados desta forma). Ficamos aqui com aquela estrutura bem conhecida, que é a dinâmica da família dividida: Madison em casa com os dois filhos e Travis em outro canto da cidade com o filho e a ex-esposa.

A questão é saber se o acordo inicial deles, que era ir para o deserto (o plano de ação) continuará de pé. Sabemos que dificilmente eles conseguirão fugir para o deserto, pois a série depende deles na cidade para acontecer. E não acredito que os zumbis já consigam ir ao deserto… então podemos esperar que a família continue na cidade.

A questão relacionada à busca por algum antídoto, ou pela descoberta do que realmente está acontecendo, ficou parada neste episódio, e chegamos inclusive a vivenciar um estilo de narrativa que se aproxima de The Walking Dead: eles estão buscando sobrevivência ao invés de procurar entender o contexto. Acreditava que esta dinâmica de sobrevivência viria mais para frente, mas desde agora veremos nossos personagens desesperados querendo continuar vivo.

Fear The Walking Dead trouxe um segundo episódio bastante eficiente, em todos os sentidos. Agradou em cheio quem gosta de tensão, de terror, de zumbis… se o ritmo for este durante o restante da temporada, podemos então considerar desde já a série como uma das ótimas surpresas (não tão surpresa assim) deste ano.

PS: Interessante sequência aquela da família que abrigou Travis. A cena da senhora rezando, como se estivesse diante de uma praga, ou de algo demoníaco, é bastante simbólica.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site


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