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Crítica Narcos primeira temporada: a primorosa (ou quase) série da Netflix

Um brinde à Narcos

Série foi um dos maiores acertos da Netflix em 2015 e por conta disso já teve uma segunda temporada encomendada

Por Luis Fernando Pereira

Desde o primeiro momento em que foi considerada a possibilidade da Netflix produzir uma história seriada sobre a vida do narcotraficante Pablo Escobar – e todo o contexto ao qual ele pertencia – que a excitação bateu à porta. Os motivos eram dos mais variados: Escobar foi, para o bem ou para o mau, uma figura fascinante; o histórico do tráfico de drogas na Colômbia/Estados Unidos, além de relevante historicamente, trazia na bagagem acontecimentos dignos de filmes… Tudo fazia da possível série um sucesso.

Então foi dado o pontapé inicial com o anuncio dos principais nomes por trás do projeto, intitulado Narcos: Zé Padilha, de Tropa de Elite, Wagner Moura, Pedro Pascal e mais alguns. Não tinha como dar errado.

E de fato não deu.

Com os dez episódios da primeira temporada vistos, o veredito final deve ser colocado em caixa alta: SENSACIONAL.

O mais impressionante na série é perceber como Escobar de fato se transformou no rei do tráfico internacional de drogas nos anos 1980. Certamente a ideia de entrar no mercado americano, usando Miami como porta de entrada, foi crucial. O roteiro soube nos primeiros episódios acentuar bem esta passagem. Logo depois, entretanto, o foco da trama ficou restrito (ou quase restrito) aos acontecimentos passados na Colômbia.

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E foram muitos acontecimentos. Alguns emblemáticos e altamente relevantes para se entender a história do continente nas últimas décadas: os assassinatos de políticos (foram alguns candidatos a presidência), o incêndio que destruiu uma Corte colombiana, matando juízes e dando sumiço a todas as provas contra Escobar, e – só para não listar todos – o mais impressionante de todos, que foi o ataque ao avião da empresa Avianca, que matou todos os passageiros.

Wagner Moura
Falando da narrativa, é interessante como o roteiro foi inteligente ao colocar Pablo Escobar como personagem central, porém dentro de outra visão, a do agente americano Steve Murphy, interpretado pelo ator Boyd Holbrook.

Narcos

Ele, o agente, faz parte da equipe responsável pelo combate às drogas nos Estados Unidos naquela época, a Drug Enforcement Administration (DEA). Sua narração em off é um dos principais pontos fortes da série, pois cria a vertente de documentário, mas deixa brecha para a narrativa tradicional também ser desenvolvida.

Mas se Murphy torna a série atraente, Pablo Escobar deixa a série explosiva.

E muito disso graças à interpretação de Wagner Moura. Claro que há alguns detalhes em sua atuação que incomoda de leve (por isso – não só por isso – o ‘quase’ do título), mas eles se perdem com a força dramática de seu personagem. O sotaque, que foi o calcanhar de Aquiles do trabalho de Wagner, e também algumas situações em que ele soou bem caricatural, atrapalharam um pouco, mas fora isso o baiano merece aplausos por ter conseguido impor a sua marca em uma figura tão icônica como Escobar.

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Segunda temporada
Analisando a primeira temporada, vemos que a maior parte dos acontecimentos relacionados ao início e ao crescimento dos quartéis de drogas (Medellín e Cali) já foi exibida. Fazendo uma cronologia da vida do narcotraficante, a primeira parte da série contempla quase que todas as experiências de sua vida. Vimos a sua relação com a esposa, com a amante jornalista, o vimos também como candidato ao Congresso colombiano (e a sua renúncia), e observamos a transformação de Escobar, que no início era considerado um Robin Hood (tirava dos ricos e dava aos pobres) e no fim foi colocado como terrorista inimigo número um da nação.

A parte final da temporada mostrou a sua vida na prisão, ou palácio (construída por ele), o acordo com o presidente César Gavíria (figura muito importante na série), que possibilitou a sua rendição, e o fim desta fase, com Escobar fugindo, o acordo indo por água abaixo e a Colômbia decretando de vez o fim de qualquer possibilidade de negociar com o tráfico de drogas.

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Narcos

Desta forma, o que resta para uma segunda temporada é a derrocada final de Escobar. Sendo assim, fica a enorme curiosidade para saber como o roteiro irá estruturar o próximo ano da série, que, caso realmente seja focada em Escobar, deverá ser o último ano de Narcos.

Porém a questão das drogas na Colômbia, e na América Latina (e Estados Unidos) ainda não foi resolvida e certamente a produção tem material suficiente para muitas histórias ainda.

Narcos chegou e apresentou uma primeira temporada quase perfeita. O elenco – tanto a parte latina quanto à americana – se destacou, criando dramas (a relação de Murphy e sua esposa, por exemplo) que fizeram o espectador criar empatia. Torcíamos pelos personagens (seja o presidente, os agentes do DEA, ou até mesmo Escobar, pouco importa) e isso é a maior prova de que uma série foi bem sucedida.

Agora só nos resta aguardar pela segunda temporada. Porque a série já viciou.

Luis Fernando Pereira é crítico cultural e editor/administrador do site




Uma resposta para “Crítica Narcos primeira temporada: a primorosa (ou quase) série da Netflix”

  1. Assistindo à série “Escobar el patron del crime” fica evidente que Pablo não construiu a Catedral, porque ela era um antigo manicômino. O que ele fez foi reformá-la para viver confortavelmente. Vale a pena assistir a esta série para se ter uma noção mais próxima do que foi realmente a vida desse traficante de drogas.
    Juscelina

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